segunda-feira, 20 de março de 2017

1977-03-20 - PELA AVALIAÇÃO CONTÍNUA - LCI

PELA AVALIAÇÃO CONTÍNUA
pelo controle estudantil

O QUE É PRECISO DEFENDER
A portaria sobre avaliação de conhecimentos publicada pelo Meic tem objectivos precisos: deitar por terra o trabalho de grupo, instaurado após o 25 de Abril, reinstaurar o espírito de competição e o individualismo nos estudantes, repor o professor como autoridade suprema e todo-poderoso na atribuição das classificações.
Aproveitando a derrota anteriormente sofrida na luta contra o decreto de gestão, Cardia continua a sua cruzada anti-estudantil. A chantagem que exerce sobre os estudantes é clara; ou a escala de zero a vinte ou nada... As suas medidas pretendem fazer vigorar, de novo, aos apertados conceitos de selecção vigentes antes do 25 de Abril.
Apesar dos erros que houve, afirmamo-nos claramente favoráveis à manutenção dos trabalhos de grupo, de sistema de avaliação contínua que vigora em grande parte das escolas e ao direito de os estudantes discutirem e participarem na atribuição das classificações. Isto é, para nós, o essencial, aquilo que urge defender com unhas e dentes. Aportaria que conhecemos pode ser o simples prelúdio para o regresso dos exames. Tudo depende da resposta estudantil.
Os princípios gerais que acima apontámos são essenciais para garantir um ensino crítico e participado. E aí não há que ceder, sob pena de que cada recuo nosso venha a ser utilizado pelo Ministério para novas investidas, até que os exames finais voltem a ser uma realidade, em todas as escolas do país, tal como o prova a disposição de Cardia em fazer renascer o exame de aptidão.
SOBRE OS TRABALHOS INDIVIDUAIS E AS CLASSIFICAÇÕES
Embora pensemos que o método fundamental de avaliação deva ser o trabalho de grupo, deve haver a possibilidade de se realizarem trabalhos individuais, no caso de alguma turma ou algum estudante o requerer (caso dos estudantes trabalhadores). Mas, em última instância, nunca poderá ser o professor, por si só, a decidir da feitura de trabalhos individuais, qualquer que seja a sua forma.
Por outro lado, é necessário estabelecer o controlo estudantil sobre as classificações, sejam elas parciais ou finais, cabendo à turma a última palavra, em caso de existirem divergências e levando em conta factores como a qualidade dos trabalhos produzidos, o grau de participação nas aulas, a frequência a estas,etc.
No que respeita ao sistema de classificação propriamente dito, deve-se manter o esquema do não-apto/apto escalonado, nas escolas em que exista, estabelecendo um equivalente numérico para fins oficiais (na escala de zero a vinte) para cada escalão. Esta é, no actual momento, a única modalidade que não comprometerá a saída profissional dos estudantes.
Mas, para evitar o isolamento das escolas umas em relação às outras, importa que se realizem contactos entre comissões, de professores e estudantes ou AAEE e CDs representativos das faculdades do mesmo curso de Lisboa, Porto e Coimbra para estabelecer, tanto quanto possível, critérios uniformes na avaliação de conhecimentos
É NECESSÁRIO DERROTAR A POLÍTICA DO MEIC!
Cardia ataca de uma forma central os interesses dos estudantes. Sem qualquer tipo de consulta às escolas, tomou, as suas decisões!
Encorajado pela vitória, que alcançou, aquando da aplicação do decreto de gestão Cardia quer ir mais longe. A sua missão ainda não está terminada; ele deve repor a "ordem" nas escolas, deve devolver aos professores o seu, estatuto de seres infalíveis e autoritários, deve obrigar os estudantes a uma passividade total. Apesar de tudo, ainda não o conseguiu, Por isso continua a tentá-lo, recebendo o aplauso incondicional dos partidos burgueses (PSD e CDS) que dizem, com razão, que Cardia aplica a política deles.
De facto, a política do PS para o ensino é o prolongamento da sua acção geral contraias conquistas arrancadas pela mobilização de massas. Também ao nível das empresas, Sá Carneiro e Freitas do Amaral, tal como os seus amigos fardados (Eanes e companhia) contam com o governo para "pôr a casa em ordem"... O apoio, do PS nos trabalhadores e nos estudantes e a esperança que a constituição do seu governo criou em centenas, de milhares deles, e serviu de garantia à burguesia para que não houvesse a resposta que se impunha aos ataques governamentais.
O governo de Soares e de Cardia tem aplicado em vários da sociedade importantes medidas que a burguesia proclamava, sem que esta se comprometesse aos olhos da população. Os resultados estão à vista; a política de austeridade do governo fez com o PS perdesse direcções sindicais e os ataques de Cardia à autonomia das escolas acabaram por fazer a JS descer brutalmente os seus resultados eleitorais. Tanto num caso como noutro há uma constante que se mantém: é o PPD, partido burguês, quem ganha os postos anteriormente ocupados pelo PS...
A uma acção direitista deve corresponder um partido de direita consequente... É isto que se tem passado no movimento estudantil! É este o preço da política burguesa do PS!
É pois, urgente derrotar essa política, nomeadamente no que toca à avaliação de conhecimentos, para isso, basta que não hesitemos em lançar a mobilização contra a política do MEIC, discutindo nas turmas, nos turnos e ao nível geral de cada escola a questão das avaliações e que todas, as correntes que se afirmam progressistas e dizem defender os interesses dos estudantes lutem contra a portaria e defendam, em cada escola, às conquistas alcançadas.

- PELA REVOGAÇÃO DA PORTARIA 90/77   
- PELO TRABALHO DE GRUPO                         
- POR UM ENSINO-CRITICO E PARTICIPATIVO            
- PELO CONTROLO ESTUDANTIL

Comissão Nacional Estudantil LCI
20/3/77                        

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