sexta-feira, 24 de março de 2017

1977-03-24 - Revolução Nº 103 - PRP-BR

EDITORIAL

O processo montado a 33 oficiais que vão a Conselho Superior de Disciplina veio confirmar que não era alarmismo de certa esquerda revolucionária quando falava no iminente saneamento nas Forças Armadas. Também não resta dúvidas que a montagem destes processos repousa sobre um critério que tem a haver com o fascismo. O ridículo, o infundado, o quase descarado vazio das acusações, quer bem dizer que a única razão para estes saneamentos é a dos oficiais em causa serem anti-fascistas consequentes. Vai portanto adiantado o avanço do fascismo dentro da hierarquia das Forças Armadas; os julgamentos que hoje pretendem organizar são já tão arbitrários como o foram alguns processos pseudo-legalistas no tempo do fascismo.
No entanto, já na estrutura do processo a hierarquia faz sentir «que muitos desses oficiais não são responsáveis por aqueles actos... mas sim que lhes dava ordens»: Com isto querem atingir «quem lhes dava ordens» e começar portanto uma segunda e uma terceira leva, até atingirem o Conselho da Revolução, ou seja, uma parte do Conselho da Revolução. Na verdade morde neste poder a presença de anti-fascistas e no CR, a qual tem a sua expressão nos quartéis. Como pode a direita engolir que os capitães de Mafra se insurjam contra os processos dos oficiais que vão a Conselho Superior de Disciplina? Como pode a direita engolir que tenha que ser o próprio Ministro a ordenar a intervenção da GNR no Cacém, passando por cima do general?
E também estas contradições se vêm reflectir nas comemorações do 25 de Abril, que a nível oficial se mantém nas mãos dos anti-fascistas, o que inquieta sobremaneira a direita.
Já mais ordeira se comporta a direita civil, cujo CDS se esforça por se mostrar «democrata», não se escusando a expulsar Galvão de Melo para se manter com bom aspecto. E com o mesmo liberalismo se mostra Mário Soares, almoçando com o dito Galvão de Melo.
Essas são as reviravoltas do verdadeiro «pacto social» que se vai afirmando o PS permite a remodelação governamental, abrindo as portas ao PPD e ao CDS e encontrando a sua expressão a nível das leis; mas o reformismo vai travando as lutas onde e quando pode: nos têxteis, nas cooperativas, etc.
Entretanto o imperialismo impõe a sua lei e a Grã-Bretanha arroga-se o direito de criticar a lei dos despedimentos em Portugal, condicionando assim o seu investimento. O projecto económico do imperialismo é manter «a ordem» neste país de economia periférica, disposto para a exploração e para o domínio militar da NATO.
Perante isto não há que travar as lutas económicas dos sectores mais atingidos pelo aumento do custo de vida, mas há que radicalizá-las no sentido de predispor essas massas e de organiza-las para o confronto com o fascismo.
Neste sentido a unidade é fundamental. Sem unidade a organização não é possível, os trabalhadores serão derrotados. Sem unidade dos anti-fascistas o fascismo vencerá.

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