sábado, 4 de fevereiro de 2017

1977-02-00 - Juventude Nº 20 - UJC

PREPAREMOS O 1º CONGRESSO
QUE POR TODO O LADO DESABROCHEM AS ENERGIAS CRIADORAS E O ESPÍRITO DE INICIATIVA DA JUVENTUDE TRABALHADORA

Nos dias 5 e 6 de Fevereiro teve lugar uma importante reunião da Comissão Central da União da Juventude Comunista alargada às Comissões Distritais e a camaradas de secretariados de grandes sectores e empresas. Participaram nos trabalhos 102 camaradas. A Comissão Central analisou a situação política, discutiu e aprofundou as frentes de trabalho da juventude trabalhadora nas empresas e nos sindicatos, nas escolas, no trabalho unitário e nas colectividades o debate decorreu cheio de entusiasmo e viva participação de todos os camaradas.
Após a apreciação da situação e do desenvolvimento da luta da juventude trabalhadora a Comissão Central da UJC em sessão alargada decidiu realizar o seu primeiro Congresso no próximo mês de Abril. (...)
QUE FUTURO PARA A JUVENTUDE COM A POLÍTICA DO GOVERNO PS?
A política do Governo PS, para além de ser antioperária e antipopular, é também antijuvenil. O Programa do Governo começou por não fazer qualquer referência concreta aos interesses e aspirações da juventude trabalhadora. A sua prática demonstra o igualmente dia-a-dia.
Os jovens trabalhadores duramente atingidos pelo desemprego, sofrem o agravamento da| discriminações: económicas, sociais e culturais, vêem piorar as suas condições de vida, sentem pessoalmente os efeitos a ofensiva reaccionária no ensino e na cultura.
1. Pioram as condições de vida e de trabalho da juventude trabalhadora. Aumenta o desemprego. Segundo declarações oficiais existem no nosso País quinhentos mil desempregados, dos quais mais de 200 mil procuram emprego pela primeira vez. Pelo menos, mais de 300 mil jovens estão no desemprego. A lei dos despedimentos vem manter e agravar ainda mais esta situação. No que respeita às discriminações, o Governo PS ora as ignora, ora as legaliza o princípio «a trabalho igual salário igual» continua a ser letra morta na Constituição. O salário mínimo é estabelecido aos 20 anos. Os jovens trabalhadores já conquistaram o direito de voto aos 18 anos exigem o salário mínimo a partir da mesma idade, que a trabalho igual corresponda salário igual e que seja aplicado em todos os sectores e empresas.
Os preços elevados das rendas de casa da alimentação, dos transportes, etc., causam problemas particularmente graves aos jovens trabalhadores e jovens casais. A juventude trabalhadora exige do Governo PS medidas concretas. Que sejam ouvidos os jovens trabalhadores e que se ponha em prática as principais reivindicações e conclusões dos seus Encontros e Assembleias.
2. Quanto aos trabalhadores-estudantes o Governo continua a ignorar a sua existência, esquece que mais de 100 mil trabalhadores na sua maioria jovens, estudam com muito sacrifício depois da jornada de trabalho. Após a ofensiva geral do MEIC sobre as conquistas dos trabalhadores-estudantes no campo da gestão democrática das escolas, do movimento associativo, do conteúdo progressista das matérias e métodos pedagógicos, o ministro Cardia toma agora medidas que pretendem na prática afastar os trabalhadores-estudantes dos estudos. São exemplos recentes o estabelecimento de um único tipo de faltas, a proposta de um único tipo de exames (ignorando-se as matérias ensinadas em cada escola) a proibição dos trabalhadores-estudantes saírem da escola quando têm furos.
Esta política reaccionária do MEIC é um atentado aos mais elementares direitos dos trabalhadores-estudantes.
3. Também na ocupação dos tempos livres, do desporto e da cultura, o Governo prossegue uma política antijuvenil.
No campo do desporto, depois de ter afastado dezenas de técnicos, profissionalmente competentes e dedicados, depois de fazer tábua rasa ao estudo e ao trabalho efectuado pela anterior Secretaria de Estado da Juventude e Desportos, que possibilitou desportiva a dezenas e dezenas de milhares de jovens e crianças, aprovam agora o lançamento de subsídios que privilegiam o desporto federado de elite e relegam para segundo plano os sectores e modalidades promissores do desporto de massas
É exemplo disse os 2500 contos atribuídos ao atletismo, uma das modalidades desportivas de massas, e 1250 contos a um desporto de elite como a vela.
No campo da actividade cultural e recreativa, não existe uma política que aponte para o desenvolvimento da capacidade criadora e imaginativa da juventude.
O actual FAOJ saneia dezenas de técnicos portugueses competentes e homens honestos e contrata outros do Conselho da Europa, prossegue uma política partidária, dirigista, inimiga da juventude. Recolhem-se publicações juvenis que falam de teatro, cinema, literatura, jornalismo, etc., e são substituídos por cadernos sobre o Conselho da Europa que nada têm a ver nem com a animação cultural, nem com os interesses imediatos da juventude Concedem-se subsídios sem definição de princípios, obedece-se a critérios partidários, visa-se na prática controlar as associações juvenis Com esta politica, os jovens trabalhadores são afastados da prática desportiva e cultural, exigindo que a DGD e o FAOJ tome medidas que vão ao encontro dos seus legítimos interesses e aspirações.

CRESCEM AS ACÇÕES E OS SENTIMENTOS UNITÁRIOS ENTRE A JUVENTUDE TRABALHADORA
 Só a juventude trabalhadora unida e organizada nas empresas e nos sindicatos, nas escolas e nas colectividades, pode lutar pelos seus direitos e interesses imediatos e profundas aspirações.
l. A realização aos encontros Regionais e Distritais é um exemplo vivo e rico de como trabalhado a deve lutar organizada e unida, animada de confiança, certa de que a sua luta contribui para fazer frente à política de direita do Governo PS, à ofensiva das forças da reacção.
As conclusões aprovadas nos Encontros são objectivos de luta da juventude trabalhadora. Divulgar nas empresas, nos sindicatos as suas conclusões, lutar pela sua aplicação prática, são tarefas de todos os jovens trabalhadores. As comissões de juventude das empresas e dos sindicatos, das associações das escolas nocturnas têm grandes tarefar pela frente. Ganhar amplas massas juvenis para a luta é condição de êxitos e de vitórias.
A realização destes Encontros foram também um valioso contributo para o êxito do Congresso de Todos os Sindicatos. A participação entusiástica dos jovens trabalhadores na preparação do Congresso é merecedora de confiança.
A União da Juventude Comunista plenamente convicta de que interpreta os interesses e aspirações da juventude trabalhadora saúda com carinho todos os participantes ao Congresso de Todos os Sindicatos, saúda a heróica Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional, na plena certeza de que saberá merecer a confiança da juventude e de todos os trabalhadores portugueses.
2. Consciente de que a hora é de unidade, a União da Juventude Comunista apela para que todos os jovens trabalhadores se unam na luta organizada para defesa dos seus interesses, pela defesa das conquistas democráticas, para um amanhã de paz e progresso social, por um amanhã feliz para a juventude e o Povo português.
A União da juventude Comunista apela para os jovens socialistas e todos os jovens progressistas de que a juventude Iam muitos interesses comuns, de que é necessário mais do que nunca a unidade de que a politica do Governo PS não defende os interesses dos jovens trabalhadores, de que a unidade os jovens comunistas e socialistas é necessária, de que a ofensiva da reacção exige de nós essa unidade.
O nosso Congresso que vamos realizar no próximo mês de Abril, será um contributo para a unidade e a luta da juventude trabalhadora A União da Juventude Comunista está confiante de que a juventude portuguesa saberá encontrar resposta para os seus problemas, saberá encontrar a unidade necessária, saberá lutar pela defesa dos seus direitos e interesses específicos, saberá lutar por um Portugal democrático, próspero, independente e feliz.

Lisboa, 7 de Fevereiro de 1977

Sem comentários:

Enviar um comentário

Arquivo