segunda-feira, 10 de abril de 2017

1977-04-00 - A REVOLUCIONARIZAÇÃO DOS MILITANTES DA UJCR DO E.S. TEM DE PROSSEGUIR E GANHAR NOVO ALENTO - UJCR

TEXTO Nº 3

Iª CONFERÊNCIA DA ZONA ESTUDANTIL SERVIR O POVO
ABRIL DE 1977

A REVOLUCIONARIZAÇÃO DOS MILITANTES DA UJCR DO E.S. TEM DE PROSSEGUIR E GANHAR NOVO ALENTO

Camaradas:
O aparecimento da UJCR marca um período novo luta da juventude. Com ela passámos a ter a nossa vanguarda Comunista, combativa e organizada, deixando para sempre de ser carne para canhão nas mãos de fascistas ou revisionistas, ou a tropa de choque com que os grupos pequeno-burgueses pretendiam esconder a sua escassa influência no seio da classe operária.
Se assim é também não deixa de ser verdade que maiores e mais pesadas são as responsabilidades que hoje se nos colocam. Fazer meia dúzia de pichagens colar outros tantos cartazes e gritar que os revisionistas são isto e são aquilo já não chega hoje, cada militante e cada organismo da UJCR, tem de ser dirigentes políticos da luta de massas, reconhecidos e queridos por estas como tal.
É preciso que fique claro que a revolucionarização não é uma palavra pomposa, ou um chavão como tantos outros utilizados pe­los caciques pequeno-burgueses, destinada a corrigir um ou outro erro, a melhorar este ou aquele método de trabalho, mas sim um objectivo bem preciso em que, como afirma a resolução da 2ª Reunião Plenária (ampliada) do nosso Conselho Nacional, "o princípio fundamental a ter em conta é o de que os organismos e os militantes se revolucionarizem no esforço colectivo de condução política da luta de massas".
No Ensino Secundário, revolucionarização assume particular importância por duas razões essenciais. A primeira, porque é nesta altura da vida que muitos jovens estudantes despertam pela primeira vez para a vida política, e que os leva facilmente a adquirir ideias radicais e esquerdistas, convencidos de que o mundo se pode modificar de um momento pare o outro e sem grandes dificuldades. A segunda, porque e também nesta idade que se começa a manifestar nos jovens a tendência para a vida boémia o namorico e outros hábitos burgueses que são fonte fértil da degenerescência e da corrupção que vitimam grande parte da nossa juventude. É, pois necessário que saibamos vencer o atraso e as vacilações com que a revolucionarização foi lançada entre nós e avancemos decididamente.
Analisada a situação actual, à luz aos objectivos da revolucionarização no seio do movimento estudantil e das últimas resoluções da reunião da Comissão Auxiliar, o Conselho de Zona concluiu que são 8 as tendências negativas onde levemos centrar o nosso combate.
A primeira, é a tendência à recusa objectiva de desenvolver um trabalho em profundidade, virado para as amplas massas dos estudantes que se manifesta no desconhecimento sobre a situação concreta das escolas e do movimento, na incompreensão de que o centro do nosso trabalho se deve situar nas turmas e nos anos, no desligamento das aspirações mais sentidas pela juventude estudantil, como a cultura e o desporto. Para combater esta tendência negativa é necessário que todos os núcleos e cada um dos seus militantes se sintam no seio das massas como peixe na água, vencendo de vez todo o sectarismo em relação aos estudantes e tendo sempre presente a necessidade de, para cada questão, ter sempre uma resposta concreta que una e mobilize as massas.
A segunda, é a tendência à recusa objectiva de assumir o papel de direcção comunista da luta dos estudantes, e entregando muitas vezes esse papel a colectivos não comunistas, ou indo a reboque do movimento de massas. Para combater esta perigosa tendência, é necessário, antes de mais nada, que cada colectivo possua uma radiografia concreta da situação, o movimento na sua escola; depois que cada secretariado do núcleo assuma as suas responsabilidades dirigentes e que cada colectivo actue de acordo com um plano do trabalho claro e incisivo, que promova a discussão política dos objectivos a atingir por cada tarefa e a seguir proceda a uma distribuição judiciosa e criteriosa destas e a um controle de execução sistemático.
A terceira e a tendência para esconder a UJCR das massas, que se manifesta no facto de vários núcleos terem actuado durante muito tempo sem “ilegais” de se fazer uma venda irregular e diminuta do "JR" e de não se fazer agitação e propaganda próprios. Para combater esta situação, é necessário que todos os núcleos apareçam aos olhos dos estudantes com as bandeiras de luta próprias o autónomas da organização, que a UJCR intervenha publicamente de uma forma, clara em relação aos grandes problemas que afectam as massas, que o "JR" e a imprensa ­do Partido seja amplamente divulgadas, e que os núcleos ponham em prática e sem demora, a justa directiva da Comissão Auxiliar de passarem à legalidade a generalidade dos seus militantes e em especial aqueles que são mais prestigiados e reconhecidos.
A quarta tendência negativa é a resistência ao alargamento da organização, que não é mais do que a expressão do espírito de grupo fechado próprio dos grupos e seus caciques. É preciso que todos os camaradas compreendam claramente que a UJCR não é o Partido para a juventude e que a nossa organização não pode cumprir com êxito as suas tarefas no movimento revolucionário dos estudantes de vanguarda simpatizantes do Comunismo e temperados no fogo da luta de massas a partir de agora o Conselho de Zona determina que todos os jovens estudantes, consequentemente anti-fascistas com provas dadas de dedicação ao trabalho e simpatizantes do PCP(R), sobretudo as raparigas, e aqueles que são de origem pobre, sejam recrutados sem perda de tempo para as nossas fileiras, explicando claramente a esses camaradas que é dentro da UJCR que a sua formação política e a sua têmpera se forjam. 
A quinta, tendência errada é a resistência à táctica, que se traduz pela não apresentação de alternativas concretas que unam e mobilizem os estudantes e isolem os fascistas e os revisionistas, partindo das aspirações mais sentidas pela juventude estudantil. Todos os colectivos Comunistas devem tomar como orientação para os seus planos de trabalho a necessidade da apresentação de alternativas coerentes, bem demarcadas dos inimigos dos estudantes e que permitam a estes, reconhecer pela sua própria experiência a justeza das nossas posições.
A sexta tendência incorrecta, é a conciliação com os inimigos da unidade popular, nomeadamente com os revisionistas e até mesmo com os fascistas. Este erro, intimamente ligado à não apresentação de alternativas tácticas, conduz à perca de confiança no movimento popular e ao aparecimento de tendências unitaristas e apartidárias inadmissíveis em comunistas. Todos devemos ter claro que conquistando a confiança das massas é possível derrotar os fascistas e que os revisionistas da EU”C" são "'um grupo totalmente degenerado o sem qualquer passado de luta. com os quais não é possível qualquer espécie de aliança, sob pena de estarmos a meter o inimigo dentro de casa.
A sétima tendência negativa são os péssimos métodos de trabalho e direcção, que tem levado principalmente ao tarefismo, ao seguidismo e ao rotineirisno. Todos os núcleos devem ter presente, a necessidade de impor a direcção colectiva e discutir politicamente, não só os objectivos que pretendemos alcançar em cada altura, mas também a situação política actual e a imprensa e a táctica do partido o da UJCR. Paralelamente todos os camaradas, devem compreender que o tarefismo não é um pequeno erro que surge num camarada dedicado ao trabalho, mas sim um erro grave que impede de distinguir o fundamental do secundário e de distribuir tarefas e responsabilidades a, novos camaradas, o que, muitas vezes acaba por ser fonte do caciquismo. Por seu lado o rotineirismo e um erro que afasta o espírito de iniciativa e combatividade dos camaradas, faz com que estes encarem as tarefas revolucionárias como funcionários públicos que se limitam a dar cumprimento dogmático às directivas sem atender aos anseios das massas e à situação do movimento.
A oitava e última tendência nefasta é o estilo de vida fácil e boémia e as concepções tipicamente burguesas sobre a moral. Todos nós devemos ter claro, ser-se revolucionário e ser-se Comunista é colocar sempre e acima de tudo os interesses das massas e da revolução, exige uma opção constante de cada dia. Assim, todos os núcleos devem discutir, estes problemas e tomar medidas para a sua resolução logo que eles se manifestem, educando todos os camaradas nosso estilo de vida simples e modesto do nosso povo explorado e não permitindo que se instaure nos núcleos um clima de desconfiança e do mexericos que provoca o desconfiança entre os vários camaradas, afasta, o espírito são de crítica e de auto-crítica e sabota a unidade dos organismos e da organização.
Camaradas: a combativa juventude estudantil do Ensino Secundário, está em luta. Por muito que isso custe aos fascistas e aos revisionistas, ela está contra a política reaccionária do MEIC, e quer um ensino novo. Cabe a nós Comunistas e Revolucionários consequentes encabeçar essa luta e pô-la decididamente ao serviço do nosso povo pobre que debaixo da bandeira do PCP(R) marcha para o governo do 25 de Abril do Povo. Prosseguindo firmes na via que trilhámos, sob a direcção dos militantes proletários e com o processo de revolucionarização no comando, estamos certos que o conseguiremos.

O CONSELHO DE ZONA ESTUDANTIL SERVIR O POVO DA UJCR.

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