terça-feira, 11 de abril de 2017

1972-04-11 - COMUNICADO Nº 4 - Movimento Estudantil

COMUNICADO Nº 4

DIRECÇÃO DA ASSOCIAÇÃO DOS ESTUDANTES DA F.E.U.P.
11 ABRIL  72

No lº semestre as movimentações dos cursos caracterizaram-se em 1º lugar por um esforço organizativo, derivado da experiência dos estudantes, que lhes diz que de forma organizada e unida conseguem defender os seus interesses. A esta fase, corresponde a eleição de comissões de curso em   grande parte deles, algumas das quais com programas de candidatura onde se definiam as principais direcções de trabalho.
Em 2º lugar quando começam a surgir os primeiros processos pedagógicos salienta-se o papel positivo que representa o facto de existirem comissões de curso, centralizando e dinamizando os processos, isto é, convocando reuniões de curso onde se debatem amplamente os problemas e onde se tomar decisões que permitem aos estudantes em alguns cursos conquistar algumas vitórias. Tal é o caso do 3° ano de engenharia química decretando greve à ultima frequência de termodinâmica impedindo assim o professor de eliminar alguns, alunos de exame final) no 3º ano de engenharia mecânica, obrigando o professor de Mecânica Aplicada, sob a ameaça de boicote, a anular a ultima frequência marcada; lançando abaixo-assinados quando as condições concretas aconselhavam a utilização desta forma de luta, que se conduz, nalguns casos, a vitórias imediatas, outros há em que constitui apenas o iniciar de um processo que somente formas mais radicais de luta permitem resolver satisfatoriamente. (Constituem exemplos do que afirmamos o que se passou com dois abaixo-assinados lançados respectivamente pelo 3º ano de engenharia mecânica e no 5º ano de engenharia química).
Cursos houve, no entanto, em que o trabalho desenvolvido foi praticamente nulo, não porque faltassem problemas pedagógicos que exigissem uma resposta decidida, porque os respectivos estudantes não conseguiram criar na altura decida as formas organizativas que lhes permitissem dinamizar e desenvolver a luta pela sua resolução (é o caso do 4º ano de engenharia química).
Com o inicio do 2.º semestre pareçam criadas as condições para que estes cursos corrijam os erros cometidos lançando-se decididamente na respectiva organização interna. Neste sentido a direcção Associativa, através de contactos com membros destes cursos, da troca de experiências com os cursos já organizados anteriormente (para o que propomos a criação de um boletim da Junta de Delegados onde as comissões de curso, bem como a direcção e grupos de trabalho desenvolvam análises no campo pedagógico) propõe-se colaborar e incentivar os cursor não organizados a realizarem essa tarefa. (Propomos a criação imediata de um Boletim de Junta de Delegados, onde as comissões de curso, bem como a direcção e grupos de trabalho desenvolvam análises no campo pedagógico).
Nas lutas travadas pelos cursos tem-se verificado, no entanto, a tendência para estes se fecharem e tentarem resolver sozinhos problemas que são comuns a vários cursos, a toda uma secção e até a toda a Faculdade (é exemplo o que se passou na Secção de Química onde, não obstante todos os anos estarem sujeitos ao regime de frequências eliminatórias, as tentativas para resolver este problema nunca conseguiram ultrapassar as fronteiras do próprio ano, o que obviamente lhes daria mais força).
O resultado foi que nalguns casos não conseguirem senão ver as suas reivindicações parcialmente satisfeitas e noutros nem isso. A dispersão das lutas foi, portanto, uma constante cujas causas vamos procurar detectar.
Também neste caso nos parece que a inexistência de um órgão coordenador e ao mesmo tempo unificador dos processos foi concerteza a causa principal.
A Junta de Delegados a funcionar em moldes diferentes daqueles em que funcionou no ano passado e no início deste ano (onde eram demoradamente discutidos alguns problemas associativos ficando os problemas pedagógicos para segundo plano, o que se traduziu num desligamento da J.D. das mais amplas camadas de estudantes da FEUP) é, concerteza, a forma organizativa que a partir de agora vai permitir uma ampla e eficaz unificação e perspectivação das lutas comuns dos estudantes de Engenharia.
É por isso que a Direcção da associação convoca para a próxima quarta-feira dia 12 de Abril às 15 Horas a Junta de Delegados com a seguinte Ordem de Trabalhos

I - QUESTÕES PEDAGÓGICAS
a) Informações das reuniões da Direcção com as Comissões de Curso
b) Frequências eliminatórias (unificação do apoio a dar aos alunos da Secção de Química)
c) Renovação do despacho que regulou a época de exames de Outubro do ano passado, o qual permitia fazer 4 cadeiras (2 do 1º semestre e 2 do 2º desde que se continuassem)
d) Organização interna dos cursos onde ainda não existam estruturas re­presentativas

II - SECÇÕES
a) Apoio e reorganização da E.E.
b) Problemas e iniciativas de outras Secções.
c) Legalização e instalações

III - BOLETIM DA JUNTA DE DELEGADOS
A J.D. só poderá desempenhar de um modo eficaz as suas funções coordenadoras e unificadoras das lutas desde que apareça no seguimento de um trabalho desenvolvido junto dos estudantes pelas Comissões de Curso, por serem estas as estruturas associativas que mais directamente lhes estão ligadas. E isto de tal modo, que as posições aí apresentadas e definidas pelas C.C. correspondam realmente aos interesses mais sentidos pelos estudantes.
Por isso fazemos um apelo não só às C.C. como aos estudantes em geral para se deterem sobre a Ordem de Trabalhos proposta, a fim de poderem participar activamente na reunião da próxima 4ª feira, permitindo assim lançar as bases correctas da unificação dos cursos.
Ao propormos para a J.D. pontos não especificamente pedagógicos (pontos 2 e 3) fazemo-lo porque pensamos que nem só aqueles preocupam e unificam os estudantes. Também outros problemas de ordem associativa (culturais, convívio, etc.) são vivamente sentidos pela grande maioria dos alunos da FEUP e como tal precisam de ser equacionados de uma forma organizada. Nomeadamente no que diz respeito à legalização da Associação e a conquista de instalações para esta só uma acção radicada nas mais vastas camadas estudantis poderá impor às autoridades a sua resolução.
Ganhar os estudantes da faculdade para esta direcção de luta será uma consequência do interesse e prestígio que as realizações da Associação, através do trabalho das secções consigam motivar. Daí a importância de um apoio activo das secções nos cursos ser efectuada de uma forma organizada, o que é perfeitamente possível através da Junta de Delegados.

Porto, 11 de Abril de 1972
A Direcção da Associação de Estudantes da Faculdade de Engenharia

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