quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

1977-02-01 - Unidade Popular Nº 106 - PCP(ml)

Declaração do Secretariado do CC do PCP(m-l) sobre o II Congresso fantoche da Intersindical

O Secretariado do Comité Central do Partido emitiu, por ocasião do II congresso fantoche da Intersindical, uma declaração que passamos a reproduzir integralmente.
1 - Está a ter lugar o II congresso fantoche da Intersindical. Este congresso vem confirmar a cisão do movimento sindical, da responsabilidade dos promotores desse congresso, os sociais-fascistas cunhalistas, lacaios do social-imperialismo russo. Sobre o problema da unidade do movimento sindical, o PCP(m-l) relembra a sua posição desde que o problema se colocou de uma maneira clara em Janeiro de 1975.
2 - Constitui um direito inalienável da classe operária, um direito democrático, o de se associar livremente, independentemente do Estado. O Estado não tem nada que se intrometer no movimento operário nem impor-lhe uma forma específica de organização nem a chamada «unicidade sindical», ou seja, a central sindical única expressa na lei. É exclusivamente à classe operária, aos trabalhadores, a quem compete unir-se ou cindir-se de acordo com a sua própria consciência e vontade.
3 - O PCP(m-l) defende a unidade sindical em princípio mas não em absoluto. O PCP(m-l) admite que, em certas circunstâncias, e sempre que daí resulte a defesa dos superiores interesses da própria classe operária, a iniciativa de formar uma nova central sindical possa e deva pertencer aos comunistas autênticos. O movimento operário internacional oferece-nos vários exemplos. O PCP(m-l) opõe-se, portanto, ao pluralismo sindical baseado em filiações partidárias que alguns dirigentes sociais- -democratas do PS tentaram impor.
4 - Um caso em que, como comunistas autênticos, não hesitamos em apoiar a formação de uma outra central sindical é quando na central sindical existente não se pratica a democracia operária mas sim, em nome dela, o puro fascismo de capa «socialista», o social-fascismo. Neste caso não podemos responsabilizar pela cisão o imperialismo americano ou a social-democracia mas os sociais-fascistas, lacaios do social-imperialismo russo, que se recusam sistematicamente a acatar as decisões da maioria dos operários e outros trabalhadores. E o caso da Intersindical social-fascista, do seu congresso e de vários sindicatos.
5 - O PCP(m-l) ao mesmo tempo que se opõe à fascização dos sindicatos pelos cu­nhalistas, rejeita firmemente a demagogia «apartidária» dos sociais-democratas segundo a qual o que encontram de mal na Intersindical não é, no fim de contas, a violação da democracia interna dos sindicatos e da própria central, mas a instrumentalização da Intersindical por um partido, no caso o de Cunhal. Nós não podemos deixar de classificar de filistinas estas declarações dos responsáveis do PS, pois, também eles, pretendem instrumentalizar os sindicatos. E nós também, tal como qualquer partido — não o escondemos, como já lhes dissemos em encontros em Janeiro de 1975. O que exigimos, connosco ou outros a dirigir uma central sindical ou um sindicato, é o respeito pela democracia sindical. Nesta base, em minoria ou em maioria, encontraremos uma
base segura de unidade no trabalho, de luta pela independência nacional, pela democracia, pela melhoria das condições de vida dos trabalhadores.
6 - Desde a primeira hora que o PCP(m-l) vem denunciando a prática corrente dos sociais-fascistas nos sindicatos e na Intersindical, a prática da arbitrariedade, do golpe que todos conhecemos. Entretanto, «submarinos» cunhalistas e conciliadores do PS têm feito um jogo duplo nos sindicatos, o que só tem favorecido o social-fascismo. O PCP(m-l) chama os responsáveis do PS à razão para que, de uma vez por todas, abandonem os seus interesses individuais e se prontifiquem a colaborar com as restantes forças patrióticas e democráticas na luta por isolar os sociais-fascistas nos sindicatos.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Arquivo