sábado, 27 de maio de 2017

1972-05-00 - O Bolchevista Nº 10 - CML de P

EDITORIAL
DINAMIZE-MOS O RECRUTAMENTO

Na brochura "Por um estilo bolchevista do trabalho" definimos em profundidade a nossa posição exacta quanto à política de recrutamento. Hão vamos agora recapitulá-la. Para o efeito basta recordar a prioridade e urgência dadas à tarefa do recrutamento do operários - não se perdendo simultaneamente de vista que o facto dessa tarefa ser urgente não nos deve levar a abrir as portas a quem não tenha ainda uma boa preparação ideológica o política (o que, naturalmente, explica a orientação dada no sentido de dirigimos o grosso dos nossos esforços para aqueles que já hoje apresentam um nível razoável de consciência).
Pergunta-se agora; se por estudo atento da brochura em questão podem os camaradas ficar com uma noção exacta de quem precisam procurar para a organização, ou seja, se com essa brochura ficam os camaradas com um guia para o seu trabalho no capitulo do recrutamento, como devem eles agir para passarem da Teoria à Prática, impulsionados por um novo dinamismo? Vejamos concretamente três meios práticos:
1.  Para começar exige-se um combate sem quartel à tendência que os camaradas mostram ter para só conviverem uns com os outros. Tanto quanto possível, os contactos entre os militantes dum mesmo organismo devem ser assíduos, pois só assim se dá a esse organismo uma vida política colectiva. Mas essa assiduidade tem de existir em função da intensidade do trabalho político; e o menos possível por razões de natureza pessoal. Significa isto, que os contactos entre os camaradas da organização devem, em princípio, fazer-se apenas para o desempenho das tarefas ordenadas pelo nosso Comité; de resto, há que procurar novos amigos, novas "relações" - naturalmente a começar pelos companheiros de trabalho e de escola, mas também "fora deles", sem se desprezarem os menos preparados desde que já "anti-burgueses"! A tendência dos grupos revolucionários ainda pouco numerosos para se fecharem sobre si mesmos é altamente favorecida pelo facto de os seus militantes serem levados a procurar o convívio junto dos seus companheiros de luta e não de quem ainda não foi arrastado para esta. Foi uma tal tendência que durante o nosso primeiro ano de vida nos impediu do "sairmos para a rua", e se é certo que já a corrigimos consideravelmente, a verdade é que ainda hoje sofremos os seus efeitos. Reagir contra ela e sair do círculo mais ou menos estrito de amigos-camaradas é o primeiro dever de todo o militante que se quer fazer um verdadeiro "agitador" comunista.
Na linha de seguimento da recomendação anterior, impõe-se generalizar a preocupação constante de se proceder sempre de forma a que os companheiros de convívio sejam, em primeiro lugar, trabalhadores (e acima de tudo operários). Os militantes do origem intelectual e pequeno-burguesa tendem, por condição de classe e formação, a procurar intelectuais. Os militantes de origem trabalhadora, por seu lado, vêm mostrando uma certa inclinação para se isolarem, "desiludidos" com o grau de impreparação e inconsciência que notam nos seus camaradas de trabalho. Esta situação precisa de ser prontamente modificada. Os militantes de origem intelectual e pequeno-burguesa têm do abandonar o seu "meio" (excepto os que para tal estão organicamente destacados) e, sem se deterem com os primeiros "fracassos, com as dificuldades que encontrarão, esforçarem-se por travar conhecimento com trabalhadores, esforçarem-se por se relacionar com eles nomeadamente inscrevendo-se nas associações legais onde os haja mesmo em número reduzido: só assim estarão em condições de cumprir a orientação traçada em "Por um estilo bolchevista de trabalho” isto é, a de meterem na organização pelo menos e em média um trabalhador em cada dois militantes que recrutem; só assim se torna justo o facto do CML de P, vanguarda proletária, os aceitar no seu seio, pois só assim estão a ser usados da única forma em que os intelectuais podem ser úteis, isto é, ao serviço da mobilização do povo. Por seu lado, os camaradas trabalhadores, precisam do vencer a tendência para o isolamento e de saberem chamar a si às suas relações, os companheiros do trabalho de maior interesse, com vistas a esclarecê-los pela luta, avançando por etapas, conforme se se explica no sempre referido “Por um estilo bolchevista de trabalho”.
3. Finalmente, torna-se indispensável um esforço enérgico da parte de cada militante - e neste caso contamos também com os simpatizantes - no sentido do constituírem com quem vão conhecendo (e se mostre politicamente interessado é "interessante"), grupos do estudo onde se proceda ao debate dos mais diversos problemas políticos – a partir da discussão de questões concretas levantadas pelo dia-a-dia: na base de publicações, clandestinas ou não, etc. Esses grupos (que designamos por GIFOS - Grupos de Informação e Formação Operária) não são núcleos comunistas de consciencialização ideológica, o que significa que não estão sujeitos ao centralismo democrático, a uma disciplina de Partido, etc., apenas se impondo adoptar as medidas que forem necessárias para os defender da polícia. Os GIFOS, que não devem reunir mais do cinco pessoas (precisamente por uma questão de defesa e para maior facilidade do contacto e reunião) destinam-se a aprofundar a consciência revolucionária, a abrir caminho para a formação de quadros, se não já comunistas pelo menos marcados por um forte e consciente sentimento proletário de classe, aptos a integrarem os "Comités Soviéticos" cuja constituirão sugerimos noutro artigo. Isto é, não são, não podem ser "tertúlias". Daí que não deve haver em cada GIFO mais de um elemento de origem intelectual, pequeno-burguesa, ou mesmo semi-pequeno-burguesa. Não existindo este cuidado, permitindo-se a constituição de GIFOS onde os intelectuais, os pequeno-burgueses e os semi-pequeno burgueses tenham peso numérico, em breve veríamos esses grupos desviarem-se dos objectivos para que são criados e sofrerem toda a espécie de degenerações.
Enfim! Temos consciência de que alguns maoístas nos acusam de um certo imobilismo. A esses maoistas nós podemos dizer que se houve um período da nossa existência em que, de facto, a ausência de dinamismo assumiu uma forma grave, hoje, depois de uma profunda rectificação no estilo do trabalho introduzida no princípio de 1971, está ultrapassada essa fase... De qualquer modo, a verdade é que estamos longe ainda de atingir o ritmo que tornou possível ao pequeno grupo que constituía a FAP passar por uma organização, e a Kautsky (nos tempos em que era revolucionário) dizer, a propósito do desenvolvimento do trabalho comunista; "Éramos poucos, nas fazíamos tanto barulho que toda a gente julgava que éramos muitos, e a certa altura passámos mesmo a ser muitos". Ora a nós marxistas-leninistas, não conforta o "já não está tão mau como isso” a nós só interessa a vitória e o poder, e uma o outra só serão possíveis se rompemos para diante com redobrado vigor e entusiasmo! Que seja este o espírito a guiar o trabalho de recrutamento a que chamamos os camaradas!

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