quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

1977-02-02 - Luta Popular Nº 506 - PCTP/MRPP

DE RELANCE

A «segurança» da PSP
PELAS SEIS HORAS do dia de ontem declarou-se um Incêndio no Comando Geral da PSP, na Rua S. Sebastião da Pedreira, em Lisboa.
Apenas por um mero acaso tal incêndio não causou uma explosão de grandes proporções que teria causas bem trágicas dado que aquele comando está situado no meio de uma área residencial de grande concentração populacional.
Segundo as próprias palavras de um dos chefes da PSP «Foi uma sorte tudo isto não ter ido pelos ares»!!! E porquê?
Por uma simples razão. Naquele comando estavam acumuladas dezenas e dezenas de quilos de explosivos, de granadas de mão, de munições, de armas de guerra ali acumuladas contra os próprios regulamentos dos militaristas, mas com uma razão bem clara e evidente: a de serem utilizadas contra o povo, contra as suas lutas, contra a revolta das massas populares.
Eis a verdadeira natureza da segurança por que ela a PSP...
«Disciplina, meus senhores!»
ANTÓNIO REIS, membro do secretariado do PS e conhecido defensor da política da «maioria de esquerda», numa entrevista dada a um matutino nortenho prestou algumas declarações significativas.
Uma dessas afirmações respeitante às alianças do PS, garantia que «a hipótese de aliança com o PSD está cada vez mais afastada». Numa altura em que a Assembleia da República, e devido à «infidelidade» do partido social-fascista, o PS se vê obrigado a mendigar os votos do CDS, tal afirmação tem o seu quê de irónico, pois pela lógica de António Reis a hipótese de aliança com este partido ainda estaria mais afastada.
Seguidamente, ao ser, posto perante a questão da impopularidade das medidas do governo do seu partido, António Reis conclui que isso é um facto que entristece qualquer legislador socialista, pois significa que há muitos trabalhadores que precisam de ser disciplinados». — palavras que por si sós, mostram bem como a política da «maioria de esquerda» em nada difere da política dos governos fascistas de antes do 25 de Abri] da «ordem e disciplina».

Afinal quem é o «defesa» dos pides?
COMO JÁ VEM SENDO NORMAL, mais pides foram libertados ontem, desta vez três, todos eles agentes de primeira classe e pertencentes aos quadros de investigação da pide.
Só um pide teria três testemunhas de defesa, pois os outros embora não as tivessem legalmente, tiveram no entanto no «acusador» oficial a melhor defesa que lhes poderia aparecer. Senão vejamos esta linda prosa: «...pertenceu aos quadros de investigação da DGS, não existe queixas contra o arguido, não possui agravantes e tem várias atenuantes já ditas no libelo. Peço portanto ao digno tribunal que faça justiça segundo a lei.»
Mais ou menos assim reza a lenga-lenga do Promotor que defende também os pides que a defesa que se pronuncia a seguir já pouco tem para dizer. Aliás no intervalo do julgamento a defesa oficiosa diria que já tinha feito esse reparo ao Promotor, de que ele a continuar assim valia mais nem haver defesa!
Mas ontem se o julgamento foi igual a tantos outros, acontece que algo houve que quebrou um pouco à monotonia. Foi que a certa altura se deu conta que se estava a fazer um julgamento e não havia réu, ou seja faltava o pide. Querem saber onde estava? É difícil mas nem o tribunal o sabe. Parece que fugiu de Alcoentre e quanto ao paradeiro o que o tribunal fez foi aplicar-lhe uma pena já cumprida provavelmente para lhe dar o aval para regressar e assim já se saber do seu paradeiro! É o que se chama uma condenação merecida.
Com tudo isto já nos íamos esquecendo da pena dada aos pides. Um levou 14 meses, outro 1 ano e o que fugiu 17 meses. Escusado será dizer que todos já tinham cumprido as penas.

O pé na argola
AO CHEGAR DE ESTRASBURGO, onde participou na reunião dos ministros do Conselho da Europa, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Medeiros Ferreira, prestou declarações acerca da admissão do nosso país à Comunidade Económica Europeia (CEE) — ou melhor, acerca das condições impostas para essa admissão. Começando por negar a existência de tais condições, mas admitindo logo a seguir que, por exemplo, tem sido posto pelos países da CEE «o problema de algumas indemnizações devidas a estrangeiros como a nacionais», Medeiros Ferreira meteu, para usar uma expressão vulgar, o «pé na argola».
De resto, a existência de tais condições, vexatórias para o nosso povo, são a própria essência da CEE como organismo de união da burguesia capitalista da Europa. Toda a organização tem princípios, objectivos, condições, e os da CEE são, evidentemente, os da subjugação do nosso país ao imperialismo neste caso o subimperialismo europeu.
Quanto aos anos que Medeiros Ferreira admite que possam durar até essa admissão, não são outra coisa senão o aguardar, por parte da CEE, de que a deteriorada situação económica do nosso país se agrave ao ponto em que todas as condições sejam aceites pela burguesia nacional

Pode vir, «Mister Smith»
NUMA PEQUENA NOTA publicada no «Jornal de Notícias» do Porto anuncia-se que «o alto funcionário do Departamento de Estado norte-americano encarregado da ligação com Portugal, keith Smith, deslocar-se-á provavelmente no início do mês que vem a Lisboa, para uma longa estadia», durante a qual terá a agenda «sobrecarregada de entrevistas e contactos informais com muitos dirigentes da vida política portuguesa».
A impunidade com que os agentes imperialistas e social-imperialistas actuam no nosso país dá-lhes o «direito» de, antes de se deslocarem, usarem a própria imprensa para propagandear as suas «visitas».
Um «direito» a que o nosso povo saberá dar o devido tratamento, talvez mesmo na altura em que ousar aqui pôr as patas.
Pois então venha, e obrigado pelo aviso!

Sem comentários:

Enviar um comentário

Arquivo