domingo, 16 de abril de 2017

1977-04-16 - I CONFERÊNCIA NACIONAL SOBRE O TRABALHO SINDICAL - PCTP/MRPP

Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP)

  I CONFERÊNCIA NACIONAL SOBRE O TRABALHO SINDICAL
16/17 ABRIL - LISBOA

SESSÃO DE ENCERRAMENTO
VOZ DO OPERÁRIO - DIA 17, 21H.
COM A PRESENÇA DO CAMARADA ARNALDO MATOS

A CLASSE OPERÁRIA
AO POVO PORTUGUÊS
Camaradas
Nos próximos dias 16 e 17 de Abril, realizar-se-á na Voz do Operário em Lisboa a I CONFERÊNCIA NACIONAL SOBRE O TRABALHO SINDICAL.
A classe operária e todos os trabalhadores portugueses que durante os regimes fascistas das camarilhas de Salazar e Caetano viram os seus Sindicatos usurpados por estas camarilhas e controlados pelos seus lacaios, não podendo utilizar estes organismos na defesa das suas reivindicações económicas, não vergaram, como é próprio dos explorados, e recorreram a formas de organização sindical clandestinas que cumpriram no essencial os seus objectivos.
Logo a seguir ao golpe militar de Abril de 1974, a classe operária e os trabalhadores portugueses mais uma vez viram os seus organismos sindicais subtraídos ao seu controlo. Continuaram a ser órgãos da contra-revolução em vez de órgãos da Revolução, a servirem os interesses do patronato explorador em vez de servirem os interesses dos trabalhadores explorados. Desta feita, as cliques haviam sido substituídas: a clique fascista de Salazar e Caetano deu lugar à clique social-fascista de Cunhal e de todos os bufos conhecidos do povo português desde Cabrita a Canais Rocha.
Os Sindicatos, tomados de assalto e a golpe pela clique social-fascista, passaram não só a ser instrumentos de traição à classe, de conciliação com o capital explorador, como também veículo importante da demagogia, das ilusões, enfim, do revisionismo - inimigo principal do movimento sindical. Bastantes vezes a classe foi mobilizada pelos sindicatos controlados pelos social-fascistas para os se s fins golpistas sob a demagogia de “luta” por CCTs ou tabelas salariais mais favoráveis. Quem não se lembra dos Metalúrgicos, da Construção Civil e, mais recentemente, das Madeiras ou do Material Eléctrico e Electrónico?
Mais uma vez, e perante situação idêntica à que viveu no fascismo, a classe não vergou e a sua camada mais avançada, encabeçando a luta contra o oportunismo, a demagogia e a traição revisionistas, ousou conseguir importantes vitórias sobre o domínio social-fascista nos Sindicatos.
Para dar um exemplo, entre vários, recordemos o Sindicato dos Telefonistas de Lisboa onde os operários nele sindicalizados, numa dura e intrincada luta contra o revisionismo e a direcção social-fascista, ousaram escorraçar esta clique traidora e no seu lugar colocar os mais destacados defensores da classe, a lista da linha político-sindical LUTA-UNIDADE-VITÓRIA.
Os trabalhadores deste Sindicato, tendo à sua cabeça a primeira direcção sindical revolucionária do nosso país, conseguiram durante os dois anos do seu mandato importantes vitórias, a mais importante das quais foi a apresentação da política sindical da linha LUTA-UNIDADE-VITÓRIA, o total desmascara­mento da política de trairão na intersindical social-fascista, e a apresentação de um programa político que reuniu à sua volto o apoio dos representantes de 39000 trabalhadores portugueses, no II Congresso da cisão e da traição falsamente chamado "Congresso de todos os sindicatos” promovido pela Intersindical social-fascista em Janeiro de 1977.
A vitória alcançada sindicato dos Telefonista de Lisboa foi o impulso e o incentivo a que a nossa política de alianças na base dos princípios da Frente Única correctamente aplicados viesse a resultar no Verão de 1975 numa poderosa vaga de limpeza e escorraçamento dos social-fascistas das direcções de um grande número de Sindicatos, como por exemplo: Sindicato dos Trabalhadores de Escritório, Sindicato da Indústrias e Comércio Farmacêutico, Sindicato dos Bancários, Sindicato dos Técnicos de Desenho, Sindicato dos Trabalhadores da Marinha Mercante, Aeronavegação e Pesca, entre outros.

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