terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

1977-02-07 - POR UM SINDICATO DEMOCRÁTICO - Sindicatos

SINDICATO DOS TELEFONISTAS DE LISBOA
POR UM SINDICATO DEMOCRÁTICO
LUTA UNIDADE VITORIA

VOTA LISTA D

ELEIÇÕES 7/8 FEV.
Programa

SINDICATO DOS TELEFONISTAS DE LISBOA
  LISTA CANDIDATA AOS CORPOS GERENTES PARA O BIÉNIO 1977-79
LISTA - POR UM SINDICATO DEMOCRÁTICO!

DIRECÇÃO
     OCTÁVIO DIAMANTINO VIDEIRA - 48 anos - TTA - TLP-Estrela
    VIVALDO MARIA CARRANCA - 31 anos - TTC - TLP -Av. de Ceuta
JOÃO RIBEIRO NOVO - 49 anos - Contínuo - TLP - Norte
ARTUR ANICETO PINTO - 36 anos - TTC - TLP – Cacem (Delegado Sindical)
ANTÓNIO MANUEL DA C. RIBEIRO - 20 anos - Telefonista Previdência - Acção Medico Social, Posto 25
VÍTOR MANUEL G. DE S. SACRAMENTO - 27 anos - Auxiliar não Especializado - TLP - Construção (Delegado Sindical)
AVELINO BASTOS RIBEIRO - 29 anos - TTA - TLP - Praça José Fontana
TERESA LECÍDIA RODRIGUES GUEDES - 26 anos - Operadora dò CRA - TLP - Estrela
MARIA DEOLINDA S. LOURO JULIÃO - 25 anos - Telefonista-TLP Estrela
SILVINO ANTÓNIO F. DOS SANTOS - 27 anos - TTL - TLP- Cacem (Membro da Actual Direcção)

MESA DA ASSEMBLEIA GERAL
MANUEL DA SILVA CALHAU LEITÃO - 26 anos - TIL - TLP - Carcavelos. (Membro da actual Direcção)
JOSÉ DA CONCEIÇÃO GUILHERME - 55 anos - Pedreiro - TLP -Edifícios.
MARIA AUGUSTA G. MORENO - 32 anos - Telefonista-TLP-Lousa (Delegada Sindical)
ANTÓNIO MANUEL CONCEIÇÃO VALE - 37 anos - TTA - TLP - Praça José Fontana

INTRODUÇÃO
PORQUE NOS CANDIDATAMOS?
O lema "LUTA, UNIDADE, VITÓRIA" e já uma bandeira de luta que os trabalhadores portugueses empunham para se libertarem da exploração, lutando de uma forma consequente pelos seus legítimos interesses.
Um grupo de trabalhadores sócios do nosso Sindicato, cientes da necessidade imperiosa que é continuar a ter o Sindicato nas mãos dos trabalhadores, como instrumento da luta contra o aumento do custo de vida, por melhores condições sociais, entendem candidatar-se às próximas eleições sindicais dispostos a que o lema "LUTA, UNIDADE, VITÓRIA" continue a ser a orientação que deve ser seguida pelo Sindicato dos Telefonistas, sob pena de cair nas mãos da conciliação com o patronato, da traição aos nossos interesses, ou então do oportunismo que ainda existe nas nossas fileiras.
Assim, a nossa candidatura, composta por um conjunto de elementos da direcção cessante e por novos elementos dispostos a lutar, vem tornar publico o seu programa que se comprometem a defender intransigentemente no caso de serem eleitos.

LUTA SINDICAL
Entendemos que a luta sindical é um aspecto particular da acção mais geral da emancipação das classes trabalhadoras e, no momento actual, assume um papel fundamental, pois irão surgir brevemente grandes lutas à volta da contratação colectiva.

LUTA SINDICAL E OS PARTIDOS POLÍTICOS
Consideramos a luta sindical uma luta politica, e os sindicatos, não devendo ser órgãos partidários, não são, por isso, apolíticos, participando na luta pela construção de uma sociedade sem classes.
Quanto aos partidos políticos, são a forma pela qual se organizam as diversas classes e interesses existentes na nossa sociedade, para a sua própria defesa e garantia do seu domínio sobre as demais. Reconhecemos, portanto, que os partidos são não só inevitáveis como necessários à organização e consecução dos objectivos que cada classe se propõe alcançar.

ORIENTAÇÃO SINDICAL
A nossa lista entende que só a continuação de um Sindicato democrático pode servir os legítimos interesses dos trabalhadores, isto é, para que estes se oponham eficazmente as manobras dos exploradores, quer fascistas, quer social-fascistas.
Somos pela LUTA, porque sem luta nada conseguimos. Os trabalhadores portugueses adquiriram já uma experiência grande e compreendem que tudo o que conseguiram foi a lutar, e não é, nem será, confiando nas "boas intenções" de qualquer governo da burguesia, porque de promessas estamos nós fartos.
Somos pela UNIDADE forjada na luta, como condição fundamental para que os trabalhadores consigam lutar contra a exploração de que são vítimas.
Somos pela VITORIA, porque confiamos inteiramente nas massas trabalhadoras, porque sabemos que mais tarde ou mais cedo os trabalhadores vencerão.

OBJECTIVOS GERAIS QUE PROPOMOS À CLASSE
1. Unir a Classe. Temos como objectivo principal e fundamental a unidade e organização da classe operária e de todos aqueles que vendem a sua força de trabalho, na luta contra todas as formas de exploração do homem pelo homem e pela sociedade sem classes.
2. O princípio fundamental para a unidade entre todos os explorados é a livre discussão de ideias dirigida pelos princípios da democracia proletária, como meio de os trabalhadores resolverem as suas próprias contradições e de separarem o que serve do que não serve.
3. Dirigir a luta contra os inimigos externos da classe (os velhos e os novos patrões) e os inimigos internos (todos os oportunistas e traidores).
4. Em  relação ao Estado, defendemos o princípio de que a natureza do Estado depende da natureza da classe que esta no poder e que essa classe continua a ser a burguesia. Como tal, não permitiremos qualquer interferência na orientação da política sindical, combatendo todas as medidas anti-operárias e anti-populares sejam quais forem os seus autores.
5. Combater o sectarismo e todas as formas de repressão e atrofiamento da capacidade criadora das massas trabalhadoras.
6. Lutar pelo respeito do direito à livre e democrática expressão de todos os pontos de vista existentes no seio dos trabalhadores, a fim de que estes possam escolher os que os defendem e afastar os que os não servem.
7. Promover a ligação dos vários sectores de actividade, sobretudo através da colaboração a prestar as iniciativas promovidas por outros sindicatos e comissões de trabalhadores, dentro dos princípios democráticos e patrióticos por que nos propomos lutar ao lado dos trabalhadores.

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do nosso programa, de forma a melhorar o nível de vida dos trabalhadores.
9. Ter como princípio a luta contra as horas extraordinárias.
10. Regalias sociais:
a) subsídio de doença e acidente a 100%;
b) melhores condições de reforma;
c) lutar pelo subsídio de desemprego igual ao salário mínimo nacional;
d) lutar por condições de higiene e segurança no trabalho.
11. Consolidar e defender a semana das 40 horas, como horário máximo nacional, sem prejuízo para os trabalhadores com horários inferiores.
12. Apoiar intransigentemente a luta contra o decreto 784/75 sobre a Previdência.
13. Lutar pela continuação do saneamento e contra a tentativa de reintegração nas empresas dos contra-revolucionários justamente saneados pelos trabalhadores.
14. Lutar pela categoria única das Telefonistas das empresas privadas.

VERTICALIZAÇÃO
O movimento sindical luta pelo reforço constante da sua organização. Nesse sentido, defendemos a verticalização. Defendemos o processo iniciado pela actual direcção, apontando para o Sindicato vertical de ramo de actividade, fomentando ao mesmo tempo a integração dos vários sindicatos dos TLP no Sindicato dos Telefonistas.

POR UMA CENTRAL SINDICAL ÚNICA
Defendemos a existência de uma Central Sindical Única, capaz de unir todos os trabalhadores, de forma a que estes possam contar com o seu apoio seguro às lutas que têm de travar contra os seus inimigos de classe, de modo a satisfazer as suas aspirações e necessidades.
No entanto, para que essa Central Sindical possa cumprir estas funções, é necessário que ela seja uma organização democrática, que seja uma organização exclusivamente controlada pelos trabalhadores e não uma organização ao serviço do governo, ou instrumento de pressão, como tem sido a Intersindical.
Ao contrário, a Intersindical é um organismo anti-democrático e burocrático. Não podemos ignorar o significado contraditório da actuação seguida pela Intersindical, apoiando e fomentando lutas das quais os trabalhadores nunca obtiveram qual quer resultado que satisfizesse as suas justas reivindicações, e atacando e caluniando outras lutas decididas pelos trabalhadores.
Tudo isto explica a actual situação de verdadeira cisão existente no movimento sindical.
Assim, lutaremos ao lado daqueles sindicatos e de todos os trabalhadores que querem uma Central Sindical Única Democrática, dirigida e controlada pelos trabalhadores, com dirigentes eleitos democraticamente e da sua inteira confiança, com uma posição firme e clara face aos exploradores e ao Estado dos mesmos.

POSIÇÃO FACE ÀS COMISSÕES DE TRABALHADORES
Defendemos e apoiamos a existência de Comissões de Trabalhadores, desde que sejam livremente eleitas e revogáveis a qualquer momento, enquanto órgãos democráticos representativos dos trabalhadores das empresas.
Teremos com elas uma ampla colaboração, no sentido de garantir uma maior eficiência das lutas dos trabalhadores, reconhecendo-lhes um papel autónomo.
Reconhecemos que uma das tarefas principais das Comissões de Trabalhadores é dirigir a aplicação do controlo operário sobre a produção, a distribuição e o consumo, como forma de luta contra a exploração.
SECÇÃO CULTURAL
1. Organizar e apoiar cursos, colóquios, filmes, debates e sessões de esclarecimento sobre todos os problemas que interessam à classe.
2. Planear contactos e debates conjuntos, trocas de experiências com trabalhadores de outras em presas, partindo sobretudo dos problemas que se prendem directamente ao nosso sector.
3. Organizar e apoiar iniciativas culturais sobre a experiência da luta de outros povos contra o imperialismo americano e o social-imperialismo russo, contra o colonialismo e o neo-colonialismo.
4. Editar um boletim do Sindicato que esteja aberto à expressão de todos os pontos de vista existentes no seio dos trabalhadores e que tenha uma ampla participação destes na sua feitura.
5. Organizar a biblioteca do Sindicato.

CONCLUSÃO
Este e o programa que submetemos a apreciação e votação da classe. Consideramos que só um programa inequívoco e uma direcção firme disposta a não vergar face às dificuldades e com o amplo apoio dos trabalhadores, poderá fazer do Sindicato uma arma da classe contra os exploradores
POR UM SINDICATO DEMOCRÁTICO!
POR UM SINDICATO NAS MÃOS DOS TRABALHADORES!
LUTA! UNIDADE! VITÓRIA!

LISBOA. 17-1-77
LISTA D

VOTA LISTA D
LUTA! UNIDADE! VITÓRIA!

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