sábado, 18 de fevereiro de 2017

1977-02-00 - Democracia CDS 76 Nº 12

Direitos do Homem
Na Checoslováquia os cravos são para pisar
Solidariedade Internacional pelos Direitos do Homem

A detenção recente de democratas checoslovacos (VACLAV HAVEL, LUDVIK VACULIK, PAVEL LANDOVSKY e ZNEDK URBANEK) veio reavivar uma vez mais a questão de respeito pela Declaração Universal dos Direitos do Homem. O caso da Checoslováquia é até globalmente dos mais significativos por ser um dos que, nos últimos tempos, mais atrai a atenção da opinião pública mundial. O povo Checoslovaco é dos povos do Leste europeu talvez aquele que mais consistente e intensamente tem conduzido o seu esforço de resistência face ao domínio totalitário da URSS no seu País, tendo atingido o seu cume na chamada Primavera de Praga em 1968 e vendo uma vez mais os seus anseios de liberdade esmagados pelos tanques soviéticos. A consciência da Humanidade jamais esqueceu este exemplo de violência e repressão imperialistas e, de então para cá, mais do que anteriormente, as arbitrariedades cometidas contra os direitos do Homem em solo checoslovaco assumem uma relevância indiscutível neste domínio. A Checoslováquia é um dos casos exemplares. A Checoslováquia é a memória dos povos livres para que não lhes suceda o mesmo destino de opressão.
Centenas de assinaturas foram recolhidas por militantes do Centro Democrático Social em favor da libertação dos democratas checos e da democracia para a Checoslováquia. A sorte daqueles que sofrem a repressão, ofensiva dos Direitos Fundamentais do Homem, não pode, de facto, ser-nos indiferente. Ao solidarizarmo-nos com eles, ao mobilizarmo-nos cada vez mais para a solidariedade com os povos oprimidos, estamos a defender a nossa liberdade, combatendo firmemente ditaduras que ainda resistem ao curso da História.
Alguns dirão que isto é uma campanha «reaccionária» e uma ofensiva «imperialista» contra as «conquistas da revolução» checa. O PCP, que mantém na Assembleia da República, ao contrário do CDS e dos outros partidos democráticos, a sua óptica vesga e a sua incoerência totalitária, votando pela libertação de comunistas e anti-fascistas, mas votando contra a libertação dos democratas que combatem as ditaduras comunistas, certamente nos chamará «caluniadores» e «provocadores», como representante político que é do leste soviético. Mas dois factos apenas basta realçar: reaccionários não são aqueles que como nós e os democratas checos, lutam pela liberdade, mas sim o Governo checoslovaco e outros que, apoiados pelo imperialismo soviético, se colocam deliberadamente contra o curso natural da História e a evolução da Humanidade, que é no sentido da aplicação e do respeito universais dos Direitos do Homem. E, por outro lado, que «revolução checa» é essa, agitada pelos comunistas, que se traduz num rumo político totalitário imposto pelos tanques soviéticos? Revolução checa... sim, haverá! Mas pela democracia e pela liberdade! Pela paz e pela independência Revolução que ainda não tem conquistas, mas que tem precisamente tudo a ganhar e nada a perder. Revolução que vencerá, pois a Primavera de 68 vencerá!
Que aos democratas checos, que aos revolucionários da Checoslováquia de hoje nada falte em apoio solidário dos homens livres do Mundo, é imperativo histórico que nenhum de nós pode ignorar. Não é só a liberdade individual do Homem que está em causa. O que já seria suficiente. É também a independência de um povo oprimido por estrangeiros. É também a própria paz mundial, já que, fazendo recuar os tanques soviéticos, é a paz que se garante, a repressão que se afasta, a Europa democrática que aumenta o número dos seus irmãos.
As ditaduras são, pelo à-vontade do seu totalitarismo e pela movimentação descarada do seu potencial, permanentes ameaças à estabilidade e à paz no Mundo, preparando com extrema frieza as suas tarefas de coacção ou mesmo de agressão sobre o estrangeiro. Daí que, por cada ditadura que cai é o imperialismo que a sustentava, ou em que consistia, que é abalado, que treme, e acaba por cair. É a paz que se reforça!
Ora, é preciso ter presente que a Checoslováquia é talvez na actualidade um dos elos mais fracos da cadeia imperialista soviética. Apoiar quem corajosamente afronta o Poder estrangeiro e luta pela liberdade e pela independência dos checos e da Checoslováquia, não é só, por isso, um imperativo de solidariedade humanista, mas um esforço pela garantia da paz na Europa e no Mundo.
Por isso, se impõe cada vez mais coerência e eficácia na luta internacional pelos Direitos do Homem. Activismo militante cada vez maior na solidariedade com quem, lutando pela sua liberdade, combate também pela nossa paz.
Se a democracia em cada país é a liberdade do seu povo, a democracia em todo c mundo é a paz para todos os povos do Mundo. Pelo contrário, as ditaduras que são internamente a guerra de um Estado ao seu povo, são externamente a guerra de um Estado aos outros povos.
«Liberdade para os democratas checos! Democracia para a Checoslováquia!» — é a insígnia da nossa solidariedade na luta pela paz e pelos direitos do Homem, contra quem, oprimindo ainda alguns povos, deseja oprimir os demais.
A Checoslováquia será livre! Portugal continuará livre!

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