sexta-feira, 14 de abril de 2017

1977-04-14 - Luta Popular Nº 539 - PCTP/MRPP

EDITORIAL
UMA CONFERÊNCIA OPERÁRIA COMUNISTA

É já nos próximos sábado e domingo que se realiza em Lisboa, no Salão Nobre de «A Voz do Operário», a I Conferência Nacional do Partido Sobre o Trabalho Sindical.
Inicialmente prevista para a primeira semana de Março (conforme consta da resolução sobre o assunto aprovada no I Plenum do Comité Central) a I Conferência Sindical do Partido só pôde encetar os seus trabalhos cerca de quarenta dias mais tarde, por virtude dos preparativos que foi necessário realizar, designadamente no que concerne à correcta aplicação das normas de representação à Conferência e ao sistema de eleição dos seus delegados.
Claro está que esta morosidade — que não era de todo imprevisível — releva sobretudo do diferente peso específico que assume o trabalho sindical na actividade das diversas organizações regionais e distritais do Partido, o que por sua vez é o reflexo da desigual aplicação da política sindical do Partido e mesmo de certas insuficiências que urge superar.
Em todo o caso, os trabalhos preparatórios da Conferência constituem já, e por si sós, uma importante vitória da linha geral revolucionária proletária do Partido sobre algumas insuficiências, erros e desvios cometidos no nosso trabalho político nos sindicatos.
Constituindo o acontecimento político mais importante da vida do Partido depois do seu Congresso da Fundação, a Conferência Sobre o Trabalho Sindical não se confina, de modo algum, nos limites da actividade política interna do Partido, mas assume, mormente nas circunstâncias políticas actuais, um significado eminentemente relevante para toda a classe operária e para o futuro da sua luta.
Nenhum operário verdadeiramente consciente pode ignorar que os sindicatos e o movimento sindical são — hoje mais do que nunca e neste momento roais do que em qualquer momento anterior — o palco duma acerba luta de classes, visando o controlo e a direcção dessas organizações de massa dos trabalhadores.
Todos os partidos burgueses e pequeno-burgueses estão de acordo em que se devem unir para subtrair ao proletariado essa arma de organização e de luta que são os sindicatos. Ao mesmo tempo, todos os partidos burgueses e pequeno-burgueses, dos fascistas aos falsos comunistas passando pelos pseudo-socialistas, se disputam por todos os meios, a fim de saber qual deles logrará exercer a hegemonia sobre o movimento sindical ou, quando menos, qual deles açambarcará o maior quinhão de sindicatos.
«Maioria presidencial», «maioria de esquerda», «pacto social», «solução democrática para a crise» — tudo são políticas reaccionárias adiantadas, do CDS ao P«C»P e do PPD ao PS, com o objectivo expresso e confesso de submeter e vergar o proletariado e demais trabalhadores aos interesses rapaces do capital monopolista, do imperialismo e social-imperialismo.
Assiste-se neste momento a uma autêntica conspiração anti-operária, prosseguida também no seio dos sindicatos e do movimento sindical, conspiração que deve ser vivamente desmascarada e firmemente combatida.
Obviamente, uma solução operária para a crise, tal como a preconiza o nosso Partido, executa-se com o apoio de sindicatos que sejam autênticos órgãos da revolução, que estejam nas mãos da classe ope­rária e apliquem a política do proletariado revolucionário.
Não menos obviamente, a solução reaccionária burguesa para a crise — as confessadas medidas anti-populares — por seu turno, pressupõe sindicatos dóceis e domesticados, órgãos de colaboração de classes, de conciliação com o capital e de traição aos operários.
Eis por que o campo dos sindicatos e do movimento sindical é um dos principais campos de luta imediata entre as duas classes (o proletariado e a burguesia), os dois caminhos (o socialismo e o capitalismo) e as duas vias (o marxismo-leninismo e o revisionismo).
Tal como a I Conferência Nacional do MRPP, realizada nos primeiros dias de Maio de 1974, o definira, a estratégia do nosso Partido continua a ser a de transformar os sindicatos, de órgãos da contra-revolução, em órgãos da revolução, unindo todas as forças susceptíveis de ser unidas, para expulsar das direcções sindicais o maior e mais pérfido inimigo dos operários, e que é o revisionismo.
Apesar de jovem, o nosso Partido tem já uma longa e muito rica experiência de luta nos sindicatos. É precisamente o balanço dessa experiência, nos seus aspectos positivos e negativos, que a I Conferência Sobre o Trabalho Sindical deve saber efectuar, à luz do Congresso, das resoluções do I Plenum e da situação política actual.
Com efeito, só o balanço minucioso e profundo de todo o trabalho sindicai do Partido permitirá traçar, com a máxima precisão e clareza, as tarefas dos comunistas nos sindicatos e o programa político dos sindicatos operários ou, melhor dito, do movimento operário sindical.
É absolutamente necessário, porque é do interesse de todo o Partido e de toda a classe operária, que a I Conferência empreenda um amplo debate de ideias, na base da experiência e das exigências concretas actuais do movimento sindical, sobre as questões do programa e da táctica, isto é, da linha política específica para o movimento sindical, por forma a desferir um golpe demolidor nas concepções erradas e nos desvios que foram cometidos no nosso trabalho político nos sindicatos, reforçando a ligação do Partido às massas trabalhadoras e fortalecendo. com base em princípios justos, a unidade dos operários e a amplitude e profundidade do seu movimento sindical revolucionário.
É neste espírito que saudamos a I Conferência Nacional do Partido Sobre o Trabalho Sindical: porque ela é uma importante jornada de luta, de unidade e de vitória para o nosso Partido e para o movimento operário.
Porque ela é uma verdadeira conferência operária comunista.
Unamo-nos, para alcançarmos novas e maiores vitórias!

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