quarta-feira, 8 de março de 2017

1977-03-08 - Unidade Popular Nº 110 - PCP(ml)

Cunhal não desiste de minar as Forças Armadas
Jornal clandestino social-fascista na Região Militar do Sul

Vida Militar. Assim se chama um dos jornais clandestinos com que o partido social-fascista revisionista de Cunhal provoca a desestabilização no seio das Forças Armadas. Destinado à Região Militar Sul, a existência deste jornal constitui uma prova que apenas vem dar razão e força à corajosa denúncia das infiltrações sociais-fascistas feita recentemente pelo brigadeiro Hugo dos Santos. Afirmava ele acreditar que o fenómeno não se circunscrevia apenas à Região Militar Centro, de que é Comandante, mas que seria «de âmbito mais vasto». Unidade Popular, ao apresentar tal prova, contribui para destruir a já fraca argumentação do partido social-fascista quando diz que «tais afirmações são destituídas de qualquer fundamento».
O jornal clandestino Vida Militar - que pelo próprio facto de ser clandestino já é, não só um elemento de desestabilização, como implica igualmente a existência de uma rede de distribuição e de uma organização centralizada - obviamente, não se apresenta como órgão do partido cunhalista. No entanto, a assinatura social-fascista cunhalista está ali bem escarrapachada da primeira à última página.
Destinado à Região» Militar Sul, que coincide em grande parte com a zona de intervenção da «reforma agrária» social-fascista, o objectivo dominante da propaganda que difunde é induzir os militares das unidades situadas no Alentejo a recusarem-se a participar em eventuais acções de restabelecimento da ordem democrática, nas quais sejam chamadas a colaborar. Em especial para impedir as desocupações previstas pela lei e determinadas pelo Governo constitucional. Vejamos uma passagem elucidativa, contida no intitulado Suplemento-Reforma Agrária deste primeiro número de Vida Militar, num estilo que se pode ler com frequência no social-fascista Diário da manhã e no Avante!, passagem igualmente denunciadora das palpáveis infiltrações na GNR: «Para levar por diante esta política anti-operária, serve-se o Governo da GNR; No entanto já muitos soldados da GNR têm mostrado não querer colaborar nesta política anti-constitucional, protegendo pela força das armas os agrários contra os trabalhadores.
«Os agrários e o Ministro Barreto constataram isso mesmo, por isso querem, agora, utilizar as Forças Armadas. Tentam fazer intervir no Alentejo forças especiais, constituídas por marginais e retornados expulsos das ex-colónias pela sua acção contra-revolucionária».
É claro que, como não podia deixar de ser, neste suplemento como ao longo das oito páginas do pasquim, «a Constituição», «a defesa da constituição», «o cumprimento da Constituição», «a defesa das conquistas contidas na Constituição», são incessantemente invocadas e repetidas pelos novos latifundiários fascistas numa notória e já estafada demagogia destinada a cobrir com um ar «progressista» e «democrático» as intenções desestabilizadoras e sabotadoras dos mais ferozes inimigos do progresso social e da democracia.

Os sociais-fascistas fomentam a indisciplina
Outro dos objectivos deste órgão militar clandestino do partido social-fascista é preparar o campo, promover, e dar o seu aval a acções de indisciplina e sabotagem, como levantamentos de rancho, recusas colectivas e outro tipo de revoltas localizadas. No entanto, para não aparecerem comprometidos directamente nas acções de indisciplina contra o «militarismo fascista» onde participam e que promovem, procuram apresentar-se como grandes «defensores» da disciplina e atirar as culpas para os «esquerdistas» - PRP, «PCP(R)»-UDP, MRPP - que eles próprios manobram à vontade. Esta foi a táctica usada no 25 de Novembro, que agora é de novo ensaiada. Assim, enquanto num artigo escrevem que «não podemos ceder à miragem esquerdista da contestação da disciplina» ou «quem vos convida à indisciplina pela indisciplina, procura distrair a vossa atenção da missão patriótica da defesa da Constituição da República» (!), noutro artigo denunciam as actuações de um sargento «militarista» do Regimento de Cavalaria de Estremoz, afirmando que «são um foco de revolta, que conduz à indisciplina» e, é claro, «favorece a direita». A propósito, lembramos que no recente e tão falado levantamento de rancho em Estremoz o único oficial detido, em consequência, foi um aspirante, por coincidência, militante da união dos estudantes sociais-fascistas, «UEC», apesar de ter sido o PRP a aparecer externamente como o instigador da indisciplina... Noutro artigo, sobre um caso passado no Regimento de Infantaria de Elvas, eles esclarecem quem duvide da sua própria participação nas acções de indisciplina, dizendo «ainda está bem na nossa memória a necessidade que tivemos de fazer um levantamento de rancho»... Novamente, por coincidência, Elvas foi também, há bem pouco tempo, cenário de outra provocação social-fascista.
Não há dúvida de que, com esta prova concreta da participação activa do partido social-fascista de Cunhal na desestabilização militar e todas as outras que as autoridades militares não podem deixar de ter, quando Vasco Lourenço vem dizer que «está mais preocupado» com as infiltrações dos «sectores reaccionários de direita, dos sectores fascistas», até parece que tem andado a ler a Vida Militar...
O PCP(m-l), ao denunciar as infiltrações sociais-fascistas nas Forças Armadas, ao exigir a tomada de medidas repressivas contra todos os militares, sejam eles soldados ou oficiais, que se revelem agentes sociais-fascistas, não acredita, no entanto, no apoliticismo das Forças Armadas. Para combater eficazmente o social-fascismo e fazer ruir os seus planos de controle, desmembramento ou destruição dos meios militares actualmente existentes para garantir a defesa nacional em caso de uma agressão social-imperialista russa e de guerra mundial, é preciso política nos quartéis.
Essa política é a política da independência nacional e da democracia. É a política que leva todos os militares a compreender que a defesa da independência nacional e da democracia exige da sua parte o respeito pela hierarquia no exército e o cumprimento consciente da disciplina em que este assenta; que os ensina a denunciar e a combater sem complexos os vende-pátrias sociais-fascistas, a soldo do social-imperialismo russo. É a política que leva os comandos militares a compreender que a defesa da independência nacional e da democracia exige que existam condições de vida digna, humanas, materiais e intelectuais, no seio das unidades sem as quais eles não estarão em condições de lutar.
Em suma, esta política praticada conscientemente nas Forças Armadas é a melhor arma de que os militares disporão para defenderem a Pátria dos seus piores inimigos.

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