sábado, 29 de abril de 2017

1977-04-29 - HOSPITAIS CIVIS: APRENDER COM A EXPERIÊNCIA PASSADA E UNIR A LUTA PARA OBTER NOVAS VITÓRIAS! - FEML

HOSPITAIS CIVIS:
APRENDER COM A EXPERIÊNCIA PASSADA E UNIR A LUTA PARA OBTER NOVAS VITÓRIAS!

Os estudantes dos Hospitais Civis de Lisboa, vem travado há já longos meses, uma dura luta pelo início das aulas no ciclo clínico, tendo esta luta, assumido recentemente formas mais avançadas, com a greve da Faculdade de Medicina, de solidariedade com a luta dos civis e sem que até agora tenham obtido dos órgãos do poder um parecer favorável.
O facto de neste momento, cerca de 920 estudantes, estarem ameaçados de serem marginalizados pela política reaccionária do MEIC, enquadra-se no plano mais geral que a burguesia tem, para superar a crise profunda que abala a nossa sociedade, a seu favor.
No nosso País, o ensino da Medicina destina-se a formar um número restrito de quadros técnicos capazes de avaliar o papel do trabalhador na produção em função das necessidades da burguesia, de forma a que, se ele já não serve para encher os bolsos dos novos e velhos capitalistas, há que mata-lo o mais depressa possível.
Sem cuidar de analisar as causas profundas da doença, e as suas ligações, com as reais condições de vida ao Povo, para formar esse tipo de quadros, havia que, numa primeira fase, impedir o acesso à Universidade dos filhos do Povo e o famigerado "serviço cívico", invenção do Governo do "companheiro" Vasco, de inspiração dos social-fascistas da UE"C”/P"C”P, viria a ser posto de lado, para que medidas mais drásticas e eficazes fossem tomadas»
E assim que existindo zonas do nosso País com um médico para mais de 10.000 habitantes, acompanhados de altos índices de morta], idade, níveis sanitários baixíssimos, ausência de qualquer prevenção de doenças, os estudantes de Medicina viram este ano ser institucionalizado os "numerus clausus" sob a capa da “incompetência" e a demagogia de que "há médicos a mais".
A acompanhar esta medida, temos ritmos de trabalhos intensíssimos, predomínio de aulas teóricas, tentativas de reinstalação das precedências e uma apertada selecção nas avaliações, para de uma formademocrática", a aplicação dos numerus clausus terem um âmbito maior, do que apenas o de liminar o acesso à Universidade, como muito recentemente a luta travada pelos estudantes do lº ano de Bioestatistica do Porto, e o resultado das avaliações em diversas cadeiras já este ano, nos mostra.
Após os "numerus clausus",veio o decreto de gestão que atacando as reuniões de massas, visava retirar o papel, que os estudantes através da sua luta obtiveram, no controlo da gestão das escolas; a portaria sobre a avaliação de conhecimentos que visa promover a selecção mais feroz e desenfreada, destruindo os trabalhos de grupo e repondo o sistema de classificação "clássico" de o a 2º; cortes orçamentais de forma a pressionar a aplicação do seu plano para essas escolas; a criação das comissões inter universitárias que deveriam apresentar os "novos" planos de estudos para o ensino superior até 30 de Abril, reestruturando assim nas costas dos estudantes, contra os estudantes e com o aval das conselhos científico pedagógicos.
Em suma o futuro que a burguesia reserva para a grande massa dos estudantes de Medicina é um futuro negro, sem perspectivas e o desemprego em massa.
A luta dos estudantes dos hospitais civis, é uma luta justa que deve ser enquadrada nesta perspectiva e deve ser apoiada, pois não só põe em causa o futuro dos estudantes dos civis, como também os do Instituto de Ciências Biomédicas cuja continuidade do curso fica assim ameaçada. É toda a política do Governo que está em causa, se os estudantes souberem integrar esta luta na luta mais geral que o nosso Povo trava, pela instauração da democracia popular na nossa Pátria, rumo ao socialismo e ao comunismo.
QUEM SÃO OS RESPONSÁVEIS POR ESTA SITUAÇÃO?
As medidas do actual Governo Constitucional, cujo objectivo é o da redistribuição dos postos de direcção nas escolas pelos dois centros da contra revolução, atacando o movimento democrático dos estudantes, são inteiramente anti- democráticas e anti-patrióticas, apesar de demagogicamente apresentadas sob a capa de luta contra o "golpismo" e a "degradação do ensino".
No entanto, há que analisar a experiência passada e tirar os ensinamentos dessas lutas, pois o inimigo está no nosso próprio seio!
Não foram os social-fascistas da UE"C"/U"DP" que levaram à traição da luta contra o decreto anti-democrático de gestão, negociando com o MEIC, nas costas dos estudantes e contra os estudantes?
Não são eles que pretendem fazer crer aos estudantes dos Hospitais Civis que o problema será resolvido indo de bata para a Assembleia da República e impondo a discussão deste assunto nesta Assembleia dos parasitas mais "honrados" do nosso País?
Os social fascistas da UE"C"/P"C"P, acoitados na direcção da Associação dos civis, procuram pescar em aguas turvas e cavalgar a justa revolta dos estudantes dos H.C.L., clamando e berrando pela aplicação do decreto da integração!
Mas a que leva esse decreto senão ao desemprego em massa dos estudantes quando define a sua distribuição, no internato policlínico, pela D.G.H. e de acordo com as vagas existentes!
O que ê esse decreto senão um pacto entre os diversos sectores da burguesia ao atacar os catedráticos sem beliscar uma ponta dos seus privilégios hierárquicos?
Enquanto os estudantes desejam lutar, eles apresentam moções de apoio ao 25 de Abril, que apenas veio agravar a situação de fome, miséria e desemprego do nosso Povo, cuja discussão os estudantes dos civis, muito justamente, rejeitaram na última R.G.A.
As lutas passadas mostram-nos que luta dirigida pelos social fascistas da UE"C"/U"DP" é luta traída!
É necessário aprofundar a luta,divulgá-la às massas populares, obter o apoio, do Povo e dos estudantes de todo o País, convocando RGAs em todas as escolas, promovendo a aprovação de moções de apoio a esta luta, cuidar do contacto com os doentes dos Hospitais, médicos, enfermeiros e outros trabalhadores da saúde para que esta luta não seja levada a um beco sem saída!

VIVA A JUSTA LUTA DOS ESTUDANTES DOS CIVIS!
VIVA A REVOLTA POPULAR, CONTRA A FOME, A MISÉRIA E O DESEMPREGO CRESCENTES!
VIVA A FEM-L!
VIVA O PCTP!

Lisboa, 29/4/77
O Comité Regional de Lisboa da FEM-L

Sem comentários:

Enviar um comentário

Arquivo