sábado, 18 de março de 2017

1977-03-18 - PONTO DA SITUAÇÃO DAS NEGOCIAÇÃO DO CONTRATO COLECTIVO DE TRABALHO ÚNICO E VERTICAL/TÊXTIL. - Sindicatos

Sindicato Têxtil do Distrito de Braga
— SEDE EM GUIMARÃES —

PONTO DA SITUAÇÃO DAS NEGOCIAÇÃO DO CONTRATO COLECTIVO DE TRABALHO ÚNICO E VERTICAL/TÊXTIL.

COMPANHEIROS:
Como é do conhecimento de todos vós, no passado Sábado, dia 12-3-77, foi acordado a cláusula 3ª depois de dura e longa luta que custou sacrifício a milhares de trabalhadores e, para muitos, processos disciplinares, suspensões, despedimentos, ameaças e agressões. A Verdade é que os trabalhadores VENCERAM.
Na Quarta feira, dias 16 e 17, a Comissão Negociadora Sindical apareceu em Lisboa no Ministério do Trabalho, para continuar as negociações como tinha ficado acordado.
Entretanto camaradas; foi triste o espectáculo que se verificou em Lisboa.
1º - Os Patrões (Comissão Negociadora patronal), que dizem ter muito que fazer, no dia 16 (Quarta Feira) recusaram-se a Negociar dizendo que enquanto a fábrica "SICOR" estivesse em greve não negociavam. Queriam que a Comissão Negociadora Sindical desse uma ordem para que os trabalhadores parassem a greve como que os Sindicatos fossem os patrões dos trabalhadores.
Estivemos a atura-los, com estes miseráveis argumentos, desde as 10 horas de manhã até às 23 horas e 30 da noite.
2º - Na Quinta Feira recomeçaram as negociações com a Cláusula 4 do Contrato, e então começamos a ver hora a hora o que queriam e o que querem os patrões: Durante cerca de 6 horas de negociações (?) se ficou acordada na totalidade a Clausula 8, das restantes Clausulas - da 4 à 17 - se ficaram acordados alguns pontos.
CAMARADAS: Na Quarta e Quinta Feira, dia 16 e 17 desmascaram-se totalmente. O porta-voz dos patrões, Sr. Barroso, que veio dizer para a Televisão que não queriam roubar as regalias; provou à mesa das negociações que foi mentiroso e desonesto.
Os patrões querem:
a) - Que os patrões passem a ter 60 dias em vez de 30 para responder às propostas de negociações de novos Contratos propostos pelos Sindicatos.
b) - Que o Contrato seja negociado por vários períodos de 30 dias e não no máximo de 60 dias, como já existe nos Contratos actuais.
c) - Que a arbitragem (decisões sobre Cláusulas que não haja acordo) seja composta por 3 árbitros e não por 7 como querem os Sindicatos.
d) - Que não seja possível alterar qualquer Cláusula ou corrigir enquanto a vigência do Contrato não acabar, regalia já existente nos Contratos actuais.
e) - Querem ser eles a dizer qual o número de Delegados Sindicais a eleger nas Fábricas.
f) - Querem que os patrões não sejam obrigados a deixar os Dirigentes Sindicais a entrar nas Fábricas.
g) - Querem poder interferir na vida Sindical desde que não seja na sua fábrica.
h) - Querem poder mudar os Delegados Sindicais de secção para os afastar dos trabalhadores que os elegeram.
i) - Querem por só 10 (dez) horas para os Delegados Sindicais reunirem, roubando assim outras 10. Actualmente o nosso Contrato dá 20 horas/mês.
j) - Querem retirar a obrigação de cederem uma sala para os Delegados Sindicais reunirem, nas empresas com menos de 50 trabalhadores;
1) - Não querem que os Sindicatos tenham poderes para convocar reuniões cor os trabalhadores.
m) - Querem que os trabalhadores só tenham 15 horas em vez de 30 para reunirem em plenário na empresa, roubando assim 15 horas.
n) - Querem tirar o poder aos Delegados Sindicais de interferir junto das creches, processos disciplinares, refeitórios, sabotagem económica, etc....
o) - Querem que o tempo gasto nas reuniões com as Administrações das empresas seja descontado no crédito de horas aos Delegados Sindicais.
Companheiros: Numa palavra só, os patrões querem roubar, nestas Cláusulas tudo quanto os trabalhadores conquistaram.
Ao ver tal comportamento, a Comissão Negociadora Sindical decidiu continuar as negociações na próxima Quarta e Quinta Feira, dias 23 e 24, para poder de seguida, consultar os trabalhadores e ver o que se deve fazer.
Uma coisa é certa: Os trabalhadores não serão atraiçoados pela Comissão Negociadora Sindical.
Desde já companheiros, reorganizemo-nos nas fábricas para respondermos às provocações do patronato.
Os trabalhadores deram todas as oportunidades aos patrões para que o Contrato fosse negociado com honestidade e justiça; são agora os patrões que vêm provocar.
OS TRABALHADORES SABERÃO RESPONDER COM TODA A SUA FORÇA ÀS SUAS PROVOCAÇÕES.
PELA UNIDADE DOS TRABALHADORES EM VOLTA DO SEU CONTRATO! CONTRA O BOICOTE DOS PATRÕES À NEGOCIAÇÃO CONTRA A RETIRADA DE REGALIAS!

18 de Março de 1977
A DIRECÇÃO

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