quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

1972-02-02 - AOS SOLDADOS, A TODOS MILITARES REVOLUCIONÁRIOS ANTICOLONIALISTAS DA E.P.A.M. - RPAC

  AOS SOLDADOS, A TODOS MILITARES REVOLUCIONÁRIOS ANTICOLONIALISTAS DA E.P.A.M.

      camaradas
Até Agora, na EPAM, o que é que nos disseram esses lacaios de capitalismo-desde o palhaço do comandante até ao Capote, Félix Pereira e Cª. - acerca da guerra colonial e do exército que a move? Na prática deles só recebemos castigos, humilhações e sempre mentiras. Mas isto tem um grande significado! Todos estes castigos - dispensas e fins-de-semana cortados, reforços, detenções, prisões - não são mais do que formas concretas de opressão militarista que têm como finalidade humilhar os soldados e manter a cada vez mais intolerável disciplina fascista, necessária à burguesia para continuar a guerra colonial contra os povos africanos irmãos, que lutam pela sua independência em Angola, Moçambique e Guiné. Aqueles reles militaristas sabem que esta guerra não é uma guerra justa, popular, mas que é feita à custa da exploração das massas trabalhadoras portuguesas.
Nos soldados vimos do povo explorado e humilhado. Aqui na EPAM como noutros quartéis continuamos a sê-lo dia a dia pelos lacaios da burguesia - Cera Almeida, e outros - que nos vigiam e castigam para nos obrigar a defender os interesses dos capitalistas aqui e nas colónias. Mas se eles têm neste momento o poder e os meios de repressão mais odiosos para o povo - exército colonial fascista, PIDE, GNR, etc... - nós temos a força invencível que vem da nossa situação de explorados e oprimidos, e do ódio aos exploradores capitalistas e seus fantoches militaristas. Nós podemos resistir e resistiremos aos castigos dos Capotes, Cera de Almeida e Cª. através do fortalecimento da nossa unidade e organizando-nos para em todos os momentos respondemos audazmente à violência militarista.
A burguesia e o seu exército fascista recuam e têm medo quando sentem que as massas de soldados começam a reagir. Então são mais violentos e reprimem ainda mais, pois vêem em perigo as roças das colónias, os monopólios e os privilégios. Mas nós não tememos o aumento da opressão militarista. Pelo contrário isso significa que estamos ainda a ganhar mais força e consciência de luta.
O exército colonial fascista em que nos obrigam a enfileirar é o instrumento mais importante que a burguesia utiliza para tentar dominar a justa luta dos povos africanos irmãos, pela sua libertação e independência, assim como a revolta do povo português contra à exploração de que é vitima. Em todos os sectores deste exército, os soldados são levados através de uma propaganda mentirosa e violenta repressão, a ir para as colónias, combater os povos africanos irmãos de Angola, Guiné e Moçambique, que há séculos sofrem a escravidão e a exploração dos mesmos que cá vão enchendo os bolsos à custa do povo. No nosso caso concreto da EPAM eles aliciam-nos com a possibilidade de enriquecermos desviando dinheiro dos cofres da intendência das colónias, além de não arriscarmos tanto a vida.
Camaradas! Desmascaremos mais esta chantagem! Quer como combatentes, quer integrados nos serviços não combatentes do exército colonial, indo para as colónias, estamos da mesma forma a contribuir para o prolongamento da guerra colonial, para a continuação da nossa situação de explorados pela burguesia exploradora. Se aceitarmos estas tentativas de enfraquecimento da nossa resistência contra a guerra colonial e contra a exploração em Portu­gal estamos a trair os nossos objectivos de luta.
Várias são as formas de que o militarismo na EPAM e no CIE se socorre para reprimir os soldados. Por um lado sentimos bem a violência e a humilhação dos reforços, das detenções, prisões, etc..., com que somos punidos pelo Félix Pereira, Cera de Almeida, Rosário, Nogueira da Silva Soares e Cª.. Por outro, existem os capatazes desses lacaios que nos espiam e perseguem para mais tarde segredarem o que ouviram ou aplicarem severos castigos. Entre estes destaca-se pela sua baixeza o reles capataz Simeão que a cada passo se mostra um fiel cão de guarda dos comandos fascistas na repressão aos soldados. Para lá destes que não escondem o que são, outros há que mostrando-se em certos momentos nossos "amigos", não são mais do que provocadores e bufos, que mais tarda ou mais cedo acabam por denunciar os que mais activa e corajosamente resistem aos castigos e repudiam energicamente o militarismo e a guerra colonial.
Alguns destes já nós conhecemos - O Luc por exemplo. Mas por serem ainda pouco conhecidos, aqui ficam mais dois — Os aspirantes BRANDÃO, da chamada acção psicológica fascista, e o PONCE LEÃO da “justiça”.
DENUNCIEMOS ESTES E OUTROS LACAIOS, REPUDIANDO A GUERRA COLONIAL.
UNINDO-NOS E ORGANIZANDO-NOS NA RESISTÊNCIA À REPRESSÃO MILITARISTA. PELA RECUSA AOS CASTIGOS. PELA RECUSA AO EMBARQUE PARA AS COLÓNIAS, PELA DESERÇÃO, ASSEGURARIAS A NOSSA VITORIA SOBRE O COLONIALISMO.
ABAIXO A REPRESSÃO MILITARISTA!
RESISTAMOS UNIDOS AOS CASTIGOS DOS SOARES, CERA ALMEIDA & Cª!
SABOTEMOS A INSTRUÇÃO COLONIALISTA! DENUNCIEMOS OS INSTRUTORES LACAIOS MILITARISTAS, RECUSEMOS O EMBARQUE PARA AS COLÓNIAS! DESERTEMOS!
VIVA A GUERRA POPULAR DOS POVOS IRMÃOS DE ANGOLA, GUINE E MOÇAMBIQUE!
ABAIXO A GUERRA COLONIALISTA DA BURGUESIA ASSASSINA!
VIVA A R.P.A-C. (RESISTÊNCIA POPULAR ANTI-COLONIAL)
VIVA A LUTA DOS SOLDADOS CONTRA A GUERRA COLONIALISTA!

Núcleo de Anticolonialistas da E.P.A.M. "Eduardo Mondlane”

P.S - Saído nos quartéis da Escola Pratica de Administração Militar de Lisboa
2/3/73 

Sem comentários:

Enviar um comentário

Arquivo