domingo, 30 de abril de 2017

1977-04-30 - O Comunista Nº 36 - II Série - UCRP(ml)

1º DE MAIO – ERGUER A BANDEIRA DO PROLETARIADO E DO SOCIALISMO

Mais um 1.° de Maio passa sem que os trabalhadores se tenham libertado da exploração e da opressão da burguesia.
Esta data histórica marca um dia de luta do proletariado internacional em que por todos os cantos do mundo se erguem as bandeiras das reivindicações de classe dos trabalhadores e do socialismo. Os trabalhadores portugueses sempre souberam acumular uma digna tradição de luta nesta data, mesmo durante os negros anos do fascismo.
Pretendendo manchar o seu profundo significado revolucionário, o partido social-fascista de Cunhal, por intermédio das cúpulas da Inter, quiseram mais uma vez aproveitar-se das justas reivindicações dos trabalhadores e da sua tradição de luta, para fazer passar de contrabando os seus interesses antioperários e antinacionais.
NÃO AO «1.° DE MAIO» DA «MAIORIA DE ESQUERDA»
Aguando demagogicamente a defesa «das conquistas do 25 de Abril» para delas fazerem letra morta, quando estiverem no poder, como no gonçalvismo; elogiando a Constituição democrático-burguesa para alimenta, ilusões nos conciliadores burgueses que temiam em não ver apontando a dedo o fascismo e o imperialismo para deixar passar em claro o social-fascismo e o social-imperialismo soviético; bradando contra a «recuperação capitalista» para impingir a sua «recuperação económica», igualmente tão capitalista, para encher a gamela à burguesia burocrática dos ministérios, das comissões de gestão, das «cinturas», da Inter e aos novos mandões das UCPs, enquanto para o povo querem impor «austeridade» e «batalha da produção»; falando da «unidade» quando deram cabo da democracia nos Sindicatos e empurraram os social-democratas para a cisão sindical, a Intersindical procura juntar em Lisboa num mesmo abraço todos os amigos da «maioria de esquerda», desde os «socialistas» de Kalidás Barreto & Cardoso até aos «revolucionários» da têmpera do Alturas da Madeira.
O social-fascismo manipula os sentimentos de luta dos trabalhadores e do movimento sindical português. Agita algumas reivindicações dos trabalhadores para em seguida as pôr na gaveta ou deturpar escandalosamente. Querem fazer passar em primeiro plano como o programa das classes trabalhadoras a sua «alternativa democrática» para o pacto social, em que espezinhando os direitos dos trabalhadores, P«S» e cunhalistas se porão de acordo nos termos da exploração e da opressão do povo.
Os bons amigos são para as ocasiões. Assim, alguns sindicatos que se têm pretendido «revolucionários», aderiram às realizações da Inter, arrastados pelas suas direcções, onde pontificam os lacaios de Cunhal da UDP/PCP(r). Apesar das suas muitas juras «contra os revisionistas», em nada deles se distinguem, convocando sectores do povo trabalhador para debaixo das palavras de ordem «unitárias» da Inter, tiradas directamente do breviário de Cunhal! Não são as pragas contra as «cedências» dos «amarelos» da Inter que lhes vão deixar a cara lavada. Deitando poeira para os olhos dos trabalhadores, pretendem esconder a verdadeira catadura dos cunhalistas, de social-fascistas, e dar crédito às manobras de diversão mascaradas de «democracia» e «reformismo» que Cunhal ensaia de vez em quando.
Os sindicatos da «Carta Aberta», opondo-se às realizações da Inter, em nada se esforçam por contribuir para a unidade combativa do movimento sindical contra a dominação social-fascista, rejeitam a mobilização de massas e fecham-se em quatro paredes a congeminar a nova central sindical, fazendo o frete a Cunhal, deixando-lhe a Inter e milhares de trabalhadores sindicalizados ao seu dispor!
POR UM 1.° DE MAIO PROLETÁRIO
Os comunistas apelam à classe operária e ao povo trabalhador a não participarem nas realizações do social-fascismo que vão ser levadas a cabo em Lisboa e no Funchal. Consoante as circunstâncias, os comunistas apelarão em cada local à participação do povo em realizações de massas convocadas por sindicatos de classe ou outras associações, em torno de justas bandeiras de luta contra a exploração capitalista, pelas reivindicações de classe, contra a fome e o desemprego, pelo Pão e pelo trabalho, contra o social-fascismo e o fascismo, pela manutenção e alargamento das conquistas democráticas do 25 de Abril, contra o social-imperialismo, o imperialismo e a ameaça de guerra, pela defesa da Independência Nacional e da Paz.
O 1.° de Maio deve marcar para os trabalhadores portugueses o caminho da luta pelas suas reivindicações actuais, na via da revolução socialista, pela instauração de um regime novo, livre da exploração do homem pelo homem!
CONTRA A OPRESSÃO E A EXPLORAÇÃO CAPITA LISTAS!
CONTRA O SOCIAL-FASCISMO E O FASCISMO!
CONTRA O SOCIAL-IMPERIALISMO, O IMPERIALISMO E A AMEAÇA DE GUERRA IMPERIALISTA!

Lisboa, 1 de Maio de 1977
O Secretariado do Comité Central da União Comunista para a Reconstituição do Partido (Marxista-Leninista)

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