quarta-feira, 29 de março de 2017

1977-03-29 - Pdr. MAX, MARIA DE LURDES JULGARAM QUE OS MATAVAM E SEMEARAM-NOS - PCP(R)

PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS (RECONSTRUÍDO)

Pdr. MAX, MARIA DE LURDES JULGARAM QUE OS MATAVAM E SEMEARAM-NOS

À CLASSE OPERÁRIA!
AO POVO DA NOSSA REGIÃO!
A TODOS OS ANTI-FASCISTAS E DEMOCRATAS!

Faz um ano no dia 3 de Abril que bombistas fascistas assassinaram o Padre Maximino e a estudante Maria de Lurdes, em Vila Real.
O Padre Max era um filho do povo transmontano). Os seus pais emigraram para dar um futuro melhor aos seus filhos. Ao longo da sua vida o Padre Max nunca traiu à sua origem, o seu povo pobre transmontano. De facto, ao contrário da maior parte dos padres, ele não fechou os olhos à miséria em que vive o povo trabalhador. E ele sabia que a miséria do povo é obra de homens, dos poucos que vivem na fartura desmedida enquanto a imensa maioria vive com faltas de tudo. E sabia mais: sabia que esta situação se pode e deve modificar.
Era assim, que ele combatia na sua vida de professor e padre, não pregando nunca a filosofia da resignação, mas antes a da luta contra a injustiça, contra a ignorância, contra o fascismo. Maximino era um padre, mas filho e combatente do seu povo. Seu amor era o seu povo e, este o amava como se ama um filho.
Porque era o Padre Max do povo, porque não era instrumento dócil do fascismo, a hierarquia da Igreja comprometida com o regime opressor de Salazar lhe retira direitos, procurando abafar a sua voz, por isso os fascistas lhe votavam um ódio de morte.
Dizia o Padre Max, o ideal da sua vida em poucas palavras: "Servir o povo, nunca ser vir-se dele".
E foi, naturalmente, que o Padre Max se candidatou a deputado nas listas da UNIÃO DEMOCRÁTICA E POPULAR, para ser a voz agreste do povo pobre do nordeste.
Mais perigoso ainda se tornou para os fascistas e estes não hesitaram. Assassinaram-no friamente a 3 de Abril, quando se dirigia a casa, após as aulas de alfabetização na Cumieira. Com ele, assassinaram a estudante Maria da Lurdes, quase criança, anti-fascista, companheira dos mesmos ideais revolucionários.
Este acto de terror fascista indignou todo o povo de Trás-os-Montes e de Portugal inteiro. As mortes do Padre Max e de Maria de Lurdes comoveram todo o povo de Portugal.
As massas populares bem mostraram a sua comoção e amor aos filhos caídos, bem mostraram a sua indignação na maior manifestação que houve em terras do Nordeste Transmontano, nas ruas da cidade do Padre Max, exigindo o castigo dos criminosos fascistas.
O mesmo se passou em todo o país. O povo levantou-se para condenar o terrorismo fascista e para exigir o castigo exemplar dos criminosos.
Passado um ano, que vimos nós?
Os governos e as autoridades desprezaram completamente as exigências do povo de que se castigassem os criminosos. A polícia não se limitou a desprezar as pistas indicadas pelo povo, mas a inventar pistas e a arranjar boatos para prejudicar aos olhos do povo os nomes do Padre Max e da Maria de Lurdes.
E não é de admirar que isso tivesse acontecido, se nos lembrarmos que dentro da polícia estavam bombistas, como se viu quando foi da descoberta da rede bombista de que faziam parte os criminosos Júlio Regadas da Judiciaria e Mota Freitas, comandante da PSP do Porto. Como se pode esperar castigo para os criminosos fascistas se Eanes e Soares soltam os pides e os bombistas?
O assassinato do Padre Max mostra-nos bem que os fascistas usam a violência para calar quem se lhes opõe e intimidar o povo e mostra-nos bem como o governo e as autoridades são incapazes de combater o terrorismo, que são, ao contrário, coniventes com o fascismo.
A vida tem mostrado que com criminosos fascistas à solta não há liberdade para o povo. E tem de ser o povo a exigir o julgamento e castigo exemplar de todos os bombistas e de seus protectores, comovo Pires Veloso. O povo quer saber quem assassinou o Padre Max e a Maria de Lurdes e há-de sabê-lo. Que se desenganem os fascistas: aconteça o que acontecer o povo há-de julgá-los e o castigo será bem duro.
Para que o povo seja livre, há que reprimir os fascistas!
Os fascistas tentara convencer-se a si mesmos que assassinando, calam a voz do povo. Mas e a vida que lhes mostra o seu engano. Por cada camarada morto, mil se levantam e com mais raiva e determinação em acabar cora toda a raça de opressores.
Ao passar o aniversário da morte do Padre Max e de Maria de Lurdes, o Comité Regional "Estrela Vermelha" e todos os militantes desta região, juntam-se à dor de todos os familiares e amigos dos nossos companheiros, caídos no campo da luta, e renovam os seus juramentos de comunistas de lutar pelo castigo dos assassinos e de lutar sempre até à vitória final, pela Democracia Popular e o Socialismo.
O Comité Regional "Estrela Vermelha" apoia as realizações do próximo dia 3, domingo, no Porto e em Vila Real, pelo 1º aniversário do assassinato do Padre Max e de Maria de Lurdes, em homenagem à memória destes dois valorosos combatentes da causa do povo pobre e apela a todo o povo da nossa região a juntar-se às referidas comemorações, mostrando a sua dor e indignação pelos crimes praticados impunemente pelos piores inimigos do nosso povo: os bombistas, pides e fascistas.
- CAMARADAS PADRE MAX E MARIA DE LURDES: PRESENTE!
- OS FASCISTAS NÃO VOS MATARAM, SEMEARAM-VOS!
- PARA QUE O POVO SEJA LIVRE É PRECISO REPRIMIR OS FASCISTAS!
- EM FRENTE COM UM TRIBUNAL QUE JULGUE A PIDE E OS BOMBISTAS!
- MORTE AO FASCISMO, LIBERDADE PARA O POVO!

Porto, 29 de Março de 1977
Comité Regional "ESTRELA VERMELHA" do PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS (RECONSTRUÍDO)

DIA 3 JORNADA DE HOMENAGEM E LUTA
PORTO                  
às 16h COMÍCIO
pav. académico
VILA REAL
às 15 h - romagem ao cemitério
às 18h - comício solene

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