terça-feira, 11 de abril de 2017

1972-04-00 - 1972-04-00 - Viva a Revolução Nº 02 - I Série - CREC's

QUEIMA DAS FITAS

Para todos aqueles que já se “esqueceram” do que foi no passado ano lectivo a tentativa malograda de um punhado de fascistas de realização da Queima das Fitas diremos apenas:
Não obstante o aparato policial, não obstante todo o apoio e subsídios governamentais, não obstante a presença assídua e numerosa da PIDE-DGS em todas as manifestações da Queima, tão pomposamente anunciadas na imprensa, rádio televisão. Não houve Queima! não porque os seus organizadores, essa fracção de reaccionários ao serviço do governo, dela tivesse abdicado, cedendo perante as decisões democraticamente tomadas pelos estudantes em Plenário, mas sim porque estes firmemente unidos na luta aberta e exposta, a souberam recusar como manifestação burguesa de classe.
Os estudantes do Porto recusaram-se a representar o papel de "palhaço” colorido de cartola e fitas que sai à rua no fim do ano para exibir os seus privilégios de burguês em plena ascensão social mas que esconde todo um ano de repressão violenta a que é sujeito por parte de um ensino acientífico, ideológico de classe, por parte de um autoritarismo severo da hierarquia universitária, por parte de todo um sistema repressivo de selecção que visa apurar os melhores, os mais fieis servidores dos interesses da burguesia nacional e imperialista na sua exploração desenfreada do povo português e dos povos das colónias.
A todos os reformistas que pretenda em que o boicote à Queima nada mais foi senão “uma jornada de luta contra a repressão", entendendo que esta só se manifesta quando as forças policiais intervêm na vida universitária, diremos que foram claramente ultrapassados nas suas funções de "dirigentes”, pelas próprias massas estudantis que souberam ver no boicote à Queima, uma forma de luta contra o ensino repressivo de classe e contra a função social da universidade burguesa.
Diremos também a todos esses reaccionários que se colocam abertamente ao lado de forças repressivas ou fazem o eterno jogo de esconde-esconde com as autoridades, que as massas estudantis do Porto ao lutarem contra a Queima como manifestação burguesa de classe, souberam também compreender o carácter mais geral da sua luta por uma Universidade popular e democrática, o seu enquadramento na luta dos trabalhadores portugueses. Estudantes e operários souberam unir-se no próprio fogo da luta empregando a violência contra os reaccionários, inimigo comum, aliado do governo fascista defensor dos interesses da burguesia no poder.
A todos aqueles que não obstante este ligeiro avivar de memória, continuarem a querer ignorar as verdadeiras consequências do processo de luta contra a Queima das Fitas de Abril de 71, isto é, a progressiva radicalização das lutas estudantis no Porto em volta das justas palavras do ordem de luta contra o conteúdo classista do ensino e por uma Universidade popular e a sua ligação e subordinação às lutas dos trabalhadores Portugueses, diremos Não tentem de novo! levantaram uma pedra e ela caiu bem alto sobre os vossos pés! a escalada repressiva contra a luta estudantil de boicote à Queima, cifrou-se num avanço real do movimento em direcção a conteúdos de luta realmente revolucionários! empenhados na sua luta os estudantes do Porto adquiriram uma rica experiência, souberam tirar as devidas lições dos seus êxitos e dos seus fracassos, corrigiram erros.
Este ano a pedra levantada caíra bem alto sobre os vossos pés!

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