terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

1977-02-28 - Luta Popular Nº 527 - PCTP/MRPP

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OS PARTIDOS BURGUESES E A DESVALORIZAÇÃO DO ESCUDO

Como seria de esperar, os diversos partidos burgueses e traidores pronunciaram-se a favor das medidas ditas de austeridade aprovadas no Conselho de Ministros extraordinário de última sexta-feira, particularmente a medida de desvalorização do escudo. Vários dos representantes desses partidos aparentaram um ar de surpresa quando delas tomaram conhecimento — caso do P«C»P e do CDS - afirmando que «iriam estudar» até se pronunciarem sobre tais medidas. Procurem assim escamotear que, se ainda não se expressaram sobre o comunicado final do CM, de sexta-feira, não foi porque o seu conteúdo não tenha merecido a sua prévia aprovação mas simplesmente porque ainda desconhecem qual a parte que, em face dele, lhes cabe no bolo da exploração e da opressão do nosso povo.
Assim, o partido social-fascista somente declarou ter mandado analisar a situação criada, com a desvalorização, por um «grupo de economistas». Mas acaso um partido que defendesse os interesses do povo (o que não sucede com o P«C»P) precisaria da reunir todos os seus «especialistas» (leia-se: toda a série de corruptos e delatores vegetando rias administrações das empresas nacionalizadas, desde os Carlos Carvalhas e Sérgios Ribeiros aos Lindim Ramos), antes de se pronunciar firme e inequivocamente sobre medidas que agravam tão substancialmente a fome e a miséria do povo, acelerando a degradação das suas condições de vida? E acaso o P«C»P, nos sucessivos Governos Provisórios que siderou, não aumentou os preços de uma série de produtos de primeira necessidade e planeou e preparou mesmo a desvalorização do escudo pelos sucessivos défices da balança de pagamentos por que foi responsável dada a sua política de submissão ao social-imperialismo soviético?
Ontem na RDP o udêpide Acácio Barreiros pode ladrar durante alguns minutos «os ricos que apertem o cinto», escamoteando todo o contexto em que a desvalorização do escudo foi decretada e ao «atacar» meigamente o Governo, não denunciando a natureza da sua política vende-operários e vende-pátrias mas somente censurando-o «criticamente» pelo facto de não pôr os «ricos», entre eles «os intermediários», a pagar a crise, pôs-se mais uma vez ao lado dos seus pais revisionistas do P«C»P e a reboque da «maioria de esquerda».
Entretanto, os partidos do grande capital (a não ser o CDS, suja posição desconhecemos, e que se calou pela mesma razão apontada ao P«C»P) aplaudiram aberta, veementemente e sem vergonha as medidas do Governo.
O PSD fazendo-se o barómetro das opiniões desses partidos, não só se pronunciou a favor da desvalorização do escudo, como criticou a medida tomada pelo Governo, acusando-a de «tardia» e de não ir ao encontro de «uma política global», que não pode ser outra senão a do imperialismo e do grande capital. O fiel cão de guarda dos monopólios, o P«C» de P-(ml), repetiu os ditos do dirigente do PSD que falou à RDP, somente acrescentando algumas sugestões complementares, segundo as quais a desvalorização do escudo devia ser complementada com o incremento da repressão ao movimento operário e a criação de uma segunda central sindical, ao serviço dos sectores da burguesia que se opõem aos social-fascistas acoitados na Intersindical da traição.
Quanto ao partido dito socialista, expressou-se também à RDP pela boca de Jorge Campinos que defendeu as medidas que o Governo PS tomou, repetindo uma vez mais o vulgo da propaganda reaccionária ultimamente debitada a este respeito pelos diversos órgãos de propaganda ao serviço do partido do Governo.
Todos os partidos da burguesia estão afinal, e muito naturalmente, de acordo com disposições que têm por objectivo reforçar as condições materiais que lhes permitem continuar a oprimir e explorar os trabalhadores
Inversamente o Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses preveniu o povo de que estas medidas reaccionárias iriam ser tomadas; denunciou a sua exacta natureza anti-operária e anti-popular; e guiará o povo no sentido de as esmagar a pó, a elas e a toda a política que as determinou.

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