domingo, 12 de março de 2017

1977-03-00 - Juventude Vermelha Nº 08 - FJCP(ml)

CONCILIANDO NÃO SE CONSTRÓI A DEMOCRACIA

Agudização da crise económica, manutenção da desestabilização política e da anarquia em vários domínios da vida social.
Apesar de ser esta a situação em que nos encontramos, os conciliadores no poder, aqueles que Ontem prometiam ir «reconstruir o País», lá vão cantando e rindo. Os sociais-democratas do PS, ao invés de aplicarem uma política de salvação nacional, com o apoio de todas as forças democráticas, vão enfeudando cada vez mais o País ao imperialismo e conciliando sempre, sempre, com o social-fascismo. O seu partido transformou-se numa sociedade que procura controlar todos os sectores da actividade nacional e arranjar tachos para os amiguinhos. Que ganha a democracia com isto?
Eles poderão vir a chorar muitas lágrimas de crocodilo se a situação se degradar ao ponto de a democracia ser destruída, mas chorá-las-ão nos seus exílios doirados, enquanto o povo português sofrerá as consequências.
Urge acabar com a demagogia, com os complexos de direita, e lançarmo-nos afincadamente, os vendeiros patriotas e democratas, na tarefa de relançar a economia e salvar a democracia. A via da conciliação e da divisão não é a democracia. Só a tomada de firmes medidas contra os sociais-fascistas e a unidade das forças democráticas nos permitirá levar a cabo a tarefa que temos em mãos.
O contexto internacional em que temos que reconstruir de facto o País é, para todos os que não fecham de propósito os olhos, o de uma avançada sem precedentes e em todos os domínios do social-imperialismo russo. Não se trata de alarmismo nem de profecia barata. Trata-se de pura e simples verificação da expansão militar e das manobras diplomáticas e políticas dos novos czares. E se os conciliadores não acreditam é tempo de verificarem a perfeita coincidência das infiltrações ditas trotskistas no seu partido e, por exemplo, nos seus congéneres inglês e alemão.
A recente actuação dos sociais-fascistas no campo sindical, e não só, deveria abrir os olhos àqueles que agora estão muito preocupados com a «reacção» e até lançam campanhas contra o fascismo. O perigo fascista só será real na medida em que as forças patrióticas não consigam unir-se e recuperar economicamente o País, fazendo face sem mais aquelas aos fautores da instabilidade e da desorganização económica e social.
O objectivo por que agora devemos lutar é a salvaguarda da independência nacional e da democracia. Esta luta faz-se na unidade. Mas tal unidade, a verdadeira unidade democrática é, tem de ser, uma unidade na base da cooperação, que não exclui a luta derivada de diferentes concepções do mundo nem impede o combate à política de conciliação e de divisão a que são estreitas as forças da burguesia nacional. Como é evidente, a JC(m-l) reserva-se o direito não só de criticar as posições dos seus aliados que prejudiquem a luta contra o principal inimigo da independência e da liberdade - o social-imperialismo russo - mas também de defender e propagan­dear o comunismo, ao mesmo tempo que afirma que organizações como a JS e a JSD defendem o capitalismo e o imperialismo ocidental.
Neste momento, em particular nas escolas, existe uma base objectiva muito favorável à unidade dos democratas e ao isolamento dos sociais-fascistas: o sentimento generalizado contra a anarquia e de apoio à política do MEIC. Devemos aproveitar a fundo esta situação e reforçar a unidade nas escolas e em todos os campos. O processo de construção da UNEP é um desses campos, não havendo nele lugar para a conciliação.

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