sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

1977-02-03 - Luta Popular Nº 507 - PCTP/MRPP

Comentário
OS AÇORES E O SEPARATISMO

Como tem sido largamente anunciado encontram-se neste momento no Continente o Ministro da República nos Açores, General Galvão de Figueiredo e o Presidente do Governo Regional Açoreano Mota Amaral.
A presença destas duas personalidades na parte continental do nosso país liga-se aos problemas que crescentemente se têm levantado entre o Governo Central de Mário Soares a o Governo Regional de Mota Amaral, e mais concretamente devido cm graves problemas originados pela chamada «onda. separatista» que grassou pelo menos em algumas ilhas do arquipélago açoreano.
A questão dos Açores, entretanto, tem sido vastamente falada e comentada, tendo como origem imediata alguns graves acontecimentos ocorridos tanto nos Açores como na Madeira, nomeadamente manifestações e invasões do palácio presidencial operadas por separatistas.
O que é o separatismo? A quem serve? Quais as suas origens?
A sociedade açoreana tal como a de Portugal Continental divide-se em classes e camadas de classe tendo cada uma delas interesses diversos. Nada na sociedade, nenhum fenómeno, nenhuma corrente de opinião, etc., pode deixar de possuir um selo de classe, isto é, todos esses fenómenos sociais têm necessariamente de representar os interesses desta ou daquela classe ou camada de classe.
O separatismo tem, pois, uma raiz de classe, e saber, a grande burguesia tanto açoreana como Madeirense. É a grande burguesia dessas duas partes do território português que motivada pelas contradições que possui com a burguesia do Continente e pensando poder defender melhor os seus interesses de exploradores quem defende e postula a separação da Madeira e dos Açores do território pátrio e a sua entrega em exclusivo ao imperialismo americano.
Aliás, o separatismo e a propaganda ianque estão Inteiramente ligados e não escapa a ninguém, a não ser a quem não quer ver que aqueles que propagandeiam a separação são os mesmos que abrem as portas de par em par ao imperialismo americano, lhe fazem a propaganda e preparam o campo.
Pensam tais indivíduos que entregando-se de mão beijada aos ianques que, defenderão melhor os seus interesses, os interesses dos rapinadores, dos exploradores, da classe dos parasitas.
Pretendem por seu turno as autoridades governamentais regionais apresentarem-se como defensores do não separatismo, o que evidentemente só pode enganar os incautos. Quem pode esquecer que Mota Amaral só por intervenção pessoal de Ramalho Eanes deixou de visitar por auto-recriação os Estados Unidos há poucos meses atrás, quem não está lembrado das loas que ele e o seu Governo cantam ao imperialismo, ao seu domínio económico, militar e político? Sim, quem não tem ainda retidas na memória que Mota defende com unhas e dentes a manutenção das bases de agressão americanas nos Açores?
É preciso ser claro, e ser claro neste caso é afirmar que sendo a base social do separatismo a grande burguesia e a base económica o seu domínio, tanto uma coisa como outra estão indissoluvelmente ligadas ao imperialismo americano, isto é, tanto as ligações e domínio que os americanos possuem com a grande burguesia açoreana como com o domínio e os interesses económicos que nessa parte do nosso território tem, a somar como é sabido aos interesses militares manifestado pelos ianques em relação aquele estratégica arquipélago.
Por seu turno o Governo central de Soares que gesticula ridiculamente perante esta situação é ele o primeiro responsável pela sua manutenção já que é ele próprio a cantar loas ao domínio ianque, e à vantagem desse domínio.
O separatismo tem pois no seu conjunto estes defensores.
Mas tem igualmente quem se lhe oponha. E quem se lhe opõe é o povo português tanto dos Açores como do Continente que tem lutado e continuará a lutar valentemente contra o domínio dessa parasitagem sempre apostada por vender o nosso país por meio prato de lentilhas.
É inegável, aliás, que uma longa e aura dominação tem sido praticada pela burguesia do Continente em relação ao povo português dos Açores o que lhe criou uma justa aspiração à autonomia. Neste anseio sentido pelo povo procuram pescar todo o tipo de oportunistas — os defensores da autonomia das misérias, etc.. etc.
A autonomia que o povo português dos Açores defende e quer, no entanto, só pela via da Revolução Democrática Popular e só na sociedade por esta criada pode ter uma solução digna — a autonomia no quadro da nação portuguesa.

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