quinta-feira, 27 de abril de 2017

1977-04-27 - A SITUAÇÃO ACTUAL NO ISE E A LUTA CONTRA A REFORMA BURGUESA DO ENSINO. - Movimento Estudantil


A SITUAÇÃO ACTUAL NO ISE E A LUTA CONTRA A REFORMA BURGUESA DO ENSINO.

. E A HOMOLOGAÇÃO DOS ÓRGÃOS DE GESTÃO - UNIR A LUTA NUM CAUDAL ÚNICO.
. OS REVISIONISTAS SÃO OS MAIS FIEIS APLICADORES DA POLÍTICA DO MEIC.
. A SAÍDA PARA A LUTA

POR UMA ESCOLA DEMOCRÁTICA E POPULAR

1 - O SIGNIFICADO E AS CONSEQUÊNCIAS DA ULTIMA AGE
O facto de não se ter realizado a AGE, convocada para a passada semana, deve constituir um sinal de alarme para a gravidade da situação que se está a gerar no ISE, e permite, sem dúvida, extrair excelentes lições quanto a saber quem está do lado dos estudantes, na defesa da democracia, e das suas conquistas, e quem urde as mais sujas manobras e golpes nas suas costas, procurando, através das combinações de gabinete, preservar os seus "tachos".
Antes de mais quais as causas e a quem imputar as responsabilidades de não se ter efectuado a AGE?
As causas residem no facto de que os "democratas" da nossa praça, fazendo prodígios artísticos com as suas piruetas políticas passaram a atacar as AGE's e a boicotar a aplicação das decisões do órgão máximo da escola e estão a procurar com que os estudantes descreiam do poder das AGE's e comecem a não se mobilizarem para as reuniões.
Residem ainda no boicote consciente, e por isso intencional, efectuado pelos social-fascistas da UE"C"/GDUP"s, que nas C. Curso que ocupam não mexerem uma palha para lançar a discussão entre as turmas, e pelos social-fascistas da direcção da AE, que não incluíram o ponto sobre avaliação na OT e não desenvolveram qualquer trabalho de mobilização dos estudantes para a AGE.
Chegamos pois à conclusão que são os oportunistas da UE"C"/GDUP'S os responsáveis pela situação de deterioração a que estamos a chegar por duas razões:
1º. O boicote e o ataque dos professores social-fascistas e demais reaccionários, às decisões da AGE, que constitui um grave precedente que terá que ser firmemente repudiado, por todos os que querem, de facto, defender a democracia e a gestão democrática.
2º. A provocação intencional da paralização das C. Curso, boicotando o seu funcionamento, bem como o estancamento e impedimento duma ampla discussão da situação pedagógica que se vive no ISE.

2 - A COINCIDÊNCIA DO ATAQUE DOS SOCIAL FASCISTAS COM O ATAQUE DO MEIC
"... as decisões tomadas (em AGE) não reuniam, não reflectiam o consenso da escola..."
Não colegas! Não é um discurso do Cardia, mas sim um revelado naco de prosa dum dos últimos comunicados da chamada lista A - UE"C"!
As mesmas declarações sobre a "emotividade", a "manifestação nazi", etc, etc., poderíamos indicar por parte, quer da dir. AE, quer dos professores social-fascistas, que revelam como esses oportunistas se despiram de todo e qualquer preconceito, e encarreiraram no ataque às AGE’s exactamente com os mesmos argumentos que o Cardia!
Passa-se com a UE"C"/GDUP'S o mesmo que com a J"S" - quando lhes convinha defendiam "todo o poder às AGE's”, para obter o poleiro; a partir da altura em que a democracia pôs em causa a continuação das suas golpaças, acusam as AGE’s de estarem "manipuladas" e serem "emotivas"...
Os lacaios da "UE"C pretendem que "as decisões da AGE não reuniam o consenso da escola e revelaram a sua falência prática".
Donde, concluiremos, que no ISE, a maioria da escola quer os testes, etc. Mas que essa ralé se queira passar por parva, não nos afectará por aí adiante; o mesmo não se passará se esses indivíduos procuram fazer passar os estudantes por parvos!
De facto, o que foi aprovado em AGE, não reúne o consenso da UE"C" e Cia., tal como a "falência prática", caso exista em alguns casos, é provocada pela UE"C" e Cia que boicotam a sua aplicação e não pelo conteúdo de tal proposta.
Eis a razão porque não nos deve deixar de merecer a devida atenção, o facto de ser exactamente na altura em que o MEIC lançou um ataque às eleições democráticas realizadas no ISE, que o P"C"P e Cia... entraram na mais miserável provocação às decisões tomadas pelos estudantes e no boicote sistemático às decisões da AGE.
É bom que isto se marque, para que estas avestruzes de palmo e meio, desenterrem a cabaça da areia e tenham a coragem de publicamente apoiar o MEIC e dizer que estão do seu lado pois que os social-fascistas:
a) boicotam as decisões da AGE’s
b) defendem e aplicam, no ISE a escala de 0 a 20
c) defendem os testes e o ataque à avaliação contínua
d) utilizam todo o tipo de manobras nas costas dos estudantes e apostam decididamente na deterioração da situação pedagógica no ISE, para impor a sua Reforma Burguesa do ensino.
Por isso, pretender colocar em oposição o processo de luta contra a selecção burguesa e o processo de luta pela homologação dos órgãos de gestão, não passa de pura demagogia.
Os ataques feitos à avaliação contínua e ao trabalho em grupo, e os ataques feitos à gestão democrática são parte integrante do ataque mais geral que a burguesia, de fascistas a social-fascistas. lança contra as conquistas dos estudantes, como condição de imposição é sendo já a imposição da Reforma Burguesa do ensino.

3 - A REFORMA BURGUESA, DO ENSINO E A SUA APLICAÇÃO NO ISE
Para sairmos, do impasse a que em certa medida chegámos, importa perspectivar a nossa luta e traçar os seus objectivos.
Essa luta deverá ter como alvo principal a Reforma Burguesa do ensino, e os seus mais fiéis aplicadores que, pelo que atrás ficou dito, e pelo que mais adiante apontaremos, são, sem dúvida, os social-fascistas.
Como se manifesta a aplicação da Reforma Burguesa do ISE?
A táctica até agora utilizada pelo inimigo tem sido a de ir lançando a rede para depois colher os frutos. Assim é subtilmente e, aparentemente de forma desconexa, que a reforma burguesa começa a ser aplicada com a aplicação do decreto de gestão cujo objectivo é retirar qualquer controlo estudantil aos órgãos de gestão para que estes decidam tudo nas suas costas.
Seguidamente, e após ter nomeado as Comissões Cientificas Inter-Universitárias, o MEIC passa ao ataque, através dos social-fascistas, na questão da avaliação de conhecimentos com a saída da portaria com o O a 20, etc.
As medidas até agora aplicadas, são o primeiro passo, não o único, para pôr o ISE a funcionar inteiramente ao serviço do grande capital fascistas e social-fascistas.
Tais medidas têm em vista levar a que o ISE sé transforme numa escola formadora de uma minoria de quadros de elite, altamente especializados, imbuídos de ideologia burguesa e revisionista, e que se tornem nos aplicadores e defensores da política do actual governo e futuros governos burgueses, que têm em vista repor altas taxas de acumulação capitalistas que permitam salvar a burguesia da crise, à custa do povo.
Sendo assim seria gravemente ilusório pensar que a aceitação dessas medidas, seja no campo da gestão, seja em matéria avaliação - conduziria ao elevar da qualidade de ensino do ISE e ao garantir, uma saída profissional para todos. Pelo contrário; a aplicação de métodos altamente selectivos levaria a que a grande maioria dos estudantes fossem afastados da possibilidade de estudar; do mesmo modo a "qualidade" do ensino a que a aplicação dessas medidas reaccionárias conduziria, não é mais que um aperfeiçoamento e refinamento dos meios e das formas, que permitam a criação de tal elite atrás mencionada.
Podemos concluir que, a aplicação da Reforma Burguesa no ISE. prejudicaria os interesses da grande maioria dos estudantes, e é, além disso, um ataque às conquistas que com dura luta alcançamos ja mesmo antes do 25 de Abril.

4 - OS REVISIONISTAS SÃO OS PRINCIPAIS APLICADORES DA REFORMA BURGUESA PARA O ENSINO!
São de facto a UE"C"/GDUP's os mais intransigentes defensores e aplicadores das medidas que o MEIC emana, e que consubstanciam certos pontos da Reforma Burguesa.
Bastará perguntar quem, no ISE,
a) Defende a aplicação dos testes, a intensificação da selecção, e a portaria do MEIC?
b) Leva à prática o registo de faltas e instiga a competitividade?
c) Boicota as decisões da AGE e põe em causa o seu poder máximo?
d) Lançou um referendo e dirige a aplicação do decreto de gestão do MEIC?
A Resposta será sempre a mesma e os estudantes já há muito que sabem qual é ela!

5 - A ACTUAL SITUAÇÃO NO ISE E A SAÍDA PARA A LUTA
Após a AGE que não se realizou, caiu-se num certo estado de impasse e desmobilização que, resulta, quanto a nós de a luta contra a selecção não estar a ser prospectivada politicamente, no sentido de a integrar na luta mais geral contra todas as medidas de introdução da Reforma Burguesa na escola.
Convém desde já salientar que os estudantes se têm mantido firmes no repúdio aos testes porque eles sabem que tal método de avaliação conduziria, além de mais a:
a)Perca de todo o controle das massas sobre o processo de avaliação, e ficaria inteiramente ao arbítrio dos professores.
b) Chumbos determinados na base da percentagem que a  burguesia necessita de quadros formados.
c) Surto altíssimo de individualismo e competitividade burguesas.
Mas não podemos esquecer que a solução não é feita só pelos testes mas que se manifesta noutros processos como:
a) Intensificação ao extremo do ritmo das matérias, inclusive, como forma de chantagem para os estudantes  aceitarem os testes.
b) Individualização dos grupos de trabalho.
e) Chamadas orais ao quadro.
d) Atribuição das notas na escala de 0 a 20.
Como podemos ver a nossa luta terá que alargar-se a luta contra todas as formas de selecção repressiva, que os social-fascistas começam a introduzir subtilmente, não se podendo confinar à questão dos testes.
Assim como só encontraremos uma saída para a luta contra a selecção se a ligarmos à luta contra a escola burguesa e a sua Reforma, o que passa por:
a) Defesa da gestão democrática.
b) Reestruturação democrática do ensino de economia, combatendo a incompetência, os golpismos e o ensino ao serviço da burguesia.
c) Definição de quais os objectivos do ISE, enquanto escola que deverá ter (mas não tem) um plano de estudos científico e que forme economistas dispostos a servir o povo.
De imediato torna-se necessário unir, no mesmo caudal, a luta pela homologação dos órgãos de gestão e a luta, contra a selecção burguesa.

6 - PROPOSTA DE LUTA
Para discussão nas turmas, nos cursos e em AGE, apresentamos a seguinte proposta:
A - LUTA PELA DEFESA DA GESTÃO DEMOCRÁTICA
A.l - Exigir a imediata homologação dos órgãos democraticamente eleitos.
A.2 - Entrada imediata em funcionamento de todos os órgãos de gestão eleitos.
A.3 - Estabelecer contactos com o MEIC exigindo-lhe os pontos acima, e mobilizar os estudantes para estarem presentes nestes contactos.
A.4 - Que o C. Científico, bem como a CDP, informem regularmente a escola da sua actividade.
B - LUTA CONTRA A SELECÇÃO BURGUESA
B.l - Reafirmar as decisões das AGE's anteriores, quanto à avaliação, nomeadamente.
B.1,1 - Repúdio da existência de formas complementares de avaliação, ou seja, os testes.
B.l.2 - Direito a veto, sempre, do Comité de Turma em relação à nota, dada pelo professor.
B.l.3 - Discussão dos trabalhos só nas turmas
B.l.3.1 - Aqui, em virtude da actual situação quanto à avaliação em algumas cadeiras, poder-se-á, por decisão do Comité de Turma, e, a título excepcional realizar a discussão fora das aulas.
B. 2 - Lutar contra a intensificação do ritmo das matérias, devendo esta questão ser discutida nas turmas, reuniões de curso e AGE.
B.3 - Nas UL's ditas instrumentais, a forma de avaliação será a execução de vários trabalhos de grupo, tendo por base os vários capítulos da matéria.
B.4 - Os professores de Econometria e os que até agora se têm recusado a avaliar os trabalhos e os grupos, devem imediatamente retomar a sua normal actividade, acatando as decisões democraticamente tomadas.
B.5 - Caso se recusem a fazê-lo a Comissão de Curso do respectivo ano, deverá assegurar a sua substituição por um novo professor para o que deverá contactar, entre outros o Conselho Científico e a Comissão Directiva Provisória sendo todo o processo sujeito à rectificação da AGE.
Pensamos que estes pontos permitirão unir todos os estudantes e professores democratas, conseguindo dar passos em frente na prossecução dos nossos objectivos.
Não queremos deixar de reafirmar que, quanto à luta pela homologação dos órgãos de gestão, a posição por nós assumida não significa o apoio aos social-fascistas colocados nesses órgãos. Nos pensamos que a razão do ataque do MEIC não resulta do facto de lá estarem esses oportunistas, que até aplicam a sua política, mas resulta dos estudantes e demais população do ISE se terem mantido firmes na defesa dos princípios democráticos de gestão, que os social-fascistas, tal como o MEIC, tem vindo a pôr insistentemente em causa.
Para nós; os que estão no CD não deixarão de prosseguir na política reaccionária do antigo CD, pelo que serão a seu devido tempo desmascarados.

APELO FINAL
Não poderíamos terminar este comunicado, sem apelar a que todos os estudantes se mobilizassem para a resolução da actual situação no ISE, fazendo dos pontos da nossa proposta uma arma acerada na defesa das nossas conquistas no repúdio pelas manobras provocatórias e chantagistas dos professores social-fascistas.
A nossa presença em massa na AGE no dia 3/5 é condição indispensável para que todas as manobras sejam desbaratadas e os estudantes reafirmem de novo as vitórias obtidas. Nas AGE"s anteriores.
TODOS ÀS REUNIÕES DE CURSO!
TODOS À AGE!
Dia 3/5 - 18,30 - SALA RIBEIRO SANTOS
OT:
1. Informações
2. A questão da avaliação de conhecimentos
3. A luta pela homologação dos órgãos de gestão

POR UMA ESCOLA DEMOCRÁTICA E POPULAR
27/4/77

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