domingo, 26 de fevereiro de 2017

1977-02-26 - NÃO À DESTRUIÇÃO DAS CONQUISTAS DA REVOLUÇÃO! - PS

COORDENADORA NACIONAL das COMISSÕES do TRABALHO SOCIALISTAS

NÃO À DESTRUIÇÃO DAS CONQUISTAS DA REVOLUÇÃO!
SÓ UMA POLÍTICA SOCIALISTA PODE IMPEDI-LO

A Coordenadora Nacional das Comissões do Trabalho Socialistas reuniu-se no dia 26 de Fevereiro, em Lisboa, para analisar os graves problemas da actual situação política, problemas que põem todos os trabalhadores, todos os militantes socialistas diante de uma difícil situação.
O Governo do P.S. acabou de tomar decisões cuja aplicação acarretam consequências duma gravidade extrema para a população trabalhadora portuguesa e para a vida do próprio P.S.
A desvalorização do escudo, que se fará acompanhar de uma subida brutal da esmagadora maioria dos preços dos produtos de consumo, é decidida dias depois da publicação de um decreto que proíbe aumentos salariais de mais de 15%.
A decisão tomada no Governo de abandonar 400 empresas até agora intervencionadas pelo Estado, que abre a porta a uma vaga massiça de despedimentos, é acompanhada da aprovação de uma lei em discussão na Assembleia da República que permite aos patrões e ao Estado, sob os mais fúteis pretextos, despedirem a seu bel-prazer milhares de trabalhadores.
Além de outras medidas do mesmo teor que se anunciam, foram já depostos na Assembleia da República para serem aprovados dois projectos de lei sobre a greve, sobre as Comissões de Trabalhadores e sobre o Controlo Operário.
Frente aos brutais ataques que se desferem contra os trabalhadores, poder-se-ia talvez esperar que se lhes daria pelo menos a possibilidade legal de se defenderem.
Mas estes dois projectos de lei a serem aprovados, impediram na prática os trabalhadores de fazerem greve, impedirão na prática o Controlo Operário, retirarão todos os poderes reais às Comissões de Trabalhadores, transformando-as em meros órgãos executivos da política económica do Governo.
Militantes Socialistas!
Trabalhadores Portugueses!
A Coordenadora Nacional das Comissões do Trabalho Socialistas permanece fiel à vocação do P.S. que todos nós construímos e que transformámos no maior partido português, permanece fiel aos princípios que fizeram do P.S. a esperança do Socialismo em Portugal.
Nós dizemos que não foi, para, lançar na miséria milhares de famílias trabalhadoras deste país que nós construímos o P.S., que o povo trabalhador votou no P.S.
Entretanto os capitalistas e os latifundiários são indemnizados em milhões de contos, enquanto os intermediários continuam a especular, a fomentar a subida dos preços, explorando os pequenos camponeses, os pequenos comerciantes e a população das cidades, enquanto milhões de contos são dados às Forças Armadas para despesas parasitárias.
Não foi para lançar no desemprego centenas de milhar de trabalhadores ao abrigo duma lei que permite aos patrões, que durante 50 anos espezinharam o povo português, decidirem quem são os trabalhadores que defendem a "economia nacional”.
Não foi para que as conquistas mais caras dos trabalhadores portugueses, como o Controlo Operário, as Comissões de Trabalhadores, o direito à greve, sejam liquidadas enquanto as empresas são de novo dadas aos antigos patrões, enquanto os terroristas em liberdade, gozando de altas protecções, continuara a lançar a destruição no país — não foi para isto que nós militantes construímos o P.S. como maior partido dos trabalhadores portugueses; não foi para isto que o povo português deu a maioria ao P.S.
O povo português deu a maioria ao P.S. para que ele governe à conta dos seus interesses.
Militantes do P.S.!
Todos nós sabemos que a situação do país é difícil.
Todos nós sabemos que os problemas não se poderão resolver de uma só vez.
Mas será isso uma razão para fazer subir brutalmente os preços enquanto se congelam os salário e se dão milhões de contos aos que durante 50 anos sugaram, exploraram e esmagaram os trabalhadores portugueses?
Todos nós sabemos que não pode haver milagres, mas será isso una razão para lançar no desemprego e na miséria centenas de milhar de famílias, a fim de contentar as necessidades do lucro dos grandes capitalistas portugueses e estrangeiros?
Sabemos que a marcha para o Socialismo é difícil. Mas será isso razão para se dificultar esta marcha, destruindo as conquistas mais elevadas que o povo português alcançou com o P.S. na sua luta pelo Socialismo?)
Militantes Socialistas!
Trabalhadores portugueses!
Estas medidas a serem aplicadas, os projectos de lei acima referidos a serem aprovados, permitiriam o perigoso reforço das forças da reacção, um dramático enfraquecimento das forças da democracia neste país, nomeadamente a força dos trabalhadores portugueses.
Não é possível continuar nesta via!
É preciso que, por toda a parte, nós militantes do P.S. reunamos os nossos núcleos, coordenemos os nossos esforços e a nossa actividade! É preciso que, por toda a parte, a voz do P.S. que construímos se faça ouvir junto dos dirigentes do Partido, junto do Governo, junto dos Deputados que nós elegemos com o povo português, para que eles defendam os nossos interesses,
É preciso que, por toda a parte, os militantes socialistas, ontem como hoje, continuem na primeira linha da luta pela defesa dos trabalhadores portugueses, fiéis à vocação que levou o P.S. a ser o primeiro partido dos trabalhadores.
Contra a terrível degradação das condições de vida que se anuncia, contra os despedimentos, contra os ataques às Comissões de Trabalhadores e à democracia sindical, contra as limitações ao direito à greve, devemos exigir dos dirigentes do P.S., do Grupo Parlamentar do P.S., do Governo, uma outra política.
Devemos combater nas empresas, nas Comissões de Trabalhadores, nos Sindicatos, com todos os trabalhadores para que as Comissões de Trabalhadores e os Sindicatos se pronunciem, em cada empresa e por todo o lado contra as medidas que põem em causa os interesses dos trabalhadores e as suas conquistas.
Devemos levar as C.Ts. e os Sindicatos a afirmar claramente em todas as empresas e por todo o lado que não aceitarão um único despedimento, que não aceitarão a diminuição do já tão baixo poder de compra dos trabalhadores, que não aceitarão nenhuma limitação ao Controlo Operário, ao poder de acção das Comissões de Trabalhadores, ao direito à greve.
Queremos um P.S. que seja um Partido Socialista dos trabalhadores, um Partido Socialista democrático em que todos os militantes socialistas conservem o direito inalienável de pensar sem por isso serem sancionados por delito de opinião.
Queremos manter vivo o P.S. que construímos e em quem o povo português confiou.
É esta a única via que permite que a nossa vontade se realize.
Militantes socialistas!
Reforcemos os nossos núcleos, coordenemos a nossa actividade, juntemo-nos a Coordenadora Nacional das Comissões do Trabalho Socialistas.
O Socialismo vencerá!

Lisboa, 26 de Fevereiro 1977
Pela Coordenadora Nacional
José Luís Mendes
Francisco Fortunato

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