quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

1977-02-15 - Unidade Popular Nº 108 - PCP(ml)

Correspondendo ao desejo das forças nacionais e democráticas
Portugal forca a sua entrada na CEE

Ao deixar ontem Lisboa em direcção às capitais da Europa dos Nove, Mário Soares, que irá preparar o caminho para a entrega do pedido de adesão plena de Portugal à Comunidade Económica Europeia (CEE), leva consigo um importante trunfo: a sua missão é apoiada por todos os partidos, individualidades e forças políticas patrióticas e democráticas do País.
Os comunistas, o PCP(m-l), que encaram o reforço da unidade europeia como um importante factor de oposição ao hegemonismo das duas superpotências e, em especial, ao expansionismo social-imperialista russo, não têm quaisquer complexos ao afirmar abertamente o seu apoio à integração de Portugal na Europa.
(Ler igualmente sobre este assunto o importante artigo «A nossa posição face à Europa capitalista ocidental», na página 7 deste número.
A semana que decorreu, antecedendo a partida do Primeiro-Ministro, foi farta em declarações dos mais variados quadrantes políticos forçados pelas circunstâncias a definir a sua posição perante a questão do sim ou não a adesão de Portugal à CEE. Uma vez mais, tal como a propósito da entrada do nosso País no Conselho da Europa e de outras grandes questões nacionais, se assistiu a uma demarcação nítida dos dois campos que hoje se colocam frente a frente: de um lado as forças nacionais e democráticas, de outro as forças do social-imperialismo, antinacionais e antidemocráticas.
Aguçando a sua demagogia «socialista», o partido social-fascista revisionista de Cunhal opõe-se ferozmente à integração de Portugal na Europa Ocidental argumentando com o facto desta ser a «Europa dos monopólios» e procurando tirar partido dessa evidente realidade para mobilizar a classe operária a favor dos seus objectivos antinacionais. Declaradamente ao serviço do social-imperialismo, os «super-revolucionários» da nossa praça — em especial a UDP-«PCP(r)» - debitam exactamente os mesmos argumentos demagógicos com um pouco de «anti-reformismo» à mistura no intuito de simular divergências com os seus patrões de Moscovo.
Após o importante sim político à adesão de Portugal à CEE dado, recordamos, pelos ministros dos Negócios Estrangeiros dos países da Comunidade reunidos há uma semana em Bruxelas, o essencial da propaganda social-imperialista, não só a nível nacional como internacional, é tentar apresentar a questão económica como um obstáculo intransponível na concretização da integração portuguesa. O partido social-fascista de Cunhal, em particular, não se cansou de acenar com o perigo da «recuperação capitalista» e da «liquidação das conquistas do 25 de Abril».
No entanto, desiludindo as falsas esperanças do social-imperialismo, Roy Jenkins, presidente da Comissão Executiva da CEE, afirmou, ainda antes da partida de Mário Soares para Londres, que «a questão das dificuldades económicas não será utilizada como barreira à adesão de países como Portugal». A Europa dos Nove, ao aceitar o princípio do seu alargamento a Portugal e ou­tros países da bacia mediterrânica, mostra assim, cada vez mais ter compreendido que o reforço da unidade europeia é uma questão essencialmente política, resultante da disputa de que a Europa é alvo por parte do hegelianismo, da ameaça crescente constituída pelo voraz apetite social-imperialista russo. Não obstante o sim da CEE à adesão de Portu­gal ter constituído uma importante derrota das forças do social-imperialismo, o facto de a sua propaganda assentar na questão das dificuldades económicas é significativo de que será nesse campo que essencialmente irão agora jogar.
Precisamente na mesma altura em que a diplomacia portuguesa multiplica os seus esforços no sentido de conseguir uma rápida adesão à CEE; numa altura em que mais do que nunca é necessário conseguir uma recuperação económica mais rápida a fim de encurtar o período de negociações prévias; o social-imperialismo empenha todas as suas forças no nosso País no sentido de agravar a crise económica que o atravessa. Doutra forma não se pode compreender o surto de greves, que actualmente promove em sectores vitais da economia: a greve nos têxteis, a greve das pescas e marinha mercante e a greve do funcionalismo público.
Mário Soares tem de abandonar definitivamente a via da conciliação com os lacaios dos novos czares em matéria de política interna, tem de aceitar a criação de uma frente de governo com os outros partidos da burguesia nacional, se quiser impedir a sabotagem e desestabilização económica do social-fascismo cunhalista, se não quiser comprometer a vitória agora conseguida.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Arquivo