segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

1972-02-00 - Reunião Inter-Associações - Movimento Estudantil

Reunião Inter-Associações

O ano passado caracterizou-se por um aumento das lutas estudantis no Porto que atingiram o seu ponto máximo durante o processo da Queima das Fitas, pela massiva participação dos estudantes no cumprimento das decisões do Plenário. Foi essa a prova real de que os estudantes do Porto estavam prontos a levar para a frente uma luta contra a Repressão - contra o encerramento das instalações associativas e pelo direito de reunião - e contra os aspectos mais tradicionalistas, conservadores e alienantes da vida dos estudantes - a Queima das Fitas.
No entanto, apesar da ampla participação dos estudantes no movimento, este não foi convenientemente perspectivado de modo elevar, tanto quanto seria possível, a consciência estudantil e consequentemente a reforçar as estruturas associativas. Isto passou-se devido à diluição da direcção do movimento, caracterizada pela debilidade das estruturas federadas. Esta diluição foi resultado de as Reuniões Inter-Associações (R.I.A.) não terem funcionado na prática com voto por escola o que, por um lado, não dá garantias de que o decidido na R.I.A. esteja em conformidade com a situação em cada escola, e por outro, dilui a responsabilidade que cabe a cada direcção, como representante dos estudantes de cada escola de dinamizar os processos para levar à politica as decisões tomadas na R.I.A..
Este ano verificamos que o Movimento Associativo se consolida e as disponibilidades de luta contra a Repressão se mantêm, o que se verifica pela inserção desse objectivo na quase totalidade dos programa de candidatura das direcções eleitas.
Por isso, e pelo que representa de avanço do Movimento Associativo, consideramos da máxima urgência lançar-se una campanha a nível federado pela conquista de instalações e pelo legalização das Associações.
Achamos também importante a organização de um Departamento de Informação Associativo (D.I.A.} que garanta a troca de informações entre as diversas escolas do Porto e com as outras Academias, constituindo uma forma de manter alerta os estudantes contra as tentativas constantes do Governo de desmantelar as Associações de Estudantes e contra as campanhas difamatórias que este, através do monopólio da informação, dirige contra os estudantes.
Consideramos que estas duas tarefas - Campanha de Legalização e Instalações das Associações de Estudantes e o R.I.A. - devem der estruturados a nível federado, ou seja, numa R.I.A. para cuja realização propomos o dia 23/2/72 às 15h. na Faculdade da Engenharia e para a qual convocamos todas as Associações do Porto, bem como todos os estudantes, com a seguinte Ordem de Trabalhos;
1. Informações
2. D.I.A.
3. Campanha de Legalização e Instalações.
Porque consideração que todas as estruturas Associativas para que sejam eficazes e para permitirem um desenvolvimento correcto das lutas estudantis se devesa basear nas mais amplas camadas do estudantes, o que só se consegue através de organismos por eles eleitos; pela análise da experiência passada — a anarquia reinante durante o período da Queima das Fitas já descrita - e como consta nos nossos programas de candidatura, o voto na R.I.A. deve ser por escola.
Consideramos além disso que nas R.I.A.s se deve criar usa ambiente de trabalho no sentido de analizar no concreto a situação do Movimento Associativo em cada escola, na Academia e ao nível do País, sempre com troca de experiências, com o apoio das escolas fortes às mais débeis para que o Movimento ganhe uma orientação de unidade e se transforme num movimento associativo de massas.

A Direcção da Associação da Faculdade de Engenharia
A Direcção da Associação dos Liceus
A Direcção da Associação da Faculdade de Medicina

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