quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

1972-02-00 - Os Povos das Colónias Vencerão! Nº 01 - CLAC's Vencerão!

    VIVA A GUERRA JUSTA POVOS DAS COLÓNIAS

Operários, trabalhadores, soldados, estudantes,
O povo português está à 45 anos submetido a tirania fascista, privado dos mais elementares direitos políticos, vigiado e torturado pelos assassinos da pide, até mesmo as simples lutas por aumento de salário são brutalmente reprimidas e os elementos mais combativos lançados para a prisão. A besta fascista cai com uma ferocidade desesperada sobre os que procuram organizar as massas para acabar com o capitalismo, causa de todos os males, da miséria e do sofrimento do povo português. Apesar de todo um aparelho de Estado voltado para a repressão, dos milhares de contos gastos com a pide, a PSP, a GNR, a legião, o Exército, a censura os Tribunais, etc., o fascismo acabará irremediavelmente por ser liquidado pelas massas populares. A prova está nas gloriosas lutas que o povo português travou no passado contra o fascismo.
Mas a burguesia portuguesa não explora e oprime somente o povo português. Ela explora ainda mais bárbara e sanguináriamente os povos das colónias, submetendo-os a uma autêntica escravatura, negando-lhes todo e qualquer direito. Nas colónias quem faz a lei e o colono a chicotada e a tiro. Os povos africanos estão sujeitos ao regime de “contrato” pelo qual a burguesia obriga os trabalhadores negros a servi-los durante anos por um salário de miséria, sem poderem escolher outro patrão, despedir-se ou reclamar maiores salários. Na realidade a burguesia colonial é uma autentica senhora de escravos, pois no fim do “contrato” ainda é o trabalhador que deve dinheiro ao patrão, ficando eternamente à mercê deste. Este sistema dos contratos foi abolido por uma lei fascista em 1960 tal como também em Portugal a prostituição e a mendicidade foram abolidas por lei. Na realidade este criminoso sistema de escravatura mantém-se nas colónias, camuflado duma forma ou doutra.
Mas nem só pelo sistema do "contrato” a burguesia portuguesa transforma o africano num escravo. Os colonialistas roubam aos negros as terras donde antigamente eles tiravam os alimentos, para aí cultivar em extensões enormes algodão, chá, cacau, sisal, tabaco, café, etc. E é para essas propriedades enormes roubadas aos trabalhadores africanos pela CUF e ou­tros monopólios e seus agentes que eles depois são obrigados a ir trabalhar. Ficam sem a terra que lhes dava de comer e ainda por cima são obrigados a trabalhar debaixo do chicote.
E é a estes crimes hedi­ondos a esta barbara escravatura que os fascistas cinicamente chamam "missão civilizadora de Portugal em África”.
cismo°defende em África os trabalhadores negros se em Portugal os trabalhadores vivem na maior miséria, amontoados em bairros de lata, sujeitos a salários de fome, obrigados a emigrar às centenas de milhar para não morrerem de fome?
Como acreditar que o governo fascista promove o desenvolvimento cultural das populações africanas quando em Portugal não existe a liberdade de imprensa, o direito de reunião e de organização, os livros progressistas são proibidos, grande parte da população é analfabeta?
Como acreditar que a burguesia defende em África o "mundo livre" quando em Portugal as prisões estão cheias de trabalhadores que lutaram pela liberdade, quando o “mundo livre” é o mundo da liberdade da burguesia explorar, e o mundo do imperialismo?
A "missão civilizadora” a burguesia portuguesa, em África ou em Portugal, é a mesma; explorar os trabalhadores, arrancar-lhes o mais possível de trabalho e, pagar-lhes o menos possível para obter o maior lucro que puder. Manter os trabalhadores debaixo do olho da Pide, da GNR, da PSP, da Legião, etc., para reprimir as suas lutas e perpetuar a exploração capitalista, eis a “missão civilizadora“.
No inicia dos anos 60 os povos das colónias pegaram em armas decididos a expulsarem o colonialismo português e a obterem a independência nacional. Desde então os povos de Angola, Guiné e Moçambique têm travado uma luta gloriosa contra o exército colonial, não recuando diante dos maiores sacrifícios para alcançar a total independência. Ao mesmo tempo, a burguesia portuguesa recorre aos maiores crimes numa vã tentativa de liquidar a revolução. Bombardeia aldeias indefesas assassinando crianças, mulheres e velhos, bombardeia as culturas, entrega-se a massacres colectivos, tortura barbaramente a população africana na esperança de obter informações. Os soldados portugueses, instigados pelos oficiais, praticam as mais infames torturas aos patriotas das colónias, abrindo-lhes o ventre a facada, arrancando-lhes os olhos, os membros ou o sexo, enterrando-os vivos, queimando-os, etc. Mas todos estes crimes só vem exacerbar ódio dos povos das colónias e mostrar-lhes quão justa é a sua luta.
A burguesia procura desesperadamente manter as colónias. Mas para o conseguir, a burguesia, essa classe de exploradores que não passa duma minoria da população, serve-se daqueles que em Portugal oprime, explora e reduz à miséria para se defender nas colónias. Os trabalhadores portugueses, integrados à força no exército colonial vão assassinar os seus irmãos, os trabalhadores das colónias, para defender a burguesia que explora e oprime a uns e outros.
Todos os anos cerca de dez mil trabalhadores que têm consciência mais ou menos nítida do papel criminoso do exército colonialista, desertam. Porém muitos têm ainda consciência dos seus interesses de classe e não compreendem que ir combater, os povos das colonizas e estar a combater os seus irmãos de classe e a defender o seu inimigo, a burguesia portuguesa.
O "Vencerão!", órgão dos Comités de Luta Anti-Colonial e Anti-Imperialista (C.L.A.C.), esclarece por todos os meios ao seu alcance os trabalhadores e soldados acerca da verdadeira natureza da guerra colonial e mobiliza-os para a luta contra o colonialismo, o neo-colonialismo e o imperialismo.
Mas como se compreende que os trabalhadoras portugueses que combatem o fascismo há longos anos já, tendo travado grandes lutas em 1961 e 62, precisamente quando os povos das colónias encetavam a luta contra o inimigo comum, não tenham redobrado de esforços e intensificado a luta revolucionária? Que não tenham conjugada os seus esforços com os dos povos das colónias cujas lutas revolucionárias abriram ao povo português a perspectiva do derrubamento do fascismo?
O esmorecimento das lutas a partir de 1962 só foi possível porque aqueles que se apregoavam de anti-fascistas e anti-colonialistas na realidade alinharam ao lado da burguesia fascista dando-lhe conselhos para perpetuarem a dominação colonial impediram a aliança com os povos das colónias e opuseram-se a Revolução Popular em Portugal. Esses colonialistas de falas mansas que dão pelo nome de democratas, que também justificam, o colonialismo pela "obra de civilização a efectuar" (Programa Político da C.D.E. de Lisboa), puseram-se a pregar em 62 que com a guerra o regime colonialista cairia por si, opuseram-se a organizar a violência que as massas reclamavam desmobilizando-as assim. Mas os C.L.A.C. levantarão bem alto a bandeira da luta anti-colonial e anti-imperialista e prestarão uma autêntica solidariedade às lutas de libertação dos povos das colónias, principal aliado do povo português na luta derrubamento do fascismo.
ABAIXO O COLONIALISMO E O IMPERIALISMO!
ABAIXO A GUERRA COLONIAL!
VIVA A GUERRA JUSTA DOS POVOS DAS COLÓNIAS!
INDEPENDÊNCIA TOTAL IMEDIATA E SEM CONDIÇÕES!
RETIRADA, IMEDIATA DO EXÉRCITO COLONIAL!
OS POVOS DAS COLÓNIAS, VENCERÃO!

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