quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

1977-02-09 - Luta Popular Nº 512 - PCTP/MRPP

Comentário
O MOVIMENTO GREVISTA E A CRISE DO CAPITAL

No próximo fim de semana as direcções dos diversos partidos vão reunir. Do CDS ao P«C»P. as diversas classes e camadas de classe que esses partidos representam, tomam as medidas necessárias a estabelecem as tácticas adequadas para a presente situação política.
Situação política que, como afirmou na passada terça-feira na Assembleia da República o líder do Partido Socialista Salgado Zenha, se caracteriza, na sua maneira de ver, por ser extremamente difícil e complexa, e exigir logicamente que todos esses partidos se debrucem sobre ela com a atenção que a contra-revolução coloca na definição das suas medidas e da sua táctica de combate à revolução e ao proletariado.
Hoje, e não são tão somente nem principalmente as palavras de Zenha que o confirmam, aprofunda-se a crise, intensifica-se a disputa entre as diversas camadas de classe burguesas e um período de grandes convulsões se está indiscutivelmente a aproximar a passos largos.
Prova de que é assim é a manifesta incapacidade de o Governo governar, a paralisação em que se encontra, o ambiente de intriga em que de novo se vive, as ameaças de que está próximo um golpe para logo de seguida desmentir essa eventualidade, é enfim uma descarada, uma aberta, uma frontal luta pelo poder que actualmente caracteriza sem dúvida alguma as relações entre os diversos partidos do Capital e portanto as camadas de classe, que estes representam. Aliás todos os partidos, e personalidades da burguesia falam aberta ou veladamente de novo, na instabilidade política. A instabilidade politica em que a burguesia vê um fantasma não é mais no fundo que a tentativa de ela mesma esconder a crise profundíssima que abala até aos alicerces todo o sistema do Capital, e a crise do poder que longe de se solucionar se alarga e se agrava.
Mas então a «institucionalização da democracia» o que que é feito dela?
Na verdade o leitor estará lembrado que durante um largo período e nomeadamente depois do 25 de Novembro outra coisa não se ouviu neste país do que a atoarda de que com a institucionalização da democracia expressa e realçada pelos votos e pelas diversas eleições a que se procedeu tudo estava salvo e que a partir dai a crise era uma miragem de uns tantos utópicos.
A realidade da crise actual cai em peso sobre essas teorias, fazendo-as em pedaços. A institucionalização da democracia não passou, nem passa, do vestir de novas roupagens a um Estado velho e caduco sendo que o poder de classe continuou o mesmo, o Estado permaneceu no essencial o mesmo, o sistema é ainda aquele que existia e portanto é evidente que as condições para a existência das crises não só não foram alteradas como na verdade, foram reforçadas.
Tanto fascistas como social-fascistas, tanto o imperialismo como o social-imperialismo não beneficiam desta «democracia» conto são na verdade os principais beneficiados pois que ela não passa da capa atrás da qual preparam as condições para imporem as suas ditaduras próprias, seja de carácter fascista ou social-fascista. Aliás convém de facto referir que se tem assistido nos últimos tempos ao reforço da penetração do imperialismo e do social-imperialismo estando a nossa soberania nacional progressivamente ameaçada por essas duas superpotência em particular e principalmente.
Qual o pano de fundo desta situação?
O pano de fundo desta situação, isto é, desta crise que se desenvolve velozmente, é um impetuoso movimento grevista que revela uma força nova e redobrada uma capacidade e uma impetuosidade absolutamente renovadas.
Esse movimento grevista é um facto novo na actual situação e desde há alguns meses atrás que ele não assumia os aspectos que agora tem.
Ele tem actualmente um carácter nacional abrangendo assim quase todos os principais centros operários do país:
Ele abrange actualmente sectores inteiros da produção como é o caso das pescas, e daqueles que se preparam como é o caso dos metalúrgicos, dos têxteis por exemplo.
Durante algum tempo o movimento operário acumulou forças revelando-se agora em toda a sua amplitude.
Na realidade a classe operária e o povo estão na ofensiva e numa altura de crise como esta em que se vive, numa altura em que todos os sectores da burguesia concentram as suas forças, como sempre fazem nestas alturas o proletariado encontra-se numa óptima situação para tirar daqui todos os dividendos e avançar ousada e certeiramente.

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