quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

1977-02-09 - Bandeira Vermelha Nº 056 - PCP(R)

EDITORIAL
A ALTERNATIVA REVOLUCIONÁRIA NO MOVIMENTO SINDICAL

O recém-realizado Congresso de Todos os Sindicatos constituiu uma grande vitória dos trabalhadores portugueses. Foi um passo importante na construção da unidade da classe operária e na afirmação de uma linha revolucionária no seio do movimento sindical, oposta à orientação burguesa revisionista hoje dominante.
Pelo número de sindicatos presentes, pela participação da maioria esmagadora dos trabalhadores do país e, sobretudo, da classe operária; e ainda em resultado da clara aspiração de unidade e do desejo de luta manifestado — os trabalhadores dissuadiram, pelos tempos mais próximos, as pretensões de divisão do movimento sindical expressas pelas forças burguesas, para as quais a unidade dos trabalhadores é um muro em que se desfazem as tentativas de recuperação capitalista. Ao mesmo tempo, ficaram ainda mais ridicularizadas as posições dos grupelhos, aliados naturais das forças reaccionárias, que muito pregam contra o revisionismo mas que são impotentes para o combater e derrotar.
Pelo debate gerado em volta das propostas e críticas, que os sindicalistas revolucionários apresentaram, pela demarcação nítida entre as suas posições e as atitudes de cedência e conciliação, criaram-se condições para combater a perniciosa dominação dos revisionistas sobre o movimento sindical.
A MANOBRA REVISIONISTA
Os burgueses revisionistas obtiveram para si frutos políticos neste Congresso dos Sindicatos. Toda a sua manobra se desenrolou no sentido de conseguirem manter como mantiveram a hegemonia nos organismos dirigentes da CGTP.
O seu comportamento revela-nos no entanto uma coisa essencial: que a sua capacidade de manobra táctica se desfaz, na sua fraqueza estratégica. Com efeito, conseguiram no imediato neutralizar os opositores burgueses, isolando grandemente os mentores da "Carta Aberta" e abrindo o secretariado a sectores do PS. Isto permitiu-lhes ganhar certa margem para se afirmarem a força actualmente mais poderosa do movimento sindical, facto que aproveitaram imediatamente para negociar com o Presidente da República, e com o Governo, na tentativa de obterem melhores condições de participação nos órgãos de poder. A maioria que conseguiram no secretariado da CGTP vai, por outro lado, dar-lhes possibilidades de domínio quase absoluto, no plano executivo, sobre a central sindical. Foram estes os frutos que obtiveram com a sua manobra de recuo e de cedências tácticas.
Mas os ganhos revisionistas estão longe de terem sido absolutos. Ao contrário do que desejariam e do que fizeram no anterior Congresso da Intersindical, os burgueses revisionistas não conseguiram hoje abafar a oposição revolucionária que lhes foi movida por diversos sindicatos e por muitos sindicalistas, e não puderam reduzir à condição de massa dócil os mil e tantos representantes dos trabalhadores portugueses agora reunidos no Congresso. São estes factores novos, criados pela luta persistente dos sindicalistas revolucionários, que abrem novas perspectivas ao movimento sindical e evidenciam a fraqueza estratégica do plano revisionista para amarrar o movimento à sua política de negociação, de cedência e de traição às aspirações revolucionárias das massas trabalhadoras. A prazo, a influência dos revisionistas no movimento sindical irá sendo diminuída pelo crescimento inevitável da corrente revolucionária. E o que aponta o progresso feito, de há um ano para cá, pelos sindicalistas revolucionários que passaram da contestação do domínio revisionista feita de fora do movimento sindical, para o combate frontal feito dentro das massas sindicalizadas.
A ALTERNATIVA REVOLUCIONÁRIA NO MOVIMENTO SINDICAL
O facto de se ter mantido o domínio burguês revisionista na organização central dos sindicatos portugueses não diminui em nada os importantes avanços conseguidos pelos sindicalistas e pelos sindicatos revolucionários. A participação de alguns elementos revolucionários no Secretariado da CGTP traduz esses avanços e mostra que nem os próprios chefes revisionistas puderam ignorar, nem fazer ignorar aos congressistas, a existência de uma corrente sindical revolucionária, oposta às teses e à linha política cunhalistas. A grande vitória desta corrente consistiu justamente no facto iniludível de se ter afirmado como alternativa revolucionária no movimento sindical português. Os sindicalistas revolucionários na verdade, demarcaram-se quer da oposição burguesa de direita, que pretende dividir o movimento, quer da contestação verbal pequeno-burguesa, "esquerdista"; e ao mesmo tempo, impuseram-se como os únicos opositores frontais e consequentes da hegemonia revisionista dentro de uma política de defesa da unidade dos trabalhadores.
São estas vitórias, de maior relevo do que os importantes lugares conquistados no secretariado da CGTP - que devem guiar, pela tendência de evolução positiva que revelam, o trabalho futuro e a táctica dos sindicalistas revolucionários. Nada substitui a força que se adquire pela adesão das massas trabalhadoras às propostas revolucionárias. O alargamento da influência dos sindicalistas revolucionários, o reforço da corrente que já se afirmou, deve ser o eixo fundamental da acção no movimento sindical, conquistando os sindicatos basilares da classe operária e arrancando as massas trabalhadoras à influência dos chefes revisionistas.
DUAS LIÇÕES
Os progressos feitos pela corrente revolucionária no movimento sindical e os êxitos agora obtidos, levam-nos a destacar duas lições políticas que serão úteis para o trabalho a desenvolver.
A primeira diz-nos que se deve sempre combater no terreno dos trabalhadores, entre as massas, o que no caso presente significa lutar dentro dos sindicatos e não fora deles, nas reuniões e assembleias de trabalhadores e não isolados deles, apresentando alternativas claras e palpáveis e não se limitando à crítica verbal.
A segunda demonstra-nos que o combate ao revisionismo não é possível quando assente em posições centristas conciliatórias; nem produz vitórias quando adopta seja a via do "esquerdismo" pequeno-burguês, seja a do direitismo burguês, mas apenas é frutuosa quando se baseia nas posições políticas firmes de quem defende os interesses de classe do proletariado.

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