quinta-feira, 20 de abril de 2017

1977-04-20 - CONFERÊNCIA DE LISBOA SOBRE A AMEAÇA RUSSA

PELA PAZ E SEGURANÇA NA EUROPA!

CONFERÊNCIA DE LISBOA SOBRE A AMEAÇA RUSSA
COMITÉ NACIONAL

MANIFESTO
A Conferência de Helsínquia vai prosseguir em Belgrado no Verão de 1977.
Portugal viveu, no ano e meio que de correu desde Helsínquia, os «princípios» aí defendidos pela URSS.
Portugal foi um alerta para a Europa e para o mundo. A nossa experiência tornou-nos claro o perigo que pesa sobre a Europa e levou-nos a escolher Lisboa para organizar uma conferência que contribuísse para a real segurança da Europa.
A Conferência de Lisboa pretende promover a unidade de todas as forças patrióticas e democráticas dos vários países europeus. Deste modo, a Conferência está aberta à participação de todos os patriotas e democratas europeus que se empenham na defesa da independência nacional e da democracia dos seus países e se recusam a colaborar e capitular face à ameaça do social-imperialismo russo, independentemente das opções políticas de cada um. Não se trata, pois, de uma conferência anticomunista, mas de uma conferência anti-social-imperialista em favor da paz e da segurança da Europa e do mundo.
A Conferência de Helsínquia e o seu seguimento de Belgrado são uma das traves-mestras da estratégia soviética. O seu objectivo é adormecer a vigilância dos países da Europa Ocidental, promover o seu desarmamento e criar a divisão.
Nós opomo-nos aos desígnios da URSS.
Nós somos por uma Europa Ocidental consciente, unida e forte, nós somos pela unidade e estreitamento das relações com os países e povos que já hoje lutam contra o hegemonismo da URSS. Nós opomo-nos aos que perante a ameaça da URSS são tomados pela impotência e pela inércia, acabando por cair na colaboração e na capitulação. Nós não queremos que a Conferência de Helsínquia tenha os mesmos resultados que a Conferência de Munique de 1938.
Embora a Conferência de Helsínquia tenha proclamado procurar promover «melhores relações mútuas e assegurar condições que permitam aos seus povos viver em paz verdadeira e duradoura, livres de toda a ameaça ou atentado contra a sua segurança», nós denunciamos a real ameaça para a segurança europeia que é o expansionismo da URSS, a sua estratégia para o domínio da Europa e do mundo.
Desde o termo da Conferência de Helsínquia, o mundo teve ocasião de constatar o que a URSS entende por «cooperação» e «segurança». As tropas do Pacto de Varsóvia apertaram o cerco à Europa. Assistiu-se à escalada dos preparativos de guerra russos. Os seus efectivos foram vertiginosamente desenvolvidos. No campo nuclear já alcançaram — e nalguns aspectos ultrapassaram — os EUA. Ao nível das forças convencionais os russos possuem três vezes mais efectivos em homens e quatro vezes mais tanques. No Mediterrâneo, a armada russa aumentou em tal medida que já suplanta os efectivos da VI Esquadra americana. No Mar do Norte, sucederam-se os ensaios de mísseis balísticos e as manobras navais ofensivas. No Médio Oriente, importante flanco do velho continente, intensificaram a sua penetração no Líbano e procuram a todo o custo controlar as vias de abastecimento da Europa em combustível. Angola foi invadida por milhares de tropas mercenárias russo-cubanas e transformada numa neocolónia russa. Em Portugal, inundaram o país com agentes do KGB e lançaram uma ofensiva no Verão de 1975 - no mesmo momento em que assinavam o Acto Final de Helsínquia -, que culminou com a tentativa abortada de golpe de Estado de 25 de Novembro de 1975. O Zaire foi invadido por tropas a soldo do social-imperialismo russo. Por toda a Europa, as suas quintas-colunas, incluindo os eurodiversores, redobraram as suas actividades antinacionais e antidemocráticas.
Embora a Conferência de Helsínquia tenha proclamado que a intensificação da «cooperação em matéria de comércio, indústria, ciência e tecnologia, meio ambiente e noutros sectores de actividade económica contribuem para o reforço da paz e da segurança da Europa e em todo o mundo», nós denunciamos que se trata não de cooperação mas de fornecimento de capitais e tecnologia pela Europa ao aparelho belicista soviético, alimentando objectivamente o seu esforço de guerra.
Embora a Conferência de Helsínquia tenha proclamado procurar «a paz e compreensão entre os povos», nós denunciamos as arbitrariedades e prepotências de que são vítimas o povo soviético, as nacionalidades soviéticas e os povos sob a sua dominação neocolonial. Nós estamos com os patriotas e democratas da Checoslováquia, da Polónia, da Hungria, da Bulgária, da - República «Democrática» Alemã e com as organizações de defesa dos direitos do homem dos países sob a dominação soviética.
Embora a Conferência de Helsínquia tenha proclamado procurar «a mais ampla difusão da informação de todo o género» e a «necessidade de um conhecimento e compreensão cada vez maiores dos diversos aspectos da vida dos outros Estados participantes» nós defendemos que a verdade deve ser conhecida e combatemos a desinformação levada a cabo pela URSS.
Os objectivos da Conferência de Lisboa correspondem aos sentimentos dos países e povos europeus, ao seu desejo de independência e democracia.
Para correspondermos a esses sentimentos temos de lutar por uma Europa unida - política, económica e militarmente - capaz de fazer frente a qualquer ameaça à sua soberania e capaz de apoiar a luta pela independência e a democracia nos países dominados pelo social-fascismo vigente no leste europeu.

Lisboa, 20 de Abril de 1977
O Comité Nacional da Conferência de Lisboa sobre a Ameaça Russa

Álvaro Vasconcelos, membro do Secretariado do Comité Central do Partido Comunista de Portugal (marxista-leninista), membro do Secretariado da Associação Democrática da Amizade Portugal-China; Francisco Ferreira, escritor e jornalista, autor de livros sobre a URSS, membro do Gabinete de Imprensa do Partido Socialista; Heduíno Gomes (Vilar), Secretário-Geral do Partido Comunista de Portugal (marxista-leninista); Dr. Meneres Pimentel, advogado, membro do Conselho de Jurisdição do Partido Social-Democrata, membro da Comissão Permanente do Grupo Parlamentar do Partido Social-Democrata; Dr. Narana Coissoró, advogado, Professor Catedrático do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, deputado na Assembleia da República pelo Centro Democrático Social, membro do Conselho Executivo da Comissão Portuguesa do Atlântico; Natália Correia, poeta e escritor; Eng. Nuno Abecassis, engenheiro, Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do Centro Democrático Social; Dr. Pedro Roseta, consultor jurídico, membro da Comissão Permanente do Grupo Parlamentar do Partido Social-Democrata; Cap. Tomás Rosa, oficial da Força Aérea na reserva. Ministro do Trabalho no VI Governo Provisório.

ABAIXO-ASSINADO
Nós, abaixo-assinados, apoiamos e subscrevemos o Manifesto da Conferência de Lisboa sobre a Ameaça Russa, pela Paz e Segurança na Europa.

Depois de assinado enviar para o Comité Nacional da Conferência de Lisboa sobre a Ameaça Russa, Apartado 21029, Lisboa 2

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