sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

1977-01-27 - Luta Popular Nº 501 - MRPP

Iniciou-se em Lisboa o Congresso dos Sindicatos
O CONGRESSO É UM CAMPO DE LUTA

Cerca das 10 horas da manhã de hoje e no Pavilhão dos Desportos em Lisboa, teve início o Congresso dos Sindicatos, convocado, preparado e organizado nas costas dos trabalhadores pela Intersindical da traição, através da CNOC colocada à partida sob a direcção e o controlo dos social-fascistas.
Centenas de milhares de trabalhadores foram impedidos de participar e ter voz no Congresso como resultado da política terrorista antidemocrática e de traição da Intersindical/CNOC. Este não é pois, o Congresso de Todos os Sindicatos — e os revisionistas ao quererem-no fazer passar por tal, mais não visam que esconder a cisão latente no movimento sindical, cisão esta que a Intersindical agrava constantemente, e de que os social-fascistas são os primeiros e fundamentais responsáveis.
A presença das direcções e delegados democratas, an­tifascistas e anti-social-fascistas — e sem dúvida que a democracia no Congresso está posta em causa à partida, já que mais não fosse como consequência da ausência de democracia na preparação e organização do mesmo — nomeadamente a presença das direcções sindicais da linha política «Luta, Unidade, Vitória» ainda que minoritária, constitui o garante de que o proletariado revolucionário fará ouvir a sua voz no Congresso representando sem dúvida os interesses e aspirações da classe operária e do povo que trabalha — de que o Congresso é um campo de luta: de luta entre duas classes, de luta dos que defendem a unidade contra os que aprofundam a cisão e a divisão, da revolução contra a reforma.
Trata-se de uma luta dura contra um inimigo pérfido e a minoria tem que ousar ser a minoria, que luta, numa atitude de defesa da autonomia das justas posições do proletariado revolucionário e na base do alargamento do apoio a tais posições adentro do Congresso.
OS TRABALHOS DA MANHÃ DE HOJE
A abertura do congresso esteve a cargo da Intersindical. Isso é assim dado que o cacique Judas, que não é dirigente sindical é membro do Sindicato dos Trabalhadores de Escritório de Lisboa, que não está presente no Congresso, na sua qualidade de membro do secretariado da Intersindical, fez a apresentação da mesa, ou seja, da CNOC, com os seus 32 membros (31 dirigentes sindicais e o cacique Judas da Intersindical).
Um conhecido propositado da «maioria de esquerda», Kalidás Barreto, fez a saudação ao Congresso, num relatório-louvaminha à Constituição.
De seguida a Intersindical, através do seu secretariado, apresentou uma proposta de revogação dos seus próprios estatutos nos pontos que contrariam o regulamento do Congresso. Tal proposta é uma manobra no sentido de, aprovando a abertura do congresso aos sindicatos não filiados na Intersindical, estabelecer que este Congresso não só podia ser o Congresso de todos os Sindicatos como é o Congresso de todos os Sindicatos. Trata-se de dar «legitimidade» ao ponto de vista, sempre apregoado pelos revisionis­tas, de que este é o Congresso de todos os Sindicatos.
Apenas o delegado Antunes, do Sindicato dos Trabalhadores da Marinha Mercante, Aeronavegação e Pescas, tomaria a palavra para dizer que não poderia ser dado apoio a tal proposta dado que não estava ainda resolvido se este seria ou não um congresso democrático. A proposta — apenas votada pelos sindicatos filiados — foi aprovada com 2 votos contra e 7 abstenções.
De seguida, foi apresentado o relatório da CNOC sobre a preparação do Congresso — de que apenas foi feita a leitura, não tendo sido aceites inscrições para a sua discussão.
A finalizar, foi aprovado o regulamento do Congresso, havendo um voto contra, do Sindicato dos Telefonistas de Lisboa, e ainda 12 abstenções.

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