quinta-feira, 2 de março de 2017

1977-03-02 - ERGAMO-NOS CONTRA a FOME a MISÉRIA e o DESEMPREGO - PCTP/MRPP

PARTIDO COMUNISTA DOS TRABALHADORES PORTUGUESES (PCTP/MRPP)

ERGAMO-NOS CONTRA a FOME a MISÉRIA e o DESEMPREGO

À CLASSE OPERARIA!
AOS TRABALHADORES RURAIS!
A TODO O POVO TRABALHADOR DE OURIQUE!

Desemprego, miséria e fome, eis o que os sucessivos Governos Provisórios e o actual Governo do Dr. Soares têm para dar ao Povo.
Para este Governo dito "socialista" a situação é clara. Trata-se de superar a crise económica da burguesia à custa de um aumento desenfreado da exploração de quem nada tem e vive unicamente do seu trabalho. É nesse sentido que, ainda recentemente, tomou todo um conjunto de medidas políticas e económicas com o apoio de todos os partidos da burguesia desde o CDS ao PCP. É a desvalorização da moeda, é o aumento dos preços dos produtos de primeira necessidade, são as indemnizações aos monopolistas e capitalistas; e em suma o procurar levar os trabalha dores a pagar a crise que não provocaram.
O que se passa na nossa vila é um exemplo claro e típico de tal política reaccionária.
O despedimento dos trabalhadores da Câmara de Ourique sob a desculpa de que não há dinheiro, é uma pequena amostra dos objectivos que animam a cabeçadas governantes "socialistas" e que têm o apoio de toda a casta de oportunistas vistam-se de "democratas" ou de falsos "comunistas".
Dizem que não há dinheiro... Há não?
Mas já há dinheiro para as passeatas do "caixeiro viajante" vender o nosso País aos imperialistas; há dinheiro para pagar indemnizações aos latifundiários e conceder-lhes empréstimos, enquanto cortam o crédito às UCP; há dinheiro para a GNR e para o exército da burguesia; há dinheiro para os presidentes das Câmaras ganharem chorudos ordenados; há dinheiro para manterem aqueles que já têm os bolsos cheios na Câmara de Ourique, e havia dinheiro para fazer obras em Ourique apenas para turista ver.
Toda a espécie de demagogos e falsos amigos do Povo, pretenderam que acreditássemos que as Câmaras e as Juntas são órgãos que podem estar ao serviço do Povo(?). O despedimento dos trabalhadores da Câmara de Ourique, de Castro Verde ou de Almodôvar, é a demonstração de que tais órgãos são os executores da política dos "nossos" governantes, isto é da política de explorar o Povo, e que jamais poderão servir os interesses das massas trabalhadoras. Eis assim, como a máscara lhes cai.
Trabalhando por conta da Câmara, sem contrato, com ordenados de miséria, sem direitos a nenhumas regalias - nem 13º mês, nem subsídio de férias - e acabando por serem mandados para o desemprego sem nenhuma indemnização, os trabalhadores vão perdendo as ilusões nesses vendedores da banha da cobra.
Como é que agora vão viver com os miseráveis dois contos do subsídio de desemprego e com um custo de vida que aumentou mais 40%? - Esse dinheiro nem dá tão pouco para comprar o pão que subiu para o dobro!
Para o Sr. Soares a para o Sr. Ramiro Sobral, este problema não os preocupa. Nem outra coisa era de esperar de quem desencadeia ataques contra a Reforma Agrária Camponesa, contra as Cooperativas e contra os trabalhadores rurais, como foi o caso do ataque à herdade dos Currais.
Nessa altura o Presidente da Câmara dizia que não haveria problema, que o pessoal viria trabalhar para a câmara, Ou seja, tratava de mandar ainda mais depressa para o desemprego. - A família protege-se sempre.
A situação dos trabalhadores da Câmara de Ourique, é a situação dos 600 mil desempregados do nosso País, é a situação de todo o Povo oprimido e explorado.
Há desemprego, mas há muito que fazer. Há casas a fazer, há barragens, e terra para ocupar. Mas enquanto a burguesia estiver no poder, a aplicar os programas dos Vascos, dos Soares, ou dos Ramiros a situação altera-se apenas para pior.
Há que ver a situação claramente, e perder as ilusões em quem prega a paz entre quem trabalha e quem vive à custa dos que trabalham.
Se o inimigo nos declarou guerra, nós temos de escolher se a vamos travar dispersos se unidos e organizados. Se vamos com o um programa e um Estado-Maior,
Só com direcção, unidade, organização e programa próprio; só sob a direcção de um Estado-Maior que agrupe o que há de mais avançado no seio da classe Operária, os trabalhadores da Câmara de Ourique os trabalhadores rurais e todo o Povo trabalhador poderão alcançar a vitória.
Cerremos fileiras sobre a rubra bandeira do Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses, a vanguarda da Classe Operária conduzirá à vitória,
VIVA A CLASSE OPERÁRIA!
VIVAM OS TRABALHADORES RURAIS!
VIVA A REFORMA AGRARIA CAMPONESA!
ERGAMO-NOS CONTRA A FOME A MISÉRIA E O DESEMPREGO!

Ourique, 2 de Março de 1977          
Simpatizantes do PCTP/MRPP de Ourique

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