segunda-feira, 27 de março de 2017

1977-03-00 - A VIDA DE ALDO ARANTES EM PERIGO - Movimento Estudantil

A VIDA DE ALDO ARANTES EM PERIGO
Mais um crime da ditadura brasileira!

SALVEMOS ALDO ARANTES
Prosseguindo nos seus crimes contra, o Povo Brasileiro, a ditadura militar fez assassinar a 16 de Dezembro de 1976 3 revolucionários anti     fascistas ao mesmo tempo que foram presos mais doze anti-fascistas, sendo o executor destes crimes o II Exército do Brasil cujo comandante, Dilermando Gomes Monteiro faz afirmações como: - “quem se diz comunista não é brasileiro", também o general Sérgio Arv Pires preconiza a condenação geral de todos os "elementos desviados de todos os seus reais misteres que se juntam aos contestadores da ordem espiritual e desviam o Povo dos verdadeiros caminhos da fé". Também o general Araripe Macedo, ministro da aeronáutica, na sua fúria assassina comum aos generais fascistas, faz declarações como a seguinte: “... só há uma maneira de enfrentar o movimento comunista, com coragem e máxima energia, porque os comunistas só respeitam o argumento da força…”.
Para ver a que selvagens torturas estão a ser submetidos os presos anti-fascistas basta ver que o governo fascista nomeou para dirigir as investigações Sérgio Fleury, conhecido assassino comandante do "Esquadrão da Morte".
Segundo informações do advogado do Aldo Arantes, um dos que foram presos em 16 de Dezembro — Aldo Arantes foi eleito presidente da União Nacional dos Estudantes do Brasil em 1961, tendo-se banido nesse mesmo ano contra a tentativa de golpe de estado dos militares e participou, com todos os estudantes, na denúncia do golpe militar fascista de 1964 — e segundo uma carta que o mesmo advogado enviou ao ministro da justiça e que foi publicada na imprensa, Aldo Arantes tem sido submetido a uma tortura selvagem por elementos da polícia militar que o espancam sistematicamente nos pés e braços chegando ao ponto de já não poder andar, nem sequer deitar-se, tendo perdido já vinte quilos de peso.
Ultimamente soube-se que, para preparar o seu assassínio, a ditadura fascista propôs a Aldo Arantes que comparecesse na televisão (com maquilhagem que escondesse as marcas das torturas) para renegar todo o seu passado de luta anti-fascista e todas as suas posições políticas, caso ele recusasse seria executado.
Isto mais não foi do que preparar a sua execução, porque Aldo Arantes, dando provas da sua dignidade e de firmeza nas suas posições políticas, recusou-se a participar nesta farsa encenada pelos seus carrascos e, neste momento, encontra-se portanto em perigo de vida.
O Centro de Estudos Anti-Imperialistas apela a todos os estudantes anti-fascistas que intensifiquem o seu apoio à luta que Aldo Arantes e os outros anti-fascistas "brasileiros travam agora na prisão contra os assassinatos que a ditadura pretende levar a cabo.
Aprovemos em todas as Assembleias moções de denúncia e protesto e enviemo-las para a Embaixada Brasileira em Lisboa, para a Associação dos Ex-presos Políticos Anti-Fascistas ou para o Centro Estudos Anti-Imperialistas
Salvemos a vida de ALDO ARANTES e de seus Companheiros!
LIBERDADE para os presos políticos do Brasil!
AMNISTIA GERAL!

DENUNCIAS DE selváticas torturas e desaparecimentos
A tortura selvagem a que tem sido submetido Aldo Arantes abate-se também sobre os outros antifascistas presos, como foi afirmado por Louis Joinet e Mário Stasi num relatório enviado à Comissão de Direitos da O.N.U.
Louis Joinet, antigo presidente do Sindicato da Magistratura francês, deslocou-se ao Brasil juntamente com Mário Stasi em representação do Movimento Internacional de Juristas Católicos e da Comissão "Justiça e Paz" dependente do Vaticano para averiguar se era praticada a tortura e se havia desrespeito pelos direitos do homem.
Este advogado deu, no dia 4 deste mês, uma Conferência de Imprensa em Lisboa, organizada pela Comissão de Solidariedade com os antifascistas brasileiros presos. Estavam presentes na Conferência Lopes Cardoso, Acácio Barreiros e António Bento pela Comissão de Solidariedade.
Nesta Conferência Louis Joinet, denunciou a ilegalidade completa em que assenta o regime brasileiro, a repressão terrorista que exerce sobre o Povo, as massas trabalhadoras e os antifascistas e inclusivamente sobre a Igreja, denunciou também a censura sobre a imprensa e a tortura de menores presos por crime de delito comum.
Louis Joinet afirmou existirem provas do que os 12 antifascistas presos teem sido selvaticamente torturados como é o caso dos advogados de Aldo Arantes que o viram ferido e com hematomas, o que é confirmado pelo relatório médico.
Foram também denunciadas as torturas sobre os outros antifascistas presos, nomeadamente Vladimir Pomar (filho de Pedro Pomar que foi assassinado) o Elza Monnerat que sofre de uma doença na coluna vertebral e é, apesar disso a mais torturada, sendo o seu estado muito grave.
Foi também denunciado o desaparecimento de Jover Telles (do 55 anos, mineiro e dirigente sindical, antigo deputado federal) e José Novais (de 45 anos, antigo vice-presidente da Confederação Nacional dos Operários Agrícolas) que estavam na casa assaltada pelo 11 Exército em S. Paulo e que a polícia nega terem sido presos, o que faz temer que tenham sido também assassinados.
Sobro o assassinato do João Batista Drumond, que a polícia classificou de Acidente de viação", o Juiz Joinet disse que esta versão, além de manifestamente falsa era "astuciosa" tendo sido impedido de ter acesso ao resultado da autópsia.
O Juiz Joinet referiu e denunciou também o assassinato, o sequestro e a tortura que se abate sobre o clero, porque é cada vez maior o número de padres que apoiam e se juntam à luta do Povo brasileiro contra a repressão. Disto são exemplo o assassinato do padre Burnier, o sequestro de Monsenhor Adriano Hipólito, a prisão e tortura do padre Narboni, preso juntamente com 34 camponeses por terem denunciado a actuação da polícia.
A própria Conferência dos Bispos do Brasil deu já o seu apoio ao relatório elaborado por Joinet e Stasi.
Na Conferencia de Imprensa Joinet denunciou também os diversos, processos que a ditadura utiliza para amordaçar a Imprensa, que chega ao ponto de censurar os próprios anúncios e as palavras cruzadas e proíbe a divulgação de um relatório da O.N.U. sobre a mão de obra feminina.

CRESCE A SOLIDARIEDADE
Neste momento, no Brasil, apesar das declarações dos generais, a luta anti--fascista abarco, cada vez mais largos sectores do Povo Brasileiro. E assim que já não são só ou operários e os estudantes a opor-se ao regime de repressão que se vive no Brasil, também os intelectuais brasileiros se manifestaram contra esse regime, apresentando ao ministro da justiça Armando Falcão um manifesto em que protestam contra a censura, e afirmam: "...Os destinos de um país não são apenas determinados pelos seus governantes. É preciso consultar constantemente o Povo, permitir que, em seu nome, seus artistas possam se expressará.
O manifesto foi entregue no ministério da justiça pelos escritores Hélio Silva Helida Pinon, Lygia Fagundes e Jefferson Ribeiro de Andrade e era assinalo por 1046 intelectuais que pediam (segundo o jornal brasileiro O Globo); "a revogação de actos que impedem a circulação de livros, a apresentação de peças e filmes, e a difusão de músicas e reprimem a liberdade de pensamento e de criação no País". Hélio Silva afirmou ainda que o documento era um ponto de partida e não de chegada".

Texto do documento assinado pelos 1046 Intelectuais Senhor ministro
"Nós, escritores, jornalistas, professores, cineastas, músicos, artistas brasileiros, abaixo assinados, tendo em vista a série de actos praticados sob inspiração e responsabilidade desse ministério, que implicam em restrições à liberdade do expressão e constrangimento da capacidade criadora, denunciamos através deste documento, uma situação que nos é imposta, e com a qual nos defrontamos frequentemente.
"Sob a alegação de que contem "matéria contrária à moral e aos bons costumes", ou com outros pretextos, ou sem justificação alguma, a censura vem retirando da circulação, em escala crescente, um conjunto de obras literárias, teatrais, musicais e cinematográficas.
"Na sequência de inexplicáveis arbítrios, recaiu a censura, recentemente, sobre os livros ARACELLI MEU AMOR, de José Loureiro; ZERO de Ignácio de Loyola Brandão o FELIZ ANO NOVO, de Ruben Fonseca, trazendo mais uma vez revolta e perplexidade aos que se dedicam à actividade intelectual no Brasil.
"Nós, para quem a liberdade de expressão essencial, não podemos ser continuamente silenciados. O nosso amordaçamento há-de equivaler ao silêncio do próprio Brasil e à sua inequívoca conversão em país que muito pouco terá a dizer brevemente.
"Se vem o governo conclamando o Povo Brasileiro a participar da grandeza da Nação, declaramos que esta mesma grandeza também se manifesta através de sua independência cultural.
"Recusamo-nos a abdicar da nossa identidade nacional e da nossa própria memória; repelimos a convivência com a passividade, a apatia, o falso registo da nossa realidade. É necessário a revogação de actos com efeitos de carácter punitivo da actividade intelectual,
"Dirigimo-nos a Vossa Excelência para defender os livros censurados e principalmente para questionar um instrumento arbitrário, repudiado pela inteligência brasileira.
"Os destinos de um país não são apenas determinados pelos seus governantes. É preciso consultar constantemente o povo, permitir que, em seu nome, seus artistas possam se expressar.
"Assim sendo, Senhor Ministro, nós escritores, cineastas, músicos e artistas brasileiros, abaixo assinados, aguardamos a imediata revogação dos actos que impedem a circulação de livros, a apresentação de peças e filmes, a difusão de músicas e reprimem a liberdade de pensamento e de criação no País.

Entre os 1046 intelectuais que assinaram o documento, contam-se:
António Cândido, Prudente Morais, Peto, Óscar Niemeyer, Sérgio Buarque de Holanda, Jorge Amado, António Carlos Jobim, Mário Quintana, Chico Buarque de Holanda, Italo Rosi, Paulinho da Viola, Ruth Escobar, Flávio Rangel, João Felício dos Santos, António Torres, Milton Nascimento, João Bosco, Sidney Miller, Danilo Caymmi, Jorbodansky, José Arrabal, António Carlos Vilaça, Décio Almeida Prado, Paulo Emílio Salles Gomes, Rubem Braga, Murilo Rubião.

JOSÉ DUARTE em LIBERDADE
Tal como neste momento se tem vindo a realizar por todo o mundo uma campanha pela libertação dos 12 antifascistas presos em Dezembro passado, também a libertação de José Duarte se deveu ao grande movimento de solidariedade internacional que se levantou contra a sua prisão. Da mesma maneira que se conseguiu impor aos generais a libertação do José Duarte, só alargando e reforçando a solidariedade para com os antifascistas ainda presos se conseguirá fazer recuar os generais fascistas nos seus intentos do acabar com essas; preciosas vidas.
Ao fim de vários anos de prisão nos cárceres da ditadura fascista de Geisel foi libertado no mês do Janeiro o valoroso combatente antifascista José Duarte.
De origem portuguesa, José Duarte, que conta 74 anos é militante do Partido Comunista do Brasil. O significado desta libertação é para todos os antifascistas motivo de grande alegria. Ela prova que a ditadura está dia a dia mais isolada o que luta do Povo Brasileiro está cada vez mais alargada — o isolamento da ditadura militar leva ao aparecimento de contradições entre os sectores que apoiaram a ditadura desde a sua instauração: Um ministro demite-se e a Associação dos Comerciantes de S. Paulo apela a uma liberalização do sistema.
Segundo declarações de pessoas que contactaram com José Duarte os anos de prisão não apagaram nele o ódio pelos crimes da ditadura e o desejo de prosseguir na luta pela libertação do seu Povo. Apesar das torturas e dos maus tratos, José Duarte disso ao jurista Mário Stasis "Espero viver 30 anos para ver coisas maravilhosas neste Pais”. Esta é a têmpera de um grande lutador antifascista que, apesar da sua idade, se mantém firme na primeira linha da luta contra os ditadores fascistas.

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