terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

1977-02-14 - Luta Popular Nº 516 - PCTP/MRPP

AO ENTRAR NO «JORNAL DO COMERCIO»

O nosso jornal «Luta Popular» inicia hoje a sua saída diária nas oficinas do «Jornal do Comércio». Como certamente os nossos leitores estarão lembrados o «Luta Popular» foi já impresso nesta empresa durante um certo período de tempo, tendo no dia 26 de Novembro deixado de aí ser impresso, passar para a Casa Portuguesa e posteriormente para a SNT «O Século».
A entrada do nosso «Luta Popular» para o «Jornal do Comércio» interessa ser focada neste aspecto particular que ela assume, que é sobretudo o aspecto fundamental, é que ela constitui uma importante vitória das massas populares e de todos os democratas antifascistas e anti-social-fascistas que sabem ter no nosso jornal diário uma importante e insubstituível arma de defesa dos seus interesses históricos, uma tribuna incansável contra os exploradores e opressores do povo, um incansável defensor da verdade, isto é, sabem ter nele o jornal da verdade.
Não foi portanto o nosso jornal que escolheu tal empresa para poder continuar a sair, e isto é importante que fique desde já claro.
O agravamento das condições de saída do nosso jornal criadas pelo cerco da burguesia faz antever naturalmente a agudizar da batalha pela saída do nosso «Luta Popular» batalha para a qual devemos estar preparados e atentos.
Como já atrás referimos o nosso «Luta Popular» saiu durante um certo período da sua existência na empresa onde agora foi colocado de novo, havendo um contencioso bastante conhecido entre nós e a administração da empresa «O Jornal do Comércio». É nossa intenção nestas novas condições de saída do «Luta Popular» não agravar tal contencioso, de molde a que o nosso jornal possa ver a sua vida decorrer normalmente, dentro da normalidade da vida de um jornal operário sob a ditadura da burguesia.
No entanto interessa que fique claro que o nosso jornal tem bem presente que:
- Que o nosso «Luta Popular» viu a sua saída gravemente afectada durante uma larga parte da sua vida no «Jornal do Comércio» que se repercutiu fortemente nas horas de saída, etc., e que disso cabe responsabilidade à Administração da referida empresa;
— Que no dia 25 de Novembro de 1976 o nosso «Lula Popular» viu em perigo a sua saída diária normal sem o responsável por tal situação a Administração da empresa «O Jornal do Comércio» que procurou impedir que o nosso «Luta Popular» pudesse ver a luz do dia.
— Da parte dos trabalhadores de «O Jornal do Comércio» sempre tivemos o mais vivo e fraterno acolhimento sendo as nossas relações com eles as melhores, não obstante se ter forjado na empresa um pretenso plenário de trabalhadores em que se tomou posição contra o «Luta Popular». Esse plenário não é de forma alguma representativo dos trabalhadores do «Jornal do Comércio» pois que nele estavam tão somente uma ínfima parte dos trabalhadores dessa empresa, e dado que, repetimos sempre tivemos boas relações com os trabalhadores que diariamente asseguraram a saída do nosso Jornal.
Naturalmente que dados estes condicionalismos da vida do «Luta Popular» no «Jornal do Comércio» as condições existem para que os problemas venham a ocorrer. E na verdade há alguns indícios que pode de facto seguir por uma via a nossa saída nesta empresa.
Isto só vem provar que a batalha pela saída do «Luta Popular» se agravou, se Intensificou. Nós estamos preparados para ela, estamos preparados para ripostar ao cerco da burguesia de uma forma frontal e firme.
Ao iniciar a nossa saída no «Jornal do Comércio» queremos, ainda saudar os trabalhadores que aí labutam e de punho erguido assegurar-lhes que o nosso «Luta Popular» será sempre o intrépido defensor dos seus interesses de classe.
VIVA O «LUTA POPULAR» DIÁRIO!

comentário
O «PACTO SOCIAL»

Reuniram este fim-de-semana os estados-maiores dos principais partidos burgueses, representantes dos interesses políticos do imperialismo e do capital privado. E, se existiu convergência entre dois deles, o PSD e o CDS, foi na oposição ao Governo Constitucional, reforçada no primeiro caso e mitigada no segundo. Uma oposição cautelosa e «objectiva», sem dúvida, de acordo com os interesses prosseguidos por tais partidos. Mas, em todo o caso, assente num balanço da actuação do Governo Constitucional durante os seis meses que ele já leva no poder, um balanço que tem como ponto central a questão de saber o que tal Governo andou a fazer, em seu favor, esse tempo todo, se ele defendeu ou não a política e a economia dos imperialistas, latifundiários e agrários, dos sectores da burguesia representados por aqueles partidos.
Os partidos burgueses pedem contas ao Governo Constitucional e procuram criar as condições para a sua queda e substituição rápidas e eficazes, mesmo ao preço de mais uma aliança «in extremis» com o partido dito socialista. Os diversos centros de decisão burguesa chamam, por sua vez, o aterrado primeiro-ministro à pedra, pedindo as explicações que julgam devidas pela actuação do seu ministério durante já lá vai bom tempo. Soares prestou contas sucessivamente ao Presidente da República, Assembleia da República, Conselho da Revolução e grupos económicos de pressão. E que eles não se acham convencidos das razões de Mário Soares comprova a sua progressiva distanciação face ao Governo Constitucional, certos de que esse Governo deixou de ser o instrumento adequado dos capitalistas e agrários para reorganizarem a sua ditadura, da mesma forma como não poderá resolver problemas alguns do povo, dos mais elementares aos essenciais. Essa crise pode levar a uma confrontação de classes agudíssima; e face a essa expectativa há quem pretenda travar o seu desenvolvimento. Estamos a referirmo-nos ao partido revisionista e social-fascista de Barreirinhas Cunhal. Este partido reaccionário compreende a situação e, nessa medida, vai forjando um a um os instrumentos necessários à resposta que pretende dar à próxima crise política: o novo pacto de traição com o capital, chamado contrato social de exploradores e explorados, que hoje Cunhal e Amaral abertamente preconizam: Esse «pacto social» consiste e está contido no programa e documentos aprovados no II Congresso da Intersindical da traição e só por si mereceu que o ministro Curto admitisse ter de negociar urgentemente com a Intersindical, essa organização vende-pátrias e vende-operários, como de uma «organização de trabalhadores» se tratasse.
O «pacto social» representa a unidade de toda a burguesia contra o proletariado em nome de um programa de entendimento entre os diversos sectores da classe dominante. Para os social-fascistas, tal «pacto» poderá contribuir para a burguesia ultrapassar a crise e impor reajustamentos governamentais em favor do partido revisionista, pois ele reclama-se o único possível executor dessa alternativa reaccionária na sua qualidade de partido burguês para os operários.
O «pacto social» constituiria uma espécie de retrocesso ao imediato pós-25 de Abril com todos os partidos do capital unidos em santíssima aliança contra o proletariado. Desta feita, no entanto, o CDS, que ontem, no Porto, pela voz de, Freitas do Amaral, acentuou a urgência de um «consenso entre trabalhadores e empresários», teria também direito ao seu quinhão à mesa do orçamento.
Qual a razão principal da iminência da nova crise?
É evidente que é o recente desenvolvimento, com redobrado ímpeto, do movimento operário e popular que reabre a crise, origina as sucessivas intimações dos partidos do capital ao Governo por «não saber governar», isto é, por não reprimir com a intensidade e regularidade suficientes os trabalhadores e leva o partido social-fascista a pretender negociar com os capitalistas a sorte dos operários que se levantam em luta, em nome de uma hipotética remodelação governamental de que pretende retirar os consequentes dividendos.
É indispensável, que em todas as suas tarefas os comunistas e demais revolucionários, democratas e patriotas tenham em conta o desenvolvimento dos acontecimentos no sentido da iminência da crise nas últimas três semanas, saibam responder estreitamente ligados às massas às manobras dos capitalistas e se unam com decisão.
Travará o «pacto social» que se prepara as lutas operárias que se avizinham ou serão as lutas operárias e populares a rasgar em mil bocados esse «pacto» de traição? Eis a questão que se coloca, essencial para o avanço das massas trabalhadoras que combatem pela sua emancipação.
Desbaratar esse sinistro «pacto» é, em primeiro lugar, saber organizar, dirigir e vencer, de acordo com a política do proletariado, o movimento sindical. Pois tal «pacto» pretende, desde já, atingir as reivindicações imediatas dos trabalhadores para atacar depois as suas conquistas políticas fundamentais — desde às simples reivindicações salariais ao controlo operário.
Desmascarar o conteúdo da traição revisionista e —  para falarmos claro — o sentido exacto para onde aponta o desmascaramento e isolamento do «pacto social» que os social-fascistas propõem à burguesia para que ela, com a sua ajuda, o aplique contra os proletários.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Arquivo