quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

1977-02-02 - Bandeira Vermelha Nº 055 - PCP(R)

EDITORIAL
Proletários de todos os países, uni-vos!

HISTÓRICA DECLARAÇÃO CONJUNTA DE PARTIDOS MARXISTAS-LENINISTAS DA AMÉRICA LATINA
A declaração conjunta de partidos marxistas-leninistas da América Latina,divulgada após um encontro realizado em Tirana, suscita, primeiro que tudo, as nossas mais vivas saudações revolucionárias. Trata-se de uma declaração histórica com a qual o PCP(R) se solidariza inteiramente.
As ligações internacionalistas entre os partidos marxistas-leninistas, bem salientadas e incentivadas pelo camarada Enver Hoxha no 7o Congresso do PTA, são de importância extrema para o movimento comunista e devem ser aprofundadas como fizeram agora os partidos irmãos da América Latina.
Na verdade, a criação de uma frente unida mundial dos povos contra as duas superpotências passa pela criação de sólidos laços internacionalistas entre os partidos comunistas, única base segura para a resistência aos intentos bélicos das forças imperialistas e para que tal movimento de resistência se traduza no sucesso da revolução. O progresso das forças revolucionárias em cada país exige o fortalecimento dos respectivos partidos marxistas-leninistas e a criação de francas e sólidas relações internacionalistas proletárias.
O encontro dos partidos da América Latina é uma acção pioneira de grande significado histórico para o movimento comunista e um exemplo para os Jovens partidos marxistas-leninistas de todo o mundo. É a primeira vez, de há anos a esta parte, que um conjunto tão numeroso de partidos marxistas-leninistas emitem uma declaração conjunta de tamanha importância, após trocarem opiniões sobre assuntos decisivos para o movimento comunista internacional e sobre questões de fundo respeitantes à revolução nos respectivos países e no mundo.
Neste sentido, o Encontro e a Declaração são a primeira resposta positiva à afirmação do camarada Enver Hoxha, feita no relatório ao 7º Congresso do PTA, segundo a qual “nós, partidos marxistas-leninistas e operários, compreendendo de forma acertada o grande papel desempenhado pelo Komintern na época de Lenine e Staline, temos por dever reforçar e temperar constantemente a estreita colaboração entre os nossos partidos, sem naturalmente depender nem receber ordens uns dos outros".
O encontro e a declaração conjunta dos partidos marxistas-leninistas patenteiam por outro lado, a corrente de unidade que atravessa o movimento revolucionário marxista-leninista e estabelece um contraste flagrante com a divisão crónica de que padece o revisionismo contemporâneo, bem demonstrada pelas peripécias que rodearam a conferência de Berlim dos partidos revisionis­tas.
A unidade revolucionária dos marxistas-leninistas de todo o mundo fortaleceu-se com o encontro e a declaração conjunta dos partidos irmãos da América Latina.
A identidade de pontos de vista que ressalta da Declaração, espelha a unidade combativa que liga os partidos irmãos da América Latina.
Trata-se de partidos marxistas-leninistas de todo um continente, lutando em condições sociais e políticas muito semelhantes. O reforço dos laços internacionalistas entre eles é de importância sem limites: significa a consolidação de uma verdadeira cadeia de destacamentos proletários revolucionários em guerra aberta contra a hegemonia imperialista americana e contra os regimes militares fascistas que dominam quase toda a América Latina.
A clara definição comum do inimigo principal dos povos do Continente — o imperialismo norte-americano — confere à luta daqueles partidos irmãos o sentido de uma luta conjugada e sistemática para abater os opressores dos povos latino-americanos, evitando dispersão de esforços das forças revolucionárias e opondo à aliança reaccionária das ditaduras fascistas, apoiadas pelo imperialismo americano, a aliança revolucionária dos povos, guiados pelos partidos marxistas-leninistas e apoiados no internacionalismo proletário.
Clara é, também, a indicação da via da luta armada, baseada na ampla unidade das forças progressistas de cada país, para romper definitivamente com a dramática situação de exploração e repressão que aflige os povos latino-americanos.
Clara é, ainda, a afirmação de que as duas superpotên­cias constituem os principais inimigos dos povos do mundo. Contra ambas devem os partidos marxistas-leni­nistas mover uma tenaz luta revolucionária que lhes desfaça as manobras agressivas e lhes quebre as pretensões hegemónicas desagregando os factores de guerra imperialista e acumulando forças revolucionárias que façam progredir a revolução no mundo. Seria, porém, um grave erro, como salienta a Declaração, pensar que este combate se poderia levar a cabo apoiando-nos numa das superpotências para atacar a outra, pois como afirmou o camarada Enver Hoxha no 7o Congresso do PTA "a colaboração e a rivalidade entre as duas superpotências representam as duas faces de uma realidade contraditória, constituem a principal expressão de uma mesma estratégia imperialista, que tende a roubar aos povos a sua liberdade e a dominar o mundo".
A confiança sem limites nas forças revolucionárias e, particularmente, no proletariado e nos seus partidos marxistas-leninistas é um dos traços marcantes da Declaração.
Neste aspecto também, os partidos da América Latina contribuem de forma vigorosa para combater as tendências que descrêem do papel de vanguarda do proletariado e da missão dirigente dos partidos marxistas-leninistas e que, por essa via oportunista, abdicam do combate de classe contra a burguesia e contra as forças reaccionárias dos seus próprios países. Não abdicar nunca da luta contra os inimigos internos é uma posição peremptória da Declaração que a prática revolucionária dos partidos da América Latina tem demonstrado em anos de luta consequente. "Os Partidos marxistas-leninistas - afirma a declaração — vão-se transformando nas forças dirigentes do movimento revolucionário nacional, democrático e popular. (...) A luta pela independência nacional e contra as duas superpotências exige a unidade de todas as forças susceptíveis de serem unidas, mas somente o proletariado e o seu Partido marxista-leninista estão em condições de dirigi-la consequentemente até à vitória."

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