quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

1977-02-09 - POR UMA RESPOSTA SOCIALISTA À AUSTERIDADE (...) - LCI

POR UMA RESPOSTA SOCIALISTA À AUSTERIDADE E À POLÍTICA ANTI-OPERÁRIA DO GOVERNO! MOBILIZEMO-NOS PARA UMA JORNADA DE LUTA E DE PARALIZAÇÃO NACIONAL PARA DEFENDER AS NOSSAS CONQUISTAS; IMPOR A SAÍDA DOS CONTRATOS COLECTIVOS, E LUTAR CONTRA O AUMENTO DO CUSTO DE VIDA E O DESEMPREGO!

CAMARADAS:
As condições de vida e trabalho da classe operária e de todos os trabalhadores tem vindo a agravar-se cada vez mais.
A situação dos que são obrigados a vender a sua força de trabalho para sobreviver, a situação das massas trabalhadoras pode ser ilustrada pelos seguintes aspectos:
- o aumento do custo de vida no ano anterior foi de mais de 30% e mantém-se actualmente a este nível, que e dos mais altos de toda a Europa;
- enquanto isto, enquanto sobem sem cessar os preços dos produtos de primeira necessidade, os salários não sobem, e o patronato com a ajuda do governo mantém na pratica os Contratos Colectivos congelados, que abrangera mais de 1 milhão e 600 mil trabalhadores;
- o número de trabalhadores desempregados em Portugal ascende a mais de 600 000 trabalhadores, sem contar com aqueles que estão numa situação de sub-emprego.
QUAIS SÃO OS OBJECTIVOS DESTAS MEDIDAS DO PATRONATO?
Através da diminuição dos salários, atacando o poder de compra pelo aumento do custo de vida e da recusa de novos aumentos salariais e do boicote aos CCT’s, aumentar ainda mais a exploração dos trabalhadores, para que os capitalistas possam recuperar com uma mão, agora, o que foram obrigados a ceder com a outra face à luta das massas.
Através do aumento do desemprego, diminuir o total de dinheiro com que os patrões devem pagar os salários. E, sobretudo, tentar dividir os trabalhadores entre os que tem e os que não tem emprego, procurando fazer com que a eminencia do desemprego meta medo às massas e que assim estas não lutem até à vitória na defesa das suas conquistas, das suas reivindicações e interesses de classe.
Mas não e só por aqui que passa a ofensiva patronal. Os ataques à Reforma Agrária, ao Controle Operário, as conspirações civis e militares, a arrogância da direita fascista, a libertação dos pides e dos bombistas e o regresso impune dos capitalistas sabotadores, são outros tantos indícios que nos mostram a ofensiva da reacção capitalista.
E ENQUANTO ISSO, QUE FAZ O GOVERNO E O PARTIDO DO GOVERNO?
Pela sua actuação de cedência as forças de direita, ao PPD e ao CDS, a hierarquia militarista e a Eanes, o governo PS tem encorajado e apoiado toda esta ofensiva patronal e da reacção capitalista em todos os campos, desde a política de ataque e de asfixia às conquistas dos assalariados rurais do Alentejo, desde a sua recusa em aplicar a lei do Arrendamento Rural no Norte e Centro do país, até à política no campo do ensino.
O plano governamental aprovado pela Assembleia da Republica, mostra claramente que a direcção do PS está disposta a continuar e a aprofundar os ataques aos trabalhadores.
A sua política não tem outro significado senão o seguinte: disciplinar os trabalhadores, recuperar todas as conquistas das massas, para aumentar os lucros dos patrões. É este o significado da tão falada política de austeridade.
E, para levar a cabo esta política anti-operária, a direcção de Mário Soares lança mão de todos os meios. Vai ao ponto de levar a prática no interior do seu partido uma ampla acção de expulsões e suspensões de todos os militantes que levantam a voz para defender os interesses dos trabalhadores, foi que ficou claro dos processos levados a cabo nas últimas semanas, e que o último Congresso do PS no Porto confirma.
CAMARADAS, A NOSSA RESPOSTA TEM DE SER DE LUTA!
SÓ UNIDOS E ORGANIZADOS PODEMOS VENCER!
Pressionado por Eanes e pelos partidos burgueses, contando com a cumplicidade do PCP, o governo PS irá de cedência em cedência, procurando ganhar as boas graças dos capitalistas. A libertação recente do pide que assassinou Dias Coelho é exemplo disso, e só serve para aumentar a arrogância dos capitalistas.
Cabe a todos os trabalhadores, preparar - dos do PC e do PS na Assembleia da República não quiseram fazer:
- derrotar o plano anti-operário;
- derrotar o Pacto Social;
- derrotar as manobras presidencialistas de Eanes e dos partidos burgueses;
- derrotar a austeridade.
O governo fala-nos agora energicamente no "cabaz de compras". Mas de que servirá esse cabaz, se os nossos salários não acompanharem em aumento o aumento do custo de vida anterior?
CAMARADAS:
O Congresso Sindical há dias realizado era uma óptima oportunidade para preparar uma ampla acção de luta de todos os trabalhadores portugueses, pelas reivindicações que lhes são comuns, para a resolução dos problemas que os atingem, para fazer recuar o patronato, o governo e os capitalistas.
O Congresso não o fez. Recusando mesmo algumas propostas que iam neste sentido.
CAMARADAS:
Quando tudo isto sucede, só há uma solução. Tomar a luta nas nossas próprias mãos. Impor nos locais de trabalho, nas empresas e nos sindicatos a discussão e a preparação de uma JORNADA NACIONAL DE LUTA, DE UMA PARALISAÇÃO NACIONAL DE TODOS OS TRABALHADORES PORTUGUESES, em que se devem comprometer todos os sindicatos, sejam eles da Inter ou da Carta Aberta, para exigir:
- o fim do aumento do custo de vida;
- o aumento de 2 000$00 para todos. Salário de 7 000$00;
- o fim do desemprego, trabalho para todos, semana de 40 horas;
- o fim dos ataques ao controle operário e a reforma agrária, pelo seu avanço e pela aplicação da lei do Arrendamento Rural;
- o fim de todos os ataques às conquistas dos trabalhadores;
- a assinatura imediata de todos os Contratos Colectivos.
Camaradas socialistas, comunistas e sem partido: todos juntos por uma jornada nacional de luta contra a austeridade e pela saída dos CCT's.
Digamos não às manobras de Eanes e dos patrões burgueses. Derrotemos as manobras e os ataques da reacção capitalista.

9/2/77               
O Comité Executivo da LIGA COMUNISTA INTERNACIONALISTA

LÊ A «LUTA PROLETÁRIA». JORNAL TROTSKISTA, SAI ÀS 4ª FEIRAS.

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