quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

1977-02-08 - Luta Popular Nº 511 - PCTP/MRPP

Comentário
O MOVIMENTO GREVISTA E OS APELOS AO TRABALHO

Afirmações ultimamente proferidas, pelas mais diversas personalidades da burguesia, desde Almirantes a Generais Graduados, de líderes parlamentares a membros do Governo, revelam que todas essas individualidades pertencentes aos mais variados sectores da burguesia acordam neste ponto específico — a necessidade de trabalhar de trabalhar cada vez mais, e que «sem trabalho árduo não se pode reconstruir o país».
Naturalmente que este recrudescer do vozea­ria sobre as necessidades do trabalho para o «reconstruir do país» não pode acontecer por mera eventualidade, pois que nada é acaso na sociedade e na natureza.
Já vamos explicar do que no nosso entender da razão a que esses diversos sectores da burguesia intensifiquem a sua propaganda neste ponta concreto que os une originalmente, embora sejam públicas e notórias as divergências quanto o outros campos e domínios.
Antes convém, pois, recordar que, tirando aquilo que o nosso Partido sempre afirmou, logo após o 25 de Abril de 1974 outro coisa não ouviram dizer os operários deste país senão que para «salvar, consolidar e defender a liberdade nascente» era necessário trabalhar cada vez mais.
É pois velha esta linguagem e vozearia sobre a necessidade de trabalhar para reconstruir o país. Os operários sempre lhe souberam responder frontalmente, desmascarando o carácter de classe e os objectivos dessas propostas e levá-las ao fracasso.
Na realidade é profunda e inteiramente reaccionária essa teoria criada pela burguesia de que nesta sociedade os trabalhadores têm de suar mais e mais para assim salvar a situação. Mas que situação, que economia e que sociedade poderiam os trabalhadores salvar se porventura fossem nessas propostas demagógicas e contra-revolucionárias? - salvariam sem dúvida a economia do Capital, dos exploradores e opressores de todo o tipo de parasitagem, dos monopólios privados e de estado.
Esses constantes apelos à intensificação do trabalho em nome da «democracia e da revolução» mais não são no fundo tentativas demagógicas e infrutíferas dos patrões levarem os operários a salvar a sua própria economia isto é a economia dos patrões.
Porquê então este repetir desta mesma lenga lenga?
Antes de mais e sobretudo porque um impetuoso e fortíssimo movimento grevista se está a desencadear ia atingindo nos próprios alicerces toda a velha e caduca estrutura do sistema capitalista existente. Este movimento grevista é uma coisa extremamente positiva, saudável e constitui naturalmente parte constitutiva da arrancada dos explorados para a conquista da sociedade nova a sociedade dos operários e camponeses.
A burguesia responde a este movimento das mais diversas formas: com o cacete, com a GNR com a repressão, e simultaneamente agitando a democracia para pedir mais trabalho, mais trabalho e ainda mais trabalho.
Que todos os sectores da burguesia estejam de acordo neste ponto apenas vem mostrar que embora todas elas lutem entre si pela posse do aparelho de Estado e embora divirjam sobre quem deve dirigir e gerir o Capital, todos eles acordam neste ponto — é preciso trabalhar mais.
Velhas cantigas, de velhos cantores.
Os operários conhecem bem essa lenga lenga de forma alguma a aceitam.
Que assim é aí temos o movimento grevista mais forte que nunca.

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