sexta-feira, 31 de março de 2017

1977-03-31 - Unidade Popular Nº 113 - PCP(ml)

Remodelação ministerial a trouxe-mouxe

«Então você passa-lhe pela cabeça que eu vá proceder a trouxe-mouxe a uma mudança do meu gabinete, horas antes de eu partir para a Noruega?», respondia Mário Soares na passada quinta-feira ao jornalista que sobre esse assunto o interrogava.
Menos de vinte e quatro horas depois, Soares trocava Curto por Gonelha, Alegre por Roque Lino, e introduzia no seu gabinete Nobre da Costa (Indústria e Tecnologia), Mota Pinto (Comércio e Turismo) e ainda alguns secretários e subsecretários de Estado.
Afinal, foi mesmo a trouxe-mouxe!
E mesmo que o não fosse, não era por isso que maiores esperanças em nós nasceriam face à nova formação governamental.
Os elementos recém-introduzidos no Governo podem ser individualmente firmes face ao social-fascismo cunhalista. Mesmo que assim seja, não serão eles que irão alterar a linha conciliadora e capitulacionista do Governo PS.
O determinante nesta questão não são as presentes ou futuras substituições deste ou daquele membro do Governo mas a linha geral por que este se rege.
E sobre isto, os factos falam por si. Sottomayor Cardia na Educação, Medeiros Ferreira nos Estrangeiros, Barreto no MAP não impediram: as sucessivas cedências à chantagem cunhalista no campo do trabalho, os diversos acordos (comerciais e ou­tros) prejudiciais ao nosso País com o social-imperialismo russo, o estreitamento de relações com os lacaios dos novos czares em Angola, etc., etc.
A conclusão é que enquanto o PS continuar a seguir no essencial uma linha política de conciliação com o social-fascismo, o Governo PS não pode deixar de a reflectir.

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