quinta-feira, 20 de abril de 2017

1972-04-20 - Face às Reformas Governamentais Tome-mos Posição! - Movimento Estudantil

Face às Reformas Governamentais Tome-mos Posição!
Preparemos o ENCONTRO NACIONAL de ESTUDANTES de MEDICINA

LISBOA, 20 de ABRIL (SÁBADO):
Ordem dos trabalhos:
1 - INFORMAÇÕES SOBRE O TRABALHO - PREPARAÇÃO DESENVOLVIDO NAS TRÊS ACADEMIAS
2 - ENCONTRO NACIONAL:
a) - ASPECTOS ORGANIZATIVOS; CRIAÇÃO DE ESTRUTURAS QUE PREPAREM O ENCONTRO  
b) - DISCUSSÃO PRELIMINAR SOBRE OS PRINCIPAIS PONTOS DO ENCONTRO: - REFORMAS GOVERNAMENTAIS E REFORMA GERAL E DEMOCRÁTICA DO ENSINO – REFORMA DO ENSINO MÉDICO / MEDICINA E SAÚDE PUBLICA - MOVIMENTO ASSOCIATIVA / MOVIMENTO ESTUDANTIL - CONCEPÇÕES, MÉTODOS DE ACTUAÇÃO
O ENSINO MÉDICO vai sofrer "grandes remodelações". Diz-se, ou ouve-se.
Feitos por quem? Porquê? Como?
Todos nós constatamos a deterioração política e económica, a que o regime tem conduzido o país, ao longo de 48 anos de poder.
No momento em que alastra o descontentamento popular, e se compreende mais claramente que o agravamento constante das condições de vida tem a sua origem na política governamental, as autoridades governamentais e académicas dizem-se empenhadas na “democratização" do ensino.
Que terão os estudantes a dizer sobre isto?
No nosso país, a educação e o ensino continuam sendo privilégio de minorias afortunadas. O povo português continua sem livre acesso ao ensino e à cultura. A universidade, e de um modo geral o sistema ligado às exigências dos monopólios nacionais e estrangeiros.
Neste campo, como em muitos outros, os grandes interesses financeiros esbarram contra uma realidade. Perante o atraso técnico e científico do ensino ministrado, a exiguidade das instalações e de mais condições materiais existentes, a sua situação profundamente caótica e degradante, os monopólios apressam o governo a tomar "resoluções" e "medidas" tendentes a remediar o ensino e adaptá-lo às actuais necessidades de mão de obra qualificada. São disso exemplo vivo as remodelações do I.S.C.E.F., I.E.S., I.S.C.S.P.U., a constituição de novos cursos do marketing, direcção e gestão de empresas, generalização do sistema de "bacharelato” e em Medicina de cursos "para-médicos”, a formação de cursos acelerados de formação "técnico-científica" curta e rápida, etc... Neste quadro se situam ainda as chamadas "reformas" governamentais pomposamente proclamadas por Veiga Simão na sua "batalha da educação".
A degradação progressiva das condições de ensino e a compreensão por parte dos estudantes da sua origem na política governamental, têm conduzido os estudantes ao descontentamento, que de uma forma organizada se transforma em importantes lutas, denunciando junto do Povo Português o carácter anti-popular da política governamental integrando-se de uma forma cada vez mais consciente na luta mais geral do Povo Português por uma verdadeira Democratização do Ensino!
Desmascarado, o governo procura encobrir os interesses económicos que defendo apelidando de "democrática" a sua política de "instrução".
Subtilmente encobertas pela demagogia, mas realmente sustidas por um forte arsenal repressivo, as "Reformas" governamentais não alteram a realidade objectivas — a deterioração selectiva do ensino e da cultura, o seu acentuado carácter de classe, com inculcação da ideologia dominante, a sua natureza profundamente conservadora e reaccionária, os seus objectivos claramente económicos e políticos.
O que no facto se observa é a intensificação dos ritmos do trabalho, o aumento da selecção com a imposição de árduos regimes de testes o frequências, a par de uma profunda política de divisão dos estudantes e isolamento dos novos alunos.
E, a acompanhar tudo isto, a repressão violenta, bem expressa nas inúmeras prisões, suspensões e processos disciplinares, nas cargas e invasões policiais, na ocupação das Faculdades pela polícia, nos encerramentos e assaltos as AAEE, como a do Letras, Direito e IST, e ainda recentemente Medicina e Farmácia de Lisboa.
Ensaiada e aplicada já em inúmeras escolas, a política reformista o repressiva governamental prepara o campo para entrar em Medicina. De uma forma global foi posta já em prática no lº. ano de Medicina de Lisboa, e de uma forma parcial faz-se já sentir no Ensino Médico a nível do país.
Na tentativa de impedir a sua discussão e consequente tomada de posição por parte dos estudantes, estes passos reformistas são acompanhados de articuladas medidas repressivas. Daí advém uma das principais razões da vaga de termos lançada pelo governo contra as movimentações estudantis, da repressão violenta e da campanha de calúnias contra as AAEE.
Conscientes desta realidade, e a exemplo do muitos outros momentos de luta, os estudantes de Medicina farão ouvir a sua voz o sentir a sua acção. Por várias vezes temos informado a população da situação verdadeira do ensino nas nossas escolas e o seu reflexo na miséria em que se encontra a Saúde Publica no país, por culpa deste governo.
Face à "Reforma" urge tomar uma posição inequívoca, impedindo que o Povo Português seja novamente burlado pela demagogia governamental.
Cientes da importância de uma tomada de posição conjunta e unida a nível nacional, a direcção da AE de Medicina de Lisboa o Porto (como vem aliás referido no programa apresentado pelos estudantes) conjugaram esforços juntamente com os colaboradores associativos da CPRAAC (Comissão Pró-reabertura da Associação Académica de Coimbra), no sentido da realização de um Encontro do estudantes do Medicina, em Lisboa, sábado, dia 20 de Abril, preparatório o decisivo da realização a médio prazo do um Encontro Nacional de Estudantes De Medicina.
Para além dos objectivos implícitos no presente texto, tais encontros contribuirão igualmente no reforço dos laços de unidade, camaradagem e amizade entre os estudantes das 3 Academias e do intercâmbio cultural e científico. Eles devem ser encarados com os importantes passos no reforço de acção em cada Academia, face as "Reformas" — burla governamentais, na defesa dos interesses de todos os estudantes, compreendidos e perspectivados como parte integrante da luta mais geral do Povo Português, por uma VERDADEIRA DEMOCRATIZAÇÃO DO ENSINO!

DIRECÇÃO DA C.P.A. DE MEDICINA DE LISBOA
DIRECÇÃO DA C.P.A. DE MEDICINA DO PORTO
COLABORADORES DE MEDICINA DA C.P.R.A.A.C.

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