sábado, 4 de março de 2017

1977-03-00 - VIVA A ANARQUIA MORTE AO SALARIATO E AO ESTADO - Anarquistas

VIVA A ANARQUIA
MORTE AO SALARIATO E AO ESTADO

Mais uma vez, os defensores do capitalismo de Estado, os partidos políticos de esquerda e a burocracia sindical, irão realizar, no dia 1º de Maio, aqui lo que eles designam por Festa do Trabalho. Os políticos profissionais, a casta dirigente sindical, os doutores e engenheiros ditos progressistas, os militares, os sociólogos das lutas dos outros, a Academia e outros elementos das classes médias, que constituem, boje, a "elite" do movimento operário oficial, irão, como é costume, fazer do 1º de Maio uma festa de glorificação da condição proletária, isto é, da escravidão do trabalho assalariado. Visando, através das estatizações (nacionalizações) das empresas, ocupar o lugar e adquirir os privilégios da burguesia tradicional, os sectores das classes médias que se arvoram em dirigentes e educadores do proletariado, com o fim evidente de utilizá-lo como tropa de choque, não podem deixar de dar ao 1º de Maio um carácter diferente.
Só um movimento operário reformista, um movimento que não ponha em causa o salariato e o Estado, é compatível com a condição social e as aspirações dos sectores das classes médias auto-intitulados dirigentes da luta proletária. Não só a burguesia tradicional, os patrões, os grandes proprietários de terras, etc., mas também as diversas "vanguardas proletárias” não podem suportar um movimento revolucionário dos trabalhadores que vise suprimir a divisão dos homens entre os que mandam trabalhar os outros, os que governam ou dirigem, e os que realmente trabalham. Uma revolução que acabe com o salariato e o Estado, substituindo-os pelo auto-governo dos produtores iguais e livremente associados, acaba também com as "vanguardas operárias".
OPERÁRIOS, CAMPONESES, TRABALHADORES, COMPANHEIROS:
Já há muito tempo que as classes exploradoras mudaram de táctica em relação ao 1º de Maio. Desde há muito tempo que em quase todos os países o 1º de Maio, em vez de ser proibido e reprimido, passou a ser autorizado e, com a ajuda dos sindicatos reformistas e das diversas correntes do socialismo autoritário, foi transformado numa espécie de festarola folclórica em que o papel do escravo assalariado nesta sociedade é elogiado. Já na França do fascista Pétain, na Alemanha de Hitler, na Itália de Mussolini e na Espanha de Franco, o 1º de Maio foi autorizado como festa do trabalho assalariado. Para conseguirem a resignação dos explorados, as classes dominantes passaram a elogiar o papel nesta sociedade do trabalho. (#) Escondendo a natureza anarco-sindicalista da luta que esteve na origem do 1º de Maio, elogiando os "mártires" de Chicago, elogiando, portanto, os anarquistas mortos, mas caluniando e reprimindo os anarquistas vivos, as classes dominantes transformaram este dia num instrumento de submissão dos explorados e oprimidos.
COMPANHEIROS:
O 1º de Maio não era um dia de festa. Era um dia de luta dura, muitas vezes sangrenta, pela satisfação das reivindicações operárias mais prementes, como a do horário das 8 horas.
O 1º de Maio não era um dia de luta pela independência nacional, como querem que o seja os jovens burgueses das academias. O 1º de Maio não era uma manifestação patriótica. O 1º de Maio era um dia de solidariedade internacional, um dia em que as organizações revolucionárias; apelavam à união dos proletários de todo o mundo contra o capital e os Estados nacionais.
No 1º de Maio não havia paradas militares, como, hoje, existem nos países de capitalismo de Estado, nem era uma manifestação de apoio a qualquer exército. Alguns 1ºs de Maio foram, sobretudo, jornadas de luta anti-militarista, jornadas em que os trabalhadores de vários países opunham o internacionalismo proletário à sua utilização como carne para canhão nas guerras inter-imperialistas.
Antigamente, no 1º de Maio, os trabalhadores não desfilavam nas ruas como carneiros e orgulhosos das suas grilhetas. Era um dia de revolta em que os proletários lutavam pela sua emancipação do jugo do capital e da tutela do Estado. O 1º de Maio era promovido por organizações do tipo da antiga Confederação Geral dos Trabalhadores francesa que proclamava nos seus estatutos a ABOLIÇÃO DO SALARIATO.
COMPANHEIROS:
É necessário opormo-nos à fantochada contra-revolucionária em que o 1º de Maio foi transformado e impedirmos as falsificações da história das lutas sociais revolucionárias. Nós pensamos que a reposição da verdade sobre as lutas sociais passadas é, hoje, uma tarefa revolucionária premente. Ela destruirá os mitos que impedem, no presente, a eclosão da revolução social. É necessário que os trabalhadores e a juventude saibam a verdade sobre a Revolução Francesa, a verdade sobre a Comuna de Paris, a verdade sobre a Revolução Russa, a verdade sobre a luta dos camponeses anarquistas da Ucrânia, a verdade sobre a Comuna de Cronstadt, a verdade sobre a Revolução Espanhola, a verdade sobre a origem e a natureza do 1º de Maio, etc, etc. Não para fazer festas comemorativas nem para fazer o culto da carne morta. Mas, sim, para deitar abaixo os aldrabões que, hoje, constituem o grande obstáculo à acção directa e revolucionária dos explorados e oprimidos.
ABAIXO O REFORMISMO! VIVA O ANARCO-SINDICALISMO!
MORTE AO ESTADO! SUPRESSÃO DO SALARIATO!
VIVA A REVOLUÇÃO SOCIAL! VIVA A ANARQUIA!

Março de 1977

Grupos anarquistas: "A Ferro e Fogo”, "Lanterna Negra”, “Liberdade”, "Núcleo de Intervenção Anarquista", "Os Revoltados" e "Os Solidários”, e individualidades anarquistas
★★★★★★★★★★
POR UM 1º DE MAIO LIBERTÁRIO
concentração anarquista
•Comício Público e Contraditório*
 Praça da Figueira 16.30 h

(#) - A palavra trabalho deriva da palavra latina tripalium que significava instrumento de tortura.

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