segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

1977-02-00 - FESTIVAL POPULAR DO 25 DE ABRIL - FAPIR

FESTIVAL POPULAR DO 25 DE ABRIL
PORTO / 77

uma iniciativa da FAPIR aberta à participação de todos os anti-fascistas
reviver lágrimas de alegria
plataforma do festival

O 25 de Abril de 1974 foi urna festa do povo português. Não apenas uma festa-ritual como tantas outras, mas sim uma festa-transformação, em que o povo nas ruas - como sujeito e não como objecto - arrastou à sua frente muitas encenações possíveis de um golpe de Estado. Foi uma explosão de luta e de alegria.
O 25 de Abril de 1974 foi um acto popular de Cultura, com uma força, una clareza e uma criatividade que só vividas por dentro se podem avaliar. Acto de cultura porque, varreu impetuosamente o edifício do fascismo - que é a anti-cultura levada ao extremo. Acto de cultura como assunção de liberdade, directa e imediatamente praticada.
Nesses dias inesquecíveis, as pessoas não se perderam em análises e discussões sobre "o conceito, mais correcto de liberdade". Os oficiais do MFA derrubaram o governo. O povo saiu à rua, atirou-se a cantar ao edifício do fascismo e, na medida do possível, foi-o destruindo.
Derrubar o fascismo foi um acto cultural de alegria, para além do evidente acto político. Um acto que pertence ao património popular.
O fascismo caiu. Mas não morreu.
Por isso, o 25 de Abril continua a ser - será sempre - uma arma poderosa nas mãos dos anti-fascistas. Comemorá-lo condignamente será o reviver dessa força despoletada, o reviver dessas lágrimas de alegria, o reviver dessa unidade de milhões praticando a liberdade.
Para nós, artistas e intelectuais de variados quadrantes, seria um equívoco limitar as comemorações dessa histórica "festa popular" à escala dos feriados nacionais, dos discursos frios e formais dos salões oficiais, ou ainda - o que seria lamentável - encará-lo como um inesperado domingo suplementar a meio da semana.
Por isso a FAPIR - Frente de Artistas Populares e Intelectuais Revolucionários - toma a iniciativa de organizar, no Porto, em 1977, o FESTIVAL POPULAR DO 25 DE ABRIL, uma iniciativa aberta à participação de todos os anti-fascistas.

projecto de programa

tarde e noite Pavilhão do Académico
FESTA DE LANÇAMENTO
Canções
Danças populares
Teatro
Cinema
- lançamento público do Festival, com indicação do seu programa;
- lançamento do Concurso para o cartaz do Festival (prazo 1 mês);
- lançamento dos I JOGOS FLORAIS (NACIONAIS) DO 25 DE ABRIL;
- resultado financeiro : fundos para a organização do Festival.
De 27 Fev 77 a 25 Abr 77 durante dois meses
I JOGOS FLORAIS (NACIONAIS) DO 25 DE ABRIL
Tema: "O povo no 25 de Abril”
Modalidades:
- poesia (quadra solta, mote, romance, poema livre adulto, poema livre infantil);
- prosa (Conto ou novela, ensaio, peça teatral, conto para crianças, conto de criança);
- pintura (quadro, mural, fachada pintada, desenho infantil, cartaz);
- escultura (cerâmica, madeira, cortiça, chifre, livre adulto, livre infantil); música (canção, instrumental popular, obra para banda, obra para coro);
- cinema (curta-metragem documentário, curta-metragem ficção);
- fotografia;
- carros alegóricos.

Júris:
A constituir por especialidade, com artistas, intelectuais, críticos, artistas populares e artesãos, de reconhecida qualidade e competência.
Regulamento: A tornar público em 27 Fev 1977

De 16 a 22 Abril 1977 durante uma semana
FESTIVAL DESCENTRALIZADO
Âmbito geográfico:
concelhos do Porto, Matosinhos, Maia, Valongo, Gondomar e Gaia.
Locais de intervenção:
colectividades, bairros, jardins públicos, empresas, escolas e faculdades.
Realizações:
teatro, canções, festas infantis, concertos de bandas, conferências e colóquios, exposições, cinema, etc.
fim de semana do 25 de Abril
FESTIVAL POPULAR DO 25 DE ABRIL "REVIVER LÁGRIMAS DE ALEGRIA"
Local previsto:
Antigo Estádio do Lima (autorização a solicitar à Santa Casa da Misericórdia do Porto), e eventualmente espaços complementares nas imediações desse terreno.
Ruas, praças e jardins da cidade do Porto. Serviços permanentes:
- coordenação e cabine de som;
- informações e acolhimento;
- banco de alojamentos;
- serviço de saúde e socorros;
- restaurante popular e bufetes;
- zona de repouso, leitura e jogos calmos;
- creche.
Actividades culturais permanentes:
-  exposição de arte popular;
-      "     do cartaz;
-      "     do autocolante;
-      "     de fotografia;
-      "     das obras dos Jogos Florais;
-      "     sobre o fascismo;
-      "     sobre a reforma agrária e o arrendamento rural;
-      "     sobre o colonialismo e a descolonização;
-      "      sobre habitação e urbanismo;
- ateliers de animação e expressão infantil;
- ateliers de artesanato popular, serigrafia,
reprografia, etc.;
-  jogos recreativos não comerciais.
Actividades culturais de preenchimento de programa:
- representações teatrais;
- concertos de banda;
- ranchos folclóricos;
- colóquios e debates, literários, artísticos e científicos;
- espectáculos de circo;
- espectáculos para crianças;
- cantores e contadores populares.

Realizações previstas no programa
23 Abril 77 sábado à noite
GRANDE ESPECTÁCULO
canto e danças populares
poesia
ranchos
coros
canto livre

Abertura solene do Festival.
domingo à noite
NOITE DA AMIZADE COM OS POVOS "PASSAGEM DO ANO ANTI-FASCISTA"
- Homenagem aos povos, especialmente aos que estão ainda na sua "noite", no seu "24 de Abril".
- Artistas estrangeiros, especialmente de Espanha, da América Latina e das ex-colónias portuguesas.
- À hora histórica precisa, antes da meia-noite, apagam-se as luzes e os altifalantes reproduzem a canção "E depois do adeus", depois uma intervenção de um anti-fascista sobre o tema "fascismo, nunca mais", seguindo-se o "Grândola Vila Morena" e o primeiro comunicado do MFA anunciando o derrube do regime opressor.
- Festeja-se então o 25 de Abril, a “passagem do ano anti-fascista", a alegria popular pela queda do fascismo, das mais diversas formas
- largada de pombos;
- largada de balões luminosos;
- lançamento de cravos;
- fogo-preso;
- baile e rondas populares;
- sardinhada e confraternização;
- combatentes anti-fascistas contarão em pequenos círculos episódios da longa luta contra o fascismo;
- militares do 25 de Abril contarão em pequenos círculos episódios das operações da "jornada gloriosa".
- velhos trabalhadores poderão também contar como era o fascismo no seu dia-a-dia de trabalho, nos campos e nas empresas.

25 Abril 77
segunda-feira de manhã
A MARATONA DO 25 DE ABRIL
- Às 9 horas, alvoradas pela cidade, com gai­teiros e zés-pereiras.
- Através do Porto, a maratona percorrerá um longo itinerário passando pelo centro e pelos bairros populares.
- Trata-se de uma corrida pedestre de testemunho (por equipas), com duração de quatro horas, das 9 às 13, em que o corredor pode ser substituído em qualquer ponto do percurso por um companheiro de equipa. As equipas são de um bairro ou de uma empresa.
- A única regra é que o testemunho não pode parar. O interesse é que qualquer pessoa - seja homem ou mulher, velho ou criança, doente, etc. - pode participar na corrida, nem que seja percorrendo só 20 ou 50 metros com o testemunho: a variedade e a quantidade de "corredores” contará para a pontuação de cada equipa.
Ao longo do percurso, haverá provas complementares (físicas e intelectuais) que contarão também para a pontuação final.
Chegada a partir das 12,30h, no Estádio., onde a espera dos concorrentes será amenizada com concertos, danças e, se possível, demonstrações desportivas simples.

25 Abril 77
segunda-feira à tarde
DESFILE FESTIVO DO 25 DE ABRIL
Através da cidade, desfile festivo com:
- bandas;
- ranchos;
- zés-pereiras;
- gigantones e cabeçudos;
- quadros dramatizados (estáticos ou de movimento com limite de 5 minutos);
- CARROS ALEGÓRICOS (concorrentes aos Jogos Florais).

25 Abril 77
segunda-feira à noite
GRANDE ESPECTÁCULO "O 25 DE ABRIL"
Entrega dos prémios dos Jogos Piorais e da Maratona.
O espectáculo concebido por uma equipa de dramaturgos, músicos e cenógrafos, multi-disciplinar ("espectáculo total") de unidade temática, sobre o tema do 25 de Abril.
No fim do espectáculo, ENCERRAMENTO SOLENE DO FESTIVAL.
APOIOS OFICIAIS OU PARA-OFICIAIS A SOLICITAR
Patrocínio
Subsídios
Apoio material
Serviços
- Conselho da Revolução;
- Governo Civil do Porto;
- Câmara Municipal do Porto;
- Santa Casa da Misericórdia do Porte;
- Secretaria de Estado da Cultura;
- FAOJ;
- Direcção-Geral dos Desportos;
- Direcção-Geral da Educação Permanente;
- Direcção-Geral do Turismo;
- Fundação Calouste Gulbenkian;
- INATEL;
- Museu Etnográfico;
- Museu Nacional Soares dos Reis;
- IPC (subsídio para filme sobre o Festival);
- Radiodifusão Portuguesa;
- Radiotelevisão Portuguesa;
- Imprensa diária e semanal anti-fascista;
- Cruz Vermelha Portuguesa;
- Corporações de bombeiros.

APOIOS POPULARES A SOLICITAR
Patrocínio
Participação
Colaboração
Personalidades anti-fascistas do meio cultural: artistas, escritores, poetas, cientistas e investigadores, etc.;
Comissões e Associações de Moradores;
Conselho Revolucionário de Moradores;
Comissão Central dos Bairros Camarários;
Colectividades populares culturais, recreativas e desportivas;
Associações de Estudantes;
Organismos culturais universitários;
Comissões de trabalhadores (maratona);
Grupos e companhias de teatro independente;
Cooperativas de cinema e cine-clubes;
Etc.

…e o que é a FAPIR?
FRENTE DE ARTISTAS POPULARES E INTELECTUAIS REVOLUCIONÁRIOS
A FAPIR é uma associação cultural nacional, com carácter de frente de luta, ampla e democrática, não partidária e não confessional, com as seguintes finalidades gerais:
a) unir os artistas e intelectuais progressistas e patriotas na luta contra a opressão, a exploração e o obscurantismo, pelo Progresso, pela Liberdade, pela Paz e pela Independência Nacional.
b) unir os artistas e intelectuais progressistas e patriotas à luta mais geral do povo trabalhador de Portugal contra a miséria, a exploração e a opressão, contra o fascismo e o imperialismo.
c) lutar pelos interesses e aspirações próprios dos artistas e intelectuais progressistas e patriotas, profissionais ou amadores, colectivos ou individuais.
d) servir o povo no campo cultural, promovendo, apoiando, difundindo e defendendo todas as manifestações culturais do povo trabalhador nascidas do seu trabalho, das suas lutas e das suas tradições seculares.
e) lutar, de uma forma geral, pela promoção e a afirmação cultural do povo trabalhador, por uma Cultura Popular contra a cultura das classes exploradoras, própria Cultura Nacional contra a influência e o domínio cultural imperialista.
f) permutar com os outros povos e divulgar por todos os meios ao seu alcance, as suas obras culturais, expressão da sua luta contra à opressão, o fascismo e o imperialismo, em todas as suas formas.
ARTIGO 4º DOS ESTATUTOS DA FAPIR

Esta brochura de informação é editada pelo SECRETARIADO NACIONAL (PROVISÓRIO) DA FAPIR
FAPIR (Frente de Artistas Populares e Intelectuais Revolucionários)
Sede provisória:
Casa da Comina - Praça de Espanha - LISBOA Telefone: 762624

Fevereiro, 1977.

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