sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

1977-01-27 - DECLARAÇÃO - PS

DECLARAÇÃO
(dos militantes do Partido Socialista na Conferência de Imprensa — 27 de Janeiro de 1977)

Tivemos conhecimento pelos jornais da decisão da Comissão Nacional de Conflitos do Partido Socialista.
Nós declaramos não aceitar esta decisão da Comissão Nacional de Conflitos.
Nós, declaramos não aceitar as expulsões, que consideramos arbitrárias, porque são contrárias à vocação do Partido Socialista.
Nós constatamos que o essencial das pretensas acusações que nos são feitas, repousam sobre a base de violações da disciplina partidária.
A disciplina partidária fundamenta-se sobre a base do Programa definido pela instância máxima do Partido — o Congresso.
Nós declaramos que não nos afastámos um único momento do Programa do P.S.
Procuram sancionar-nos e agora expulsar-nos do Partido por termos rompido com a actual orientação política do Partido no Governo.
Afirmamos responsavelmente que a actual orientação do Partido no Governo é contrária ao Programa e à vocação do P.S, é contrária à vontade de milhões de trabalhadores portugueses que votaram no P.S.
A actual orientação do Partido no Governo não foi discutida nem decidida pelos militantes do Partido, não foi decidida pela instância máxima do Partido que é o Congresso.
Querer impor sanções e expulsões, na base desta linha política não decidida, em Congresso é orientar-se numa via claramente anti-democrática, é negar a liberdade de pensamento dentro do Partido, é arrastar perigosamente o P.S. para uma grave crise que ameaça desmantelá-lo.
O povo português, os militantes e dirigentes do Partido Socialista construíram o P.S. como o maior Partido dos trabalhadores para que ele assegure no país, na Assembleia, da República, e no Governo, a defesa dos interesses e aspirações dos trabalhadores.
O que os militantes e os trabalhadores querem é um Partido Socialista onde os dirigentes assumam o mandato que lhes foi confiado pelos militantes e pelo povo, tal como os dois deputados do Partido o exerceram ao votarem, na Assembleia da República, contra as medidas apresentadas no Orçamento pelo Governo, que lesam gravemente os interesses e aspirações do povo trabalhador.
O povo trabalhador quer, nós militantes queremo-lo com ele, que o Governo Socialista exerça o seu mandato como Governo Socialista,
Nós militantes socialistas, com os trabalhadores, sabemos que se o Governo Socialista impõe os despedimentos, atenta contra o direito à, greve e contra as liberdades, se impõe, leis e medidas de austeridade unicamente contra os trabalhadores, se permite a libertação de pides e bombistas, limita e atrasa a Reforma Agrária então, a audácia contra-revolucionária dos capitalistas, dos latifundiários, da direita, redobrará; então a liberdade arrancada pelo povo arriscar-se-á a ser posta em perigo.
Por estas razões nós repetimos:
Não aceitamos estas sanções contrárias à vocação do Partido Socialista, contrária à imagem que sempre demos de um Partido Socialista fraterno, de homens e mulheres livres.
Por estas razões, nós apelamos para todos os militantes do Partido, para os delegados ao Congresso do Partido, em particular para, as bases trabalhadoras do Partido que, connosco construíram o P.S., por vezes nas mais difíceis condições, para que por toda a parte se levantem, se juntem e digam claramente que não aceitam que em seu nome se caminhe para a destruição do P.S., se caminhe para a instauração duma terrível crise política no país, que poderá pôr em perigo as conquistas da Revolução de Abril.,
Em nome da base que não foi consultada, que não pode decidir no Congresso, a Direcção do Partido Socialista, orienta-se numa via que põe em causa as conquistas dos trabalhadores, as conquistas dos socialistas.
É tempo de reconsiderar!
É tempo de acabar com as sanções, suspensões e expulsões por - delito de opinião, que denigrem a imagem do Partido Socialista que nós construímos!
Tal como no APELO da 2ª Conferencia Nacional de Núcleos de empresa, de dirigentes sindicais e de militantes de Secções do P.S, e da J.S. realizada em Coimbra em 23/l/77 reafirmamos:
Um primeiro passo pode ser realizado na via do retorno à unidade, à fraternidade e à liberdade no Partido, perigosamente ameaçadas pelas sanções decididas pela Direcção. Este primeiro passo que deve, ser efectuado, consta de medidas muito simples — retirada de todas as sanções, suspensões e expulsões; presença de todos os militantes, condenados por delito de opinião, no Congresso Extraordinário.
Eis a via na qual nós devemos teimar para, permitir que no Congresso Extraordinário haja uma discussão livre, sem coerção.
Eis a via que restituirá ao Partido Socialista o seu verdadeiro rosto: um Partido Socialista, partido livre de trabalhadores livres.
Militantes do Partido!
Nós, militantes arbitrariamente expulsos, não mudámos!
Nós continuamos fiéis à vocação socialista do Partido!
O combate dos militantes suspensos e expulsos é o combate da base trabalhadora, é o combate dos militantes que, à custa dos mais duros sacrifícios, construíram o P.S. como o maior partido dos trabalhadores portugueses.
Não aceitem estas sanções arbitrárias!
Não aceitem que se faça uma sangria no Partido, se expulsem militantes sé porque são fiéis ao Programa do Partido!
Militantes do Partido!
Está nas vossas mãos a possibilidade de impedir o esfacelamento do Partido!
Exijam o levantamento de todas as sanções, suspensões e expulsões!
Exijam a nossa presença no Congresso, a presença de todos os representantes das bases, para fazermos ouvir a nossa voz!
Apelem outros camaradas para este combate!
Juntemo-nos, mobilizem-nos para que o Congresso do Partido exprima a vontade das bases, levante todas as sanções aos militantes que querem ficar fiéis à vocação socialista do Partido!
NÃO A SANGRIA DO PARTIDO SOCIALISTA!
SIM AO LEVANTAMENTO DAS SANÇÕES!
SIM À DEMOCRACIA INTERNA NO PARTIDO!
O SOCIALISMO VENCERÁ!

Sem comentários:

Enviar um comentário

Arquivo