sábado, 4 de fevereiro de 2017

1977-02-04 - Luta Popular Nº 508 - PCTP/MRPP

Comentário
O SIGNIFICADO DA ENTRADA NA CEE

Acelera-se a movimentação em diversos sectores da classe dominante no sentido da adesão de Portugal à CEE. Com este objectivo Medeiros Ferreira tem hoje uma reunião com os embaixadores portugueses na CEE e anuncia-se uma viagem de Mário Soares pela Europa, escalando Londres onde terá conversações com James Callagham chefe do Governo Britânico seguindo posteriormente para Dublin, Copenhague e Roma.
Por seu turno Freitas do Amaral Presidente do CDS declarou à sua chegada da Madrid que esta integração de Portugal na CEE era não apenas oportuna como grandemente necessária, anunciando ainda que na reunião de Madrid com outros representantes das democracias cristãs europeias foi acordado dar um grande apoio a esta integração bem assim como um substancial apoio material ao Governo de Mário Soares.
A integração de Portugal na Europa, ou seja na CEE, tem motivado acesas polémicas entre os diversos sectores da burguesia, sendo que, pelo menos tendo em conta o debate parlamentar ocorrido sobre esta questão, o Governo de Soares tem sobre este problema o apoio do CDS e do PPD e a oposição do partido social-fascista, defensor, claro, da integração no COMECON.
Nela, integração na CEE, se jogam muitos dos interesses das diversas classes e camadas de classe existentes na nossa sociedade, sendo que no fundo face ao problema por ela colocado só se definem duas posições antagónicas — a posição do proletariado e a posição da burguesia.
O problema que a integração coloca é este, a saber, o da dependência do nosso país em relação ao imperialismo, é o da defesa ou não da independência nacional.
A CEE é uma estrutura criada pelos grandes monopólios europeus para em comum discutirem e melhor forma de explorarem os diversos povos da Europa, manterem o seu domínio contra-revolucionário e combaterem o proletariado e os povos europeus. O objectivo fundamental, essencial da CEE é este.
A CEE, entretanto, enquanto organismo dos monopólios europeus constitui igualmente, no domínio da burguesia dos diferentes países, uma tentativa de os monopólios europeus se subtraírem ao controlo que sobre eles procuram exercer o imperialismo e o social-imperialismo.
A existência destas contradições entre os monopólios da Europa e os monopólios dos Estados Unidos ou os monopólios de Estado da União Soviética não são indiferentes ao proletariado europeu e aos povos da Europa que contrariamente devem ter em conta essas contradições com o objectivo de as aprofundar e atirar uma parte do inimigo contra outra parte do inimigo, sendo que o sentido estratégico desta política é o isolamento e o combate aos dois inimigos principais — o imperialismo americano, o social-imperialismo e o hegemonismo dessas duas superpotências.
Certos oportunistas da nossa praça, tipo Vilar e quejandos, acham por bem que para combater o social-imperialismo é necessário ao proletariado aliar-se ao imperialismo americano e, claro, aos monopólios europeus de quem pregam o «progressismo», o carácter «democráticos» e outras pulhices do género que constituem uma revisão completa, de alto a baixo das teses do proletariado sobre a natureza dos monopólios e a atitude que em relação a eles deve ter o proletariado.
Neste contexto facilmente questão (como em todas as como em todas alias) eles são igualmente os fiéis arautos da política governamental, da política dos monopólios portugueses. A adesão à CEE, no entanto nada de bom pode trazer ao nosso povo e ao nosso país, constituindo sim, na realidade, uma medida que irá acentuar a exploração do nosso povo, a dependência da nossa pátria, a alienação da nossa soberania e da nossa independência.
Tal medida, tem pois a oposição do proletariado e do povo, de todos os verdadeiros democratas, antifascistas e anti-social-fascistas.

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