segunda-feira, 20 de março de 2017

1972-03-00 - O Comunista Nº 12

ORGANIZEMOS NA LUTA A VANGUARDA DO PROLETARIADO!

“em todas as coisas, nós, comunistas, devemos saber ligar-nos às massas. Será que os membros do Partido poderão tornar-se, úteis seja no que for ao povo chinês se passarem toda a sua existência entre quatro paredes, ao abrigo das tempestades e afastados do mundo? Não, de forma nenhuma. Nós não temos necessidade de tais pessoas como membros do Partido.”
MAO TSE TOUNG
“ORGANIZAI-VOS!”
OBRAS COMPL. TOMO 3 PAG 164

LUTAR EM TODAS AS FRENTES
Assistimos nos últimos anos, à quebra do marasmo da luta popular que caracterizou os meados dos anos 60. A greve da Carris marcou o início de um longo combate que se tem arrastado de uma forma mais ou menos espontaneístas, dada a ausência de organizações capazes de dirigir o processo. Certos movimentos assumiram características inteiramente novas, como por exemplo, as greves de pescadores e as lutas dos estudantes de Coimbra em 69; a combatividade das massas afirma-se progressivamente; período eleitoral e greve da Lisnave em 1969, combates de rua contra a polícia no Barreiro e na Baixa da Banheira em Maio de 1970, manifestações estudantis contra a Guerra Colonial, surto de organização no exército; greves de Norte a Sul, 1º de Maio no Porto, motim popular contra a GNR na Baixa da Banheira, revolta dos operários da Covilhã em 1971, recentemente a greve vitoriosa das operárias da Grundig, etc.
Esta quebra do refluxo que se verificava há anos atrás, auxilia certamente a clarificação das realidades políticas portuguesas, e trouce uma desmistificação real de todas as formas conscientes ou inconscientes do revisionismo. Uma das formas de desmistificar teve o mérito suplementar de ser incontestável – foi a de esse forte movimento das massas trabalhadoras ter possibilitado a criação de novos grupos revolucionários independentes das pseudo vanguardas, colocando assim o dogmatismo, o “dirigismo do exterior” na prateleira das velharias.
Consideramos “dirigismo do exterior” tanto aquele que se processa no exílio, como aquele que nasce dos comunistas em redoma que vivem em Portugal, aqueles “teóricos e conscientes m-l” que se fecham no quarto e nas bibliotecas, exercendo uma “profunda reflexão” sobre as necessidades das massas, e resumindo a sua militância a distribuir notas aos diferentes camaradas e grupos que lutam ou tentam efectivamente lutar contra a dominação burguesa.
Isto significa que o marxismo-leninismo começa a atingir a maturidade e a perder as suas características de frente anti-revisionista, traço que marcou esse movimento desde o início. Mas a confusão e a dispersão continuam a ser as mais dominantes. O esforço teórico tem de ser intensificado, o debate político tem de se abrir e romper cada vês mais com as trevas e o obscurantismo em que os burgueses e a sua guarda avançada, o revisionismo tentaram sufocar o movimento operário.
Este combate ideológico e político, destinado a criar alicerces da futura organização do proletariado e do campesinato, para ser verdadeiramente útil tem de actuar em todas as frentes, dirigir-se a todos os grupos e tendências e não só aos seus. Isto por algumas razões simples: as quais são hoje os grupos verdadeiramente m-l? A inevitável existência de sinceros revolucionários em organizações que hoje nem se afirmam m-l, obriga-nos ou não a desencadear um estudo cada vez maior da demarcação ideológica em relação a todas essas organizações? Por outras palavras; devemos ou não acelerar a agudização das contradições no interior de todas as outras organizações? Nós respondemos pela afirmativa. É assim que entendemos o nosso papel de comunistas lutando pela formação do verdadeiro Partido Comunista M-L. O facto de ultimamente as nossas colunas se dirigirem mais especificamente ao estudo das contradições internas do movimento m-l, não provem senão de uma questão de ordem táctica, a necessidade de forçar os m-l portugueses a abandonar os subjectivismos emperradores do processo de uma possível unificação futura.
Como foi dito no ”C” nº 11, no artigo “Por uma linha comunista (m-l)”, este número do jornal inclui um relatório crítico da actividade dos núcleos “OC” até hoje: este relatório tem como objectivo indicar a evolução política dentro da nossa organização, é auto-critico em vários pontos, e significa uma das nossas contribuições à polémica fraternal que esperamos ver encetada entre os diversos grupos portugueses que se afirmam m-l.

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