quarta-feira, 15 de março de 2017

1977-03-00 - BASTA DE MISÉRIA PARA QUEM TRABALHA! - MUP

BASTA DE MISÉRIA PARA QUEM TRABALHA!
HÁ UMA SOLUÇÃO POPULAR PARA A CRISE!

O povo humilde e trabalhador olha o dia de amanhã com preocupação e tem razão! A vida sobe de dia para dia, os salários estão longe de acompanhar essa subida. Devido à sabotagem dos patrões não saem Contratos Colectivos que afectam milhares de trabalhadores, leis anti-operárias são publicadas, pides e bombistas andam à solta.
O que está a passar-se é uma conspiração da direita contra as conquistas democráticas e revolucionárias do povo português, é uma conspiração contra o 25 de Abril!
O governo do Dr. Soares, fazendo suas as exigências da CIP e da CAP, do CDS e do PPD, cria condições para que a direita reaccionária e fascista canalize o descontentamento de sectores do povo contra o processo democrático e revolucionário iniciado com o 25 de Abril. O governo do Dr. Soares, curvando-se às exigências dos imperialistas americanos e alemães-ocidentais, desvaloriza o escudo, aumento o pão, ovos, leite..., apenas tem conseguida endividar o país ao estrangeiro e tornar os pobres mais pobres e os ricos mais ricos.
Será que não há outra saída? O povo português terá que estar dependente de imperialistas, quer americanos ou outros? Terão que ser os trabalhadores a pagar a crise.
O Movimento de UNIDADE POPULAR afirma claramente que existe uma solução popular para a crise. Essa solução não cai do céu, apenas pode surgir através da luta do povo na defesa dos seus direitos e conquistas. Luta sem tréguas contra os fascistas, luta apoiada nos Sindicatos, Comissões de Trabalhadores e Moradores e Comissões de Luta, para resistir às medidas anti-populares do governo e repor em cada caso soluções favoráveis aos trabalhadores.
A solução popular para a crise não pode ser apenas uma resposta taco a taco à conspiração da direita. O povo tem de se mobilizar e lutar para que se constitua um governo que resolva os problemas mais sentidos por todos os que trabalham. Esse governo não pode sair da Assembleia da Republica, pois esta já deu provas de ser um mundo à parte que nada tem a ver com os interesses do povo. Esse governo não sairá de nenhum golpe de palácio, nem de combinações de gabinete, nem de maiorias de esquerda parlamentares, pois governos desses já tivemos seis provisórios e deixaram o país neste estado.
Esse governo terá de ser imposto pelo povo, na luta, que apontará para ele nomes de homens que não traíram os seus interesses e que não estão preocupados em encherem as algibeiras, mas sim em servirem os trabalhadores. Só um governo desses obrigará os ricos a pagarem a crise que provocaram, adoptando para isso as seguintes medidas essenciais:
- Congelamento dos preços dos géneros de primeira necessidade - não ao aumento do custo de vida;
- Criação de novos postos de trabalho - fim aos despedimentos;
- Saída imediata dos C.C.T.'s - aumento dos salários mais baixos e redução dos mais altos;
- Avanço nas nacionalizações, atacando de frente os grandes capitalistas e a propriedade imperialista - defesa intransigente do controlo operário;
- Fim imediato aos despejos - direito a habitação;
- Congelamento das rendas de casa - construção de casas de renda acessível aos trabalhadores;
- Nenhuma indemnização aos grandes capitalistas e latifundiários;
- Avanço da Reforma Agrária, sem concessões aos latifundiários, apoiando activamente as Unidades Colectivas de Produção e Cooperativas e protegendo os pequenos e médios agricultores;
- Protecção aos pequenos rendeiros - aplicação imediata da lei do arrendamento rural;
- Garantia de escoamento dos produtos agrícolas a preços justos - fim aos intermediários parasitas;
- Independência nas relações externas - fora com as bases da NATO - fim à chantagem dos imperialistas.
Esse governo que defenda as liberdades democráticas conquistadas pelo povo trabalhador e imponha a repressão sobre os fascistas, que acabe com os julgamentos fantoches dos pides e apoie um tribunal popular que julgue a pide e o fascismo, e um governo possível e e um governo necessário.
Esse governo e necessário para opor uma forte barreira aos que querem roubar ao povo as suas conquistas.
Esse governo é possível se nas aldeias e nas cidades, nos bairros e nas empresas, nas herdades e nas fábricas, os trabalhadores que não querem o regresso ao 24 de Abril, se organizarem e mobilizarem para através da luta levarem à prática estas medidas, imporem o governo que o povo queria com o 25 de Abril!
- PORTUGAL NÃO ESTÁ À VENDA - NÃO ÀS CONDIÇÕES DE EMPRÉSTIMOS IMPERIALISTAS!
- CARLUCCI, CIA, FORA DE PORTUGAL! - INDEPENDÊNCIA NACIONAL!
- NENHUMA INDEMNIZAÇÃO AOS LATIFUNDIÁRIOS E CAPITALISTAS!
- C.C.T.'s CÁ PARA FORA JÁ! - FIM À SABOTAGEM DA CONTRATAÇÃO COLECTIVA!
- CONTRA A VIDA CARA - CONGELAMENTO DOS PREÇOS E DAS RENDAS!

Porto, de Março de 1977
Comissão Distrital do Porto do MOVIMENTO DE UNIDADE POPULAR

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