terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

1972-02-00 - SOBRE O 1° ANO - 3 - Movimento Estudantil

LUTEMOS UNIDOS POR UMA ASSOCIAÇÃO DE TODOS OS ESTUDANTES

SOBRE O 1° ANO - 3

Tem vindo a ser uma constante da política "reformista" do governo o acompanhar a introdução da reforma com todo um conjunto de medidas repressivas tendentes a acabar com as organizações democráticas dos estudantes. A conservação no meio estudantil das liberdades de reunião, informação e associação permite aos estudantes discutir livremente a política de ensino do governo, e reagir, segundo as mais variadas formas, às arbitrariedades das autoridades escolares. Sendo esses direitos fundamentais conquistas estudantis, a todo o momento tem o governo procurado usurpá-los usando os mais variados métodos, o que mantém em aberto uma luta dos estudantes contra a política repressiva do governo. Só a perseverança na luta e a unidade combativa de todos, tem manter essas conquistas, e em cada momento desmascarar e impedir as inúmeras tentativas de fascização da Universidade.
A nova "reforma" que o Governo tenta aplicar e da qual alguns aspectos são já conhecidos pelos estudantes de várias Faculdades, não visa melhorara o ensino e muito menos colocá-lo ao serviço dos interesses da população. Esta "reforma", visa no essencial adaptar o ensino aos interesses do capital monopolista que domina o país, através de uma estrutura que permite a formação de quadros médios, de técnicos, de especialistas, adaptados à estrutura económica capitalista - tudo isto com o máximo de rentabilização das esclerosadas estruturas existentes e com o mínimo de verbas extra. Ao mesmo tempo, o seu carácter demagógico visa abafar o descontentamento popular e justificar também a repressão que se abate sobre o Movimento Estudantil.

A situação no instituto de medicina tropical
Desde há muitos anos que a criação de novas Faculdades é uma sentida reivindicação estudantil e popular, face à caótica situação existente nas actuais, em que milhares de alunos se aglomeram num espaço destinado a poucas centenas. Porém, nunca o governo foi capaz de resolver mais este problema, já que a grande fatia do orçamento geral do Estado é "encaminhada" para os ministérios ligados à guerra e só uma pequena parte acaba por ser gasta com a Educação (embora no início de cada ano se fale em "estrondosos" aumentos no orçamento para a Educação, cuja maior parte acaba por ser "desviada" para a compra de espingardas, granadas, napalm, etc.). Tem-se vindo, portanto, a agravar cada vez mais a degradação das condições de ensino.
O início das aulas no I.M.T., cumulativamente com a aplicação da reforma, em nada veio melhorar a situação.
Baseada mais em razões de carácter político do que na preocupação de melhorar as condições pedagógicas dos estudantes, foi esta divisão do curso de Medicina efectuada de modo a colocar em rigoroso isolamento e fora de qualquer contacto com o Movimento Associativo dos Estudantes, os novos alunos de Medicina. Veja-se a rigorosa "escolha" efectuada desde o início e que só permitiu a frequência às aulas no I.M.T. de estudantes que pela primeira vez estivessem na Faculdade, excluindo os repetentes ou vindos de outras faculdades.
Ao longo do primeiro período de aulas ficou bem manifesta a atitude do corpo docente, encabeçado pelo director Torres Pereira, em não dar aos Estudantes possibilidades de livremente se reunirem e debaterem os vários aspectos de uma reforma que coercivamente lhes está a ser aplicada.
Demagogicamente dizem as autoridades que a instalação dos novos alunos no I.M.T. se trata da criação de um nova faculdade completamente desligada de Sta. Maria, temporariamente funcionando em instalações "emprestadasonde não é possível conseguir uma sala de alunos. Tenta-se deste modo criar um núcleo de estudantes completamente desintegrado do M.A., que por um lado não poderia estar ligado à C.P.A. pois não tem aulas em Sta. Maria, e a quem por outro não são dadas possibilidades materiais de desenvolver a actividade associativa.
As várias tentativas de quebrar o autoritarismo deste sistema de ensino feitas por alguns estudantes: - exigência de uma sala de alunos; tempo e espaço que permita reuniões, contra o isolamento em que se pretende manter os alunos da manhã e da tarde - não tiveram ainda a adesão da grande maioria do curso, o que levou, para já, ao insucesso dessas reivindicações que não foram sequer apoiadas por qualquer processo de luta.
Face à situação existente pensa esta lista candidata à Direcção da C.P.A.E.F.M.L., dever incluir no seu programa algumas ideias sobre o trabalho a desenvolver no I.M.T., com vista a uma efectiva integração e uma maior participação dos estudantes do 1º Ano no Movimento Associativo em geral.
1º - Manter uma ligação constante entre o Movimento Associativo da C.P.A. e o trabalho Associativo próprio que os estudantes do 1º ano forem criando e desenvolvendo.
2º - Alargar ao I.M.T. e futuramente à escola de Campo de Santana, o trabalho de informação desenvolvido através da C.P.A.. Assim, a exemplo do que tem vindo a acontecer, far-se-á a distribuição do ENZIMA (o jornal da escola), dos comunicados da Direcção, de todos os comunicados informativos sobre acontecimentos federativos. Neste capítulo pensamos ainda que devem os estudantes do 1º ano criar os seus próprios meios de informação fazendo sair periodicamente um jornal do curso.
3º - Apresentar aos estudantes do lº ano aspectos da luta pedagógica desenvolvida através da C.P.A., que tem permitido aos estudantes de Medicina exercerem um efectivo controle sobre os métodos de avaliação de conhecimentos e a programação de várias cadeiras.
Parece-nos de particular importância o desenvolvimento do trabalho pedagógico, já que a aplicação da "reforma" trouxe mais refinados mecanismos de selecção, de que são exemplo a divisão em semestres e a supressão época de Outubro.
4º - Propomo-nos generalizar a discussão crítica da reforma, através da saída de textos e realização de colóquios.
5º - Iremos propor aos estudantes do 1º ano a realização de uma Semana do Nervo Aluno que, pelo conjunto actividades culturais ou outras que englobe, seja um meio de conhecimento e convívio entre todos os estudantes de Medicina.

contra o isolamento!
pela participação dos estudantes do lº ano no trabalho associativo da c.p.a.
contra as reformas-burla!
pelo direito de reunião de informação e de associação

Sem comentários:

Enviar um comentário

Arquivo