sexta-feira, 28 de abril de 2017

1977-04-28 - Luta Popular Nº 541 - PCTP/MRPP

EDITORIAL
VIVA O PRIMEIRO DE MAIO!

No próximo domingo, dia 1.º de Maio, vão os proletários portugueses, juntamente com os seus irmãos de todos os países do mundo, celebrar na luta a sua festa comum, a festa dos explorados e oprimidos, o Dia Internacional dos Trabalhadores.
Cada classe tem as suas festas e cada festa tem o seu próprio conteúdo de classe.
Os latifundiários e grandes agrários realizam, em certos dias do ano, as festas da sua classe, pelas quais festas defendem e intentam perpetuar a exploração dos assalariados rurais e a opressão dos camponeses pobres.
Os monopolistas, os grandes capitalistas da banca, da indústria e do comércio, os magnatas da finança, organizam também as festas deles, pelas quais procuram justificar e manter a exploração dos operários, a opressão do povo e a doença, a fome e a miséria para as massas trabalhadoras.
Os imperialistas e os social-imperialistas, seja em cada um dos países respectivos, seja ao nível de todo o globo, comemoram em certas datas grandes festejos capitalistas, pelos quais procuram iludir a vigilância das nações e dos povos que em todo o mundo oprimem, intensificar a exploração dos proletários, dividir os trabalhadores e desarticular as suas lutas, ao mesmo tempo que buscam preparar a opinião pública mundial para perpetrar novas guerras de rapina, novas agressões contra a soberania dos povos, e novos ataques contra a independência nacional dos países médios e pequenos.
Ao serviço de todos os exploradores e opressores, a padralhada das mais diversas sotainas monta festas por toda a parte, não apenas para extorquir ao povo uma parte dos seus salários, mas fundamentalmente para conter e desmobilizar a revolta crescente dos trabalhadores, prometendo-lhes para um outro mundo inexistente o «paraíso da abundância», enquanto cá na terra os capitalistas parasitários engordam e se divertem à grande e à francesa.
Em oposição frontal a tudo isto, os proletários de todos os países instituíram a sua festa operária, pela qual procuram unir numa só manifestação de luta e de poder todo o exército do Trabalho contra as hordas do Capital.
Os latifundiários escolhem os dias dos seus santos; os burgueses, os dias dos seus corifeus; os imperialistas e os social-imperialistas, os dias dos seus sicários e, por vezes, como acontece com os social-imperialistas revi­sionistas soviéticos, os dias queridos dos operários, cujo conteúdo traíram e cujo alcance atraiçoaram na esperança de mais facilmente os iludirem.
O proletariado internacional, porém, escolheu para o dia da sua jornada de luta mundial a data dum grande acontecimento histórico proletário; a data duma magnífica vitória arrancada com o sangue dos seus mártires, como foi o 1.º de Maio de 1886, dia em que os operários de Chicago levantaram em magníficos combates de rua a bandeira da jornada de oito horas de trabalho e a impuseram aos seus exploradores e opressores.
Interpretando o sentir dos trabalhadores do mundo, o Congresso Operário realizado em Paris, em 1889, e onde estiveram presentes delegados socialistas dos mais diversos países definiu o dia 1.º de Maio como o Dia Mundial dos Trabalhadores, querendo significar com esse gesto que os proletários de todos os países são irmãos, que estão unidos na coincidência objectiva dos seus interesses de classe contra todos os exploradores e que os proletários são a nova força histórica, a força consciente capaz de transformar o céu e a terra e de pôr termo a toda a exploração do homem pelo homem.
Desde então, os proletários celebraram oitenta e sete das suas festas mundiais, festas que são outras tantas jornadas de luta, de unidade e de vitória. Instruídos pela ciência do marxismo, do leninismo e do maoísmo, bem como pelas notáveis experiências práticas da Comuna de Paris, da Grande Revolução de Outubro e da Grande Revolução Cultural Proletária, a classe dos operários transformou-se num gigante colossal que marcha, a passadas largas e seguras, para o futuro luminoso do comunismo.
É por isso que o proletariado português, ao concelebrar com os seus irmãos de classe dos cinco continentes o dia 1º de Maio, deve proferir com eles, para estreitamento da sua unidade de aço e reforço da sua consciência, estas grandes e belas palavras dos fundadores do comunismo;
Os comunistas consideram indigno ocultar as suas ideias e propósitos. Proclamam abertamente que os seus objectivos só podem ser alcançados derrubando pela violência toda a ordem social existente. Que as classes dominantes treinam ante uma Revolução Comunista. Os proletários não têm nada a perder senão as suas cadeias Em contrapartida, tem todo um mundo a ganhar. PROLETÁRIOS DE TODOS OS PAÍSES, UNI-VOS!
Nos oitenta e oito anos transcorridos desde o Congresso de Paris, toda a classe operária portuguesa assimilou uma notável experiência de luta contra a exploração e a opressão, ligou de forma cada vez mais intensa a sua acção com os ideias do comunismo e a ciência do marxismo, aprendeu a conhecer os seus inimigos, para os combater, e a conhecer os seus amigos, para com eles se unir, do mesmo modo que foi operando uma clara distinção entre os seus verdadeiros amigos e os seus falsos amigos.
Hoje, também o proletariado português é uma classe operária madura e vigorosa, cada vez mais consciente do seu papel histórico libertador, cada vez mais determinada a lutar duramente para pôr termo a toda a exploração e opressão. Cada vez mais ciente de que os seus objectivos justos «só podem ser alcançados, derrubando pela violência toda a ordem social existente», cada vez mais firme na sua convicção de que «não tem nada a perder senão as suas cadeias» e de que tem, em contrapartida, todo um mundo novo a ganhar.
Particularmente nos últimos três anos, os operários portugueses dotaram-se duma significativa e inestimável experiência, pois que puderam ver ao vivo o que é a traição dos revisionistas e oportunistas de todos os matizes, extraindo daí a importante lição de que o revisionismo é o seu principal inimigo e de que sem um partido autenticamente comunista, fundado nos ensinamentos de Marx, de Engels, de Lenine, de Estaline e de Mao Tsé-Tung, as suas lutas, por mais corajosas e decididas que sejam — como o foram e são! — ou não têm saída ou são facilmente em­palmadas pela burguesia e pelos seus lacaios.
Em 25 de Abril de 1974, os operários, conduzindo todo o povo trabalhador, impuseram nas ruas o derrubamento da camarilha fascista de Marcelo Caetano, impedindo que uma quartelada de generais e outros militares se limitasse a substituir certas figuras do regime, sem tocar no regime dessas figuras.
Os operários e o povo lutavam pelo pão, pela paz, pela terra, pela liberdade, pela democracia e pela independência nacional.
Os operários queriam impor, com a sua acção e a sua direcção de classe, uma transformação profunda da sociedade, uma revolução social, pela qual o poder fosse arrancado aos monopolistas, colonialistas e latifundiários e entregue aos proletários, aos camponeses e demais trabalhadores.
Os revisionistas e oportunistas de todos os matizes, estipendiados pela matilha dos exploradores e opressores do povo, tudo fizeram para sabotar os anseios revolucionários das massas, para combater as suas lutas, para torpedar as suas conquistas, em suma, para opor à revolução uma reforma, depois à reforma umas migalhas e, finalmente, às migalhas uma nova canga ainda mais pesada.
Há quatro dias, toda a burguesia, do CDS ao P«C»P, do PPD ao P«C»P(R), do partido governamental ao PRP e outra canalha, pretenderam chamar o povo a celebrar a festa dos oportunistas, a festa dos novos equívocos e dos novos enganos
Contrariamente às esperanças dos partidos da burguesia e da pequena burguesia, a classe operária e o povo trabalhador não compareceu à «festa», certamente porque não acredita nela, porque não é a sua festa, pois a festa dos explorados e oprimidos é o dia 1.º de Maio.
Acaso os operários têm o pão por que lutaram e lutam? Não, os proletários não têm ainda o seu pão. Em contrapartida, os operários sabem que os «senhores da festa» da passada segunda-feira lançaram meio milhão de trabalhadores no desemprego, congelaram os salários, subiram o custo da vida em 60% nos últimos três anos, tentaram retirar-lhes a semana das 40 horas onde a já haviam conquistado.
Manifestamente, os operários não podem celebrar nenhuma festa de Abril, porque Abril não avançou para o 1.º de Maio e só o 1.º de Maio pode trazer o pão aos operários.
Acaso os camponeses têm a terra por que lutaram e lutam? Não, os camponeses não têm ainda a terra: porque mais de um milhão de hectares de terras dos latifundiários não foram ocupadas; porque uma parte importante das que foram ocupadas já regressou pela força à posse dos grandes agrários; porque os assalariados rurais estão a ser obrigados a indemnizar os latifundiários; porque os camponeses pobres continuam esmagados pelo latifúndio e pelo Estado dos latifundiários.
Manifestamente, os camponeses não podem celebrar nenhuma festa de Abril, porque Abril não avançou para o 1.º de Maio, e só o 1.º de Maio pode trazer a terra a quem trabalha.
Acaso o povo tem a liberdade por que lutou e luta? Não, o povo não tem ainda a sua liberdade. Porque a liberdade que existe é a de continuar a explorar e a oprimir o povo; é a de caluniar na grande imprensa, na rádio e na televisão a luta do povo trabalhador e os seus dirigentes; é a de julgar em tribunais fantoches o povo, os operários de vanguarda e os comunistas e, ao mesmo tempo, libertar todos os assassinos do povo; é a de reconhecer em teoria as liberdades e negá-las e combatê-las na prática (porque não há tipografias para o povo, não há salas para o povo reunir, não há papel onde possa ver expressas as suas ideias); porque a greve é espartilhada, legalmente impossibilitada e, em breve, proibida.
Manifestamente, o povo não pode celebrar nenhuma festa de Abril, porque Abril não avançou para o 1.º de Maio, e só o 1.º de Maio pode trazer a liberdade por que o povo aspira
Acaso o povo tem a democracia por que lutou e luta? Não, o povo não tem ainda a sua democracia. Porque a democracia que existe é a democracia dos capitalistas; a que proíbe a organização autónoma das massas; a que esvazia de conteúdo as Comissões de Trabalhadores e ou­tros órgãos de vontade popular; a que permite reorganizar uma nova Pide sob a capa de Serviços de Informação; a que mantém a GNR, a PSP e todas as estruturas repressivas em que assentava o Estado fascista; a que permite a organização de classe dos agrários na CAP e dos demais capitalistas na Confederação de Comércio (CCP) e na da Indústria (CIP).
Manifestamente, o povo não pode celebrar nenhuma festa de Abril, porque Abril não avançou para o 1.º de Maio, e só o 1.º de Maio pode trazer a democracia por que o povo almeja.
Acaso o povo tem a independência nacional por que lutou e luta? Não, o povo não consolidou a independência nacional do país, e não expulsou ainda os imperialistas e social-imperialistas da nossa pátria. Porque a política externa que existe é a política dos monopolistas, de subserviência e humilhação perante o imperialismo e o social-imperialismo; porque é a política ruinosa e antipatriótica dos empréstimos, isto é, de novas dividas e de novos enfeudamentos: porque é a política de comprar caro e vender barato ao estrangeiro; porque é a política de não contar acima de tudo com as próprias forças; porque é a política da ocupação do país pelas bases militares e exércitos estrangeiros: porque é a política da submissão às chamadas «multinacionais» e às Amisteres.
Manifestamente, o povo não pode celebrar nenhuma festa de Abril, porque Abril não avançou para o 1.º de Maio, e só o 1.º de Maio pode defender e impor a independência do nosso pais e salvaguardar a nossa soberania nacional.
E nem se diga que, mesmo quanto à reivindicação política da paz, o povo conseguiu o seu objectivo. Porque a política dos governos provisórios e do actual governo dito constitucional e a política que, cedendo às pressões, ingerências e chantagens das duas superpotências, não prossegue a paz, mas prepara a guerra; porque foi a política que serviu de tapete à penetração do social-imperialismo revisionista soviético em África e à agressão indonésia em Timor-Leste. Já não falando de que, se não fora a firme luta do povo português contra o colonialismo, juntamente com a luta dos povos das ex-colónias contra o mesmo inimigo, a guerra colonial teria continuado, eventualmente ainda nos nossos dias.
Manifestamente, o povo não pode celebrar nenhuma festa de Abril, porque Abril não avançou para o 1.º de Maio e só o 1.º de Maio pode trazer a paz por que o povo anseia.
Claro esta que avançar de 25 de Abril para o 1.º de Maio é uma forma breve de dizer muitas coisas essenciais: que só o proletariado pode dirigir a revolução democrática popular, e não nenhuma força ou camada da burguesia; que a revolução tem por objectivo a tomada do poder político, a destruição do poder da burguesia e a instauração do poder dos operários e dos camponeses; que a aliança de classes susceptível de levar a revolução democrática popular à vitória, de instaurar a ditadura dos operários e dos camponeses e de liquidar a ditadura dos monopólios é a aliança entre o proletariado e o campesinato pobre e não a aliança do povo com o MFA; que a «transição pacífica» do capitalismo para o socialismo é a teoria da traição aos operários, da traição à revolução, teoria que além de impossível de realização prática ia sendo, no caso português, a verdade de transição pacífica do fascismo para o social-fascismo; que o mais pérfido e o mais mortal dos inimigos dos operários é o revisionismo dos falsos comunistas do P«C»P.
O dia 1.° de Maio deste ano é uma jornada de luta de grande importância para a nossa classe operária. Uma jornada em que os trabalhadores devem examinar profundamente a sua experiência de luta, extrair todos os ensinamentos que ela comporta e imbuir-se deles para prosseguir o seu combate.
Ocorrendo num momento alto da crise política e económica, o dia 1.º de Maio deve servir para unir todos os trabalhadores sob uma política justa, na base de princípios justos e revolucionários.
Para o proletariado português, a tarefa da hora e do momento é a de escorraçar o revisionismo e o oportunismo da direcção do seu movimento, de reforçar rapidamente as suas organizações de massa, de edificar essas organizações onde ainda não existam, de cerrar fileiras, de manter um elevado grau de preparação e vigilância e de responder taco a taco aos ataques dos seus inimigos.
O dia 1.º de Maio de 1977 é um dia de luta contra os despedimentos, contra o desemprego, contra a carestia da vida; uma jornada de luta pela semana das 40 horas, pelo salário igual para trabalho igual, pelo controlo operário como única medida verdadeiramente popular e revolucionária a opor a política da bancarrota económica prosseguida pelos governos do capital ou de conciliação com ele.
Uma jornada de luta contra as medidas anti-operárias e anti-populares do governo dito socialista, contra as ilusões que ainda subsistam relativamente à demagogia dos partidos burgueses e pequeno-burgueses, e de solidariedade com todos os trabalhadores do campo e da cidade, em particular com a luta dos assalariados rurais e dos trabalhadores das empresas intervencionadas.
Uma jornada de luta pelo pão, pela terra, pela liberdade, pela democracia, pela independência nacional, pela paz e pelo socialismo.
No dia 1.° de Maio, o proletariado deve cerrar fileiras à volta do seu partido, o Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses, porque só ele constitui a única esperança e a única certeza de que a luta dos proletários não será traída e de que as suas aspirações ao socialismo e ao comunismo, ao termo de toda a exploração do homem pelo homem, serão realizadas.
Viva o Marxismo-Leninismo-Maoismo!
Viva a Ditadura do Proletariado!
Viva o Comunismo!
Viva o PCTP!
Viva o 1.º de Maio!
Proletários de Todos os Países, Uni-vos!

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