sábado, 8 de abril de 2017

1972-04-00 - Luta Nº 01 - CADPF

ENFRAQUECER O EXÉRCITO DA BURGUESIA

Portugal é o país com os índices de produtividade, de consumo alimentar mais baixos da Europa, numa palavra, é o país mais pobre da Europa. O seu principal produto de exportação é uma mercadoria muito particular: a mão de obra (somente em França existem mais ou menos 800 000 trabalhadores).
O governo português que não muda desde 1926, é um governo da burguesia, que tomou a forma de uma ditadura fascista. Portugal, sendo o país mais pobre da Europa, mantém o maior império colonial que hoje existe; este império colonial, vinte e duas vezes maior do que a superfície da metrópole, tem uma população de cerca de 12 milhões de habitantes, submetidos desde há 400 anos ao trabalho forçado.
Há 11 anos, os povos das colónias levantaram-se em armas contra a exploração colonial. Desde essa época o governo mantém com a ajuda dos seus protectores e cúmplices internacionais, um exército de 150 000 homens em África. Os jovens portugueses são assim obrigados a cumprir 3 a 4 anos de serviço militar. Ao mesmo tempo a resistência anti-colonial tem aumentado, a recusa da guerra traduzindo-se muitas vezes pela deserção e a partida para o estrangeiro. Na verdade, dadas as condições de repressão fascista e o fraco grau de organização das forças de resistência, é impossível por agora os desertores ficarem em Portugal em situação de clandestinidade.
O apoio aos desertores portugueses no estrangeiro, torna-se assim fundamental para que o movimento de recusa da guerra possa tomar um carácter generalizado. Permite aos militantes portugueses que trabalham politicamente no seio do exército o encorajar as deserções colectivas e os actos de insubordinação, seja em Portugal, seja ia frente colonial de combate enfraquecendo o potencial do exército colonial português, aumentando o descontentamento entre os soldados.
O país de eleição que mais terá acolhido desertores e refractários tem sido a França onde certas facilidades legais permitiam a estadia de jovens portugueses vindos "a salto" (e isto explica-se pela falta de mão de obra da burguesia francesa). É assim que desde o início da guerra colonial em 1961 entraram em França, quase todos ilegalmente cerca de setenta mil jovens em idade militar (de 18 a 23 anos). Neste número incluem-se cerca de dez mil desertores (jovens entrados em França com 21 a 23 anos). Por outro lado o número de jovens em idade militar aumenta de ano para ano. Segundo as estatísticas francesas do O.N.I. em 1967 eram 5 639 e em 1970, 17 234.
Não admira, que face a este crescimento do número dos desertores e refractários o governo português tenha pressionado a França no sentido da limitação no total dos imigrantes admitidos neste país cada ano. No dia 1 de Novembro entraram em aplicação os acordos assinados. Segundo uma circular de aplicação enviada pelo Ministério Francês do Interior os jovens portugueses com menos de 20 anos e sem passaporte não serão aceites em território francês. Esta medida toca assim principalmente os jovens que fogem ao serviço militar, podendo limitar-se se não houver uma acção de informação.
O movimento de recusa da guerra colonial.
Existem já, em vários países da Europa e no Canadá organismos de apoio aos desertores portugueses. Em França não existe nenhum Comité de Apoio, constituído; ora, é para França que vêm mais facilmente jovens que fogem ao serviço militar, portanto é neste país que as tarefas de apoio são mais importantes. Por essa razão um grupo de desertores portugueses lançou a constituição de um Comité em França que terá vários objectivos.
1 - Apoio formal a todos os desertores, refractários e refugiados políticos portugueses.
2 - Propaganda geral e apoio a luta revolucionária em Portugal, que tenda ao isolamento do governo.
3 - Apoio formal aos Movimentos de Libertação das Colónias.
Este comité será, em princípio aberto à colaboração de todos os desertores, refractários e refugiados políticos portugueses.

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