terça-feira, 7 de março de 2017

1977-03-07 - Juventude Revolucionária Nº 06 - I Serie - UJCR

EDITORIAL
A juventude força activa no movimento popular

Cada vez se torna mais descarada a política reaccionária do Governo social-democrata do Dr. Soares, e a sua cedência cada vez maior à escalada fascista dos patrões da CAP e da CIP. O Governo PS vem demonstrando aos olhos de todo o povo a sua verdadeira política; agravar desesperadamente a situação económica dos trabalhadores da cidade e do campo, arruinar os pequenos comerciantes, que por sua vez são obrigados a lançar no desemprego milhares de jovens que aí trabalham, arruinar os pequenos industriais, proprietários de empresas "não viáveis", onde a situação da juventude operária é semelhante, cedendo em toda a linha aos planos reaccionários do CDS e PPD e do imperialismo.
Com a recente medida da desvalorização do escudo, no que é que os trabalhadores e o povo podem ser afectados? São os preços dos produtos de primeira necessidade, que em grande parte são enviados do estrangeiro, aumentarem de imediato. A dívida que o Governo tem com os americanos e alemães de cerca de cem milhões de contos, aumentará de imediato para mais de cento e quinze milhões. O poder de compra passa a ser menor porque os salários estão na mesma, a mão de obra torna-se mais barata, permitindo aos imperialistas uma exploração maior dos trabalhadores, como a que era praticada antes do 25 de Abril. Numa frase só: ceder às pressões do imperialismo e embarcar na táctica dos reaccionários do CDS e PPD, para a criação do Governo de "salvação nacional" antecâmara certa para o fascismo. Senão vejam-se as afirmações de Freitas do Amaral, no seu estilo de "oposição civilizada", que achou que estas medidas deveriam ter sido tomadas há mais tempo.
PARA O POVO SER LIVRE, HÁ QUE REPRIMIR OS FASCISTAS
Enquanto tudo isto é feito a rede bombista contínua as suas acções contra a juventude e o povo, fazendo rebentar recentemente bombas no Instituto Superior Técnico, no lar universitário feminino "Domus Nostra", na Caixa dos Serviços Médicos de Lisboa, etc. A isto podemos juntar as declarações do fascista Pires Veloso, que nas comemorações do 25 de Novembro teve a seu lado, o seu homólogo, o bombista Mota Freitas, e disse não trair amigos de longa data, assim como a saudação enviada por ele, aos fura-greves da Riopele.
Tudo isto se passa com a cumplicidade do Governo soarista. Manuel Alegre, depois de muitos discursos sobre a propaganda fascista na imprensa, permite anúncios na Televisão incentivando a compra dum livro sobre a vida do sanguinário ditador Salazar, escrito pelo seu antigo ministro Franco Nogueira, permite também que o pas­quim fascista "A Rua" publique, em toda a sua primeira página, um artigo (com fotografia de Salazar e tudo) sobre o dito livro.
É necessário que a juventude trabalhadora, lado a lado com o povo pobre, erga um amplo movimento de massas pelo desmascaramento da política reaccionária do governo. Erguer a luta contra os PIDES e bombistas em torno do "Tribunal que julgue a PIDE" lançado pela AEPPA. Exigir a libertação do estudante anti-fascista Rui Gomes, preso há 18 meses sem culpa formada.
OS RICOS QUE PAGUEM A CRISE
Continua activo o movimento grevista em todo o país. Nas últimas semanas a juventude e os trabalhadores têm-se levantado para que sejam os ricos a pagarem a crise que eles próprios criaram.
A luta dos trabalhadores da Função Pública, que se viram traídos pela direcção sindical cunhalista. Na Função Pública, jovens trabalhadores vêem-se privados de aumentos dos seus magros salários, sob a alegação de que não têm letra. São os trabalhadores do Comércio, a quem o Governo quer roubar regalias conquistadas através da luta, ainda durante a ditadura fascista. Se esta medida for aplicada os jovens trabalhadores do Comércio ver-se-ão privados de estudar à noite, isto é do direito ao ensino, e as suas más condições de estudo serão muito mais afectadas. Não menos afectados são os jovens operários e operárias têxteis que pelo andar da Comissão Negociadora Sindical verão a sua luta derrotada devido à permanente conciliação desta. A juventude têxtil deve continuar a levar para as assembleias sindicais as propostas aprovadas nas fábricas no sentido de unir cada vez mais a classe e elevar a luta a formas superiores.
A luta do nosso povo vem demonstrando cada vez com maior intensidade, que só com uma justa direcção revolucionária podem alcançar a vitória.
Sem o desmascaramento do carácter traidor dos revisionistas às massas da juventude e do povo, não haverá qualquer possibilidade de conduzir revolucionariamente as lutas de massas.
Levar cada vez mais à massa da juventude portuguesa as bandeiras de luta da UJCR, contra a recuperação capitalista, o fascismo, a miséria e o imperialismo.
A luta da juventude trabalhadora e estudantil está em oposição frontal à política do governo soarista, que cada vez mais serve os grandes agrários, os capitalistas e o imperialismo.
A luta da juventude trabalhadora e estudantil encaminha-se decididamente na direcção do Governo do 25 de Abril do Povo.

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