quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

1977-02-01 - Viva o MES! Nº 04 - MES

INTRODUÇÃO

Com a publicação deste Viva o MES termina formalmente os seus trabalhos a Comissão Organizadora da I Conferencia Nacional de Quadros e VI Aniversario,
Só agora e possível publicar os principais documentos e decisões pois tal não podia ser feito antes que o Comité Central reunisse para tirar conclusões e aprovar uma resolução sobre essa Conferência. Ora tal veio a realizar-se a 15 e 16 de Janeiro pelo que o Viva o MES 4 sai praticamente um mês após a I CNQ.
Decidimos dividir este Boletim em três partes. Na primeira damos conta do Balanço e Resolução da 8º Reunião Ordinária do Comité Central; na segunda transcreve mos as conclusões de todas as 7 secções e subsecções em que se dividiu a Conferência; na terceira e última damos conta do modo como decorreu a Conferência, referindo todos os documentos e intervenções presentes nas diversas fases da Conferência, para além de transcrevermos aqueles que nos parecem ser os principais documentos e mais urgentes de ser divulgados.
Em breve e para completar este trabalho editará o Departamento Central uma brochura com todos os relatórios apresentados por estruturas com a sua experiência de trabalho nas células, dado o seu carácter bem específico. Bem assim, numa edição mais restrita, um volume contendo os relatórios apresentados pelas direcções das Organizações Regionais e Secretariados de Núcleo.
A edição deste Viva o MES e a de um exemplar por estrutura e não por membro ou militante do Partido e isto por duas razoes:
- há falta de papel no mercado, há falta de dinheiro no Partido, as estruturas não pagam as publicações que recebem do Departamento Central, o que se cifra já em dezenas de contos de dívidas só no ano passado, para além das sobras que regularmente recebemos deste tipo de publicações.
- este tipo de publicações dos organismos centrais deve dirigir-se fundamentalmente a estrutura e não ao membro, obrigando à sua leitura e discussão colectivas.
Lembramos a todos os camaradas as razões de segurança que obrigam a que nenhum exemplar seja perdido ou chegue às mãos de qualquer força política ou pessoa que não seja do Partido. O liberalismo de um membro que seja, compromete todo o Partido.
Como se previa a I CNQ foi um momento alto da vida do nosso Partido. O Partido não se via reunido desde o II Congresso, há portanto 5 meses. O acumular de indefinições tensões, erros, a necessidade de trocar experiências, debater, de criar polémica, de perceber os caminhos que se nos abrem, exigiam uma realização de tal importância como e uma Conferência de Quadros.
O Partido correspondeu bastante bem sendo de 83% o número de presenças em relação ao máximo possível.
As estruturas que não enviaram os seus delegados são das regiões mais distantes da capital onde a direcção do Partido ainda não conseguiu um esquema organizativo que consiga a sua correcta integração no seio do Partido. Enquanto não tivemos Organizações Regionais fortes no litoral dificilmente integraremos no Partido as estruturas do interior.
Não, estando em causa a alteração da direcção central nesta importante realização do Partido centrou-se mais a atenção de todos os camaradas delegados na tentativa da percepção de quais os pontos em divergência e de ver quem os defendia. Saiu um pouco frustrada esta tentativa pois não foi serena e clara a explicitação das possíveis divergências e alternativas, em especial no que respeita ao nosso trabalho no MUP e ao nosso futuro como organização política.
É tradição no nosso Partido que à serena explicitação de supostas divergências atribuídas a determinada estrutura, camarada ou conjunto de camaradas se sobreponha um conjunto de argumentos banais fruto de um misto de cansaço pessoal e desagregação política.
O nosso Partido e em especial os seus membros mais responsáveis têm algo de masoquistas pela necessidade que têm em determinadas períodos de criarem tensões de chefia que se sobrepõem em geral ao trabalho que há para fazer, nunca se chegando a perceber porque se chega a tal e tal posição raramente amadurecidas.
O nosso Partido é como que um fole que vai enchendo e que precisa de 9 em 9 meses de ter uma realização nacional para esvaziar. O problema é que tem enchido sempre a custa de uma pequena minoria alojada nas estruturas centrais e esvaziado normalmente com a perda de elementos para o Partido o que felizmente, como havíamos alertado para tal perigo, não veio a acontecer.
Também nestes períodos a maior parte dos camaradas assiste passivamente, isto é abstendo-se, sem perceber o que se está a passar.
Até ao momento, na nossa curta existência como partido político, raros foram os momentos de profundo debate entre estruturas ou camaradas com clara explicitação das divergências. As raras excepções havidas são mais fruto da erosão do processo político português do que reflexo no interior do partido da intensa luta de classes - que atinge a realidade social e os revolucionários.
Teremos de terminar com este "ciclo do fole” e não deixar que ele se volte a verificar em vésperas do III Congresso.
Prova do que vimos dizendo e que passado um mês sobre a I CNQ realiza-se uma reunião do CC em que o ambiente em que ela decorre e o volume de matéria discutida e aprovada é um sintoma do que ainda há um mês parecia intransponível é hoje um facto - a unidade do Partido em torno do Comité Central.
Estamos ainda longe de estabilizar em todos os níveis, como organização política.
É contudo o momento de chamarmos à lucidez todas as estruturas de direcção, do topo à base do Partido para que façamos da realização do III Congresso, que tudo indica se realizara em princípios de Junho, um momento exemplar de transformação do partido Porque esperamos camaradas?
Em frente com o MES!
Viva o COMUNISMO!
Em frente com o III CONGRESSO!

Nota: a fotografia da capa corresponde à sessão de encerramento do II Congresso. A fotografia da contracapa corresponde ao Comício de encerramento da campanha eleitoral para a Assembleia da República, realizado no Campo Pequeno.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Arquivo